Capítulo 1 Viviane narrando

Viviane narrando...

Acordei com o celular tocando. Peguei sem nem olhar quem era e atendi.

Ligação on...

Viviane: Alô?

Gustavo: Bom dia, meu amor! Tá na hora de acordar.

Viviane: Nossa, Gustavo... fui dormir tarde preenchendo a papelada.

Gustavo: Exatamente por isso estou ligando: pra você não esquecer de entregar os documentos pro seu irmão.

Viviane: Eu não vou esquecer.

Gustavo: Eu sei, só peço pra ir cedo — assim você não encontra ele e acaba brigando de novo.

Viviane: Tá bom, eu vou.

Gustavo: Certo. Te espero no jantar hoje. — Sorri, toda boba.

Viviane: Tá bom, amor. Beijo.

Gustavo: Beijo. Te amo.

Viviane: Te amo.

Ligação off...

Desliguei e me espreguiçei bem forte. Levantei logo e fui tomar banho. Eu devia estar me arrumando pra ir ao salão fazer pé, mão e cabelo: hoje é o meu noivado! Finalmente, depois de três anos de namoro, eu ia me casar. Mas é claro que o meu irmão tinha que atrapalhar o meu dia: me deu uma suspensão depois que eu questionei ele numa operação.

Sou policial civil do Rio de Janeiro, trabalho como investigadora. Amo o meu serviço — a adrenalina, a ação, é isso que me move. Mas o meu chefe é o meu próprio irmão, dá pra acreditar?

Meu pai também era policial e sempre nos incentivou a seguir a carreira, mas ele sempre ajudou e deu preferência ao meu irmão. Nunca me importei com isso: sempre corri atrás do meu e tenho orgulho de dizer que cheguei onde cheguei sem ninguém fazer arranjos por mim. Diferente do meu irmão, que precisou — e muito — da ajuda do meu pai pra chegar a delegado.

Talvez seja por isso que me dói tanto ter que acatar as ordens dele sem poder questionar nada. Voltando ao meu pai: como eu disse, ele sempre deu prioridade ao meu irmão. Era um homem machista, batia na minha mãe e tinha uma porção de mulheres por aí. Cresci batendo de frente com ele, porque não aguentava ver minha mãe passando por tudo aquilo. Mas cansei, quando ela mesma me disse que era feliz daquele jeito.

Hoje moro sozinha num apartamento simples. Eu e o Gustavo já estamos resolvendo tudo pro casamento, e depois vou morar com ele. Nos conhecemos no tribunal — foi coisa de destino! Ele é promotor de justiça, e é uma das poucas pessoas que realmente importam pra mim hoje em dia.

Terminei o banho, passei hidratante, vesti a camiseta branca do uniforme, a calça preta, botei as botas e fiz um rabo de cavalo. Me perfumei, peguei os documentos, a bolsa e a chave do carro, e saí.

O caminho foi tranquilo. Estacionei, desci e entrei na delegacia pra entregar os papéis, assinei mais alguns e — graças a Deus — não encontrei o Gabriel. Olhei o relógio e vi que já estava quase na hora do almoço, então resolvi fazer uma surpresa pro Gustavo. Parei num restaurante, pedi uma bandeja de sushi e fui pro Fórum. Chegando lá, passei por todas as revistas e bati na porta da sala dele. Quando abri, ele estava conversando com a Mariane — a secretária dele, e minha melhor amiga.

Viviane: Oi, gente! Trouxe comida.

Gustavo: Nossa, amor, que surpresa! Não esperava ver você aqui hoje.

Viviane: Tive um tempinho sobrando e resolvi passar pra te ver. Oi, Mari!

Mariane: Oi, amiga!

Entrei, coloquei tudo na mesa, dei um abraço e um beijo na Mari, depois um beijo no Gustavo. Sentamos todos juntos, comemos e batemos um bom papo por um tempo...

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