Capítulo 3 Viviane narrando
Viviane narrando...
Voz desconhecida: Vai, ajuda ele a entrar no carro.
Só conseguia sentir raiva do meu irmão por ter me suspendido, tirado minha arma e o distintivo — afinal, nem o distintivo ia me ajudar agora. Ajudei o homem a se levantar e o coloquei no banco de trás. Ia sair, mas fui impedida quando a arma ficou apontada bem na minha cara.
Voz desconhecida: Você que vai dirigir.
Entramos no carro. Ele manteve a arma apontada para mim e falou friamente:
Voz desconhecida: Vai seguir o caminho que eu mandar. Qualquer gracinha, você morre.
Pensei em responder, mas as veias saltadas no rosto dele mostravam o quanto estava furioso. Então resolvi manter a calma, liguei o carro e acelerei, seguindo por ruas cada vez mais estranhas.
Voz desconhecida: Calma, Dedé, você vai ficar bem.
Segunda voz: Vai logo! — Falou com muita dificuldade.
Eu analisava cada movimento deles, pensando antes de agir: não podia deixar a emoção tomar conta.
Ele mandou eu parar na frente de um galpão. Assim que puxei o freio de mão, levei um golpe forte na cabeça e apaguei.
Quando acordei, estava deitada num colchão, num quarto minúsculo com janelas todas fechadas com tábuas. Levantei devagar, a cabeça doendo pra caramba.
Fui até a porta e tentei abrir, mas foi em vão. Encostei a cabeça na madeira para tentar ouvir algo, mas só havia silêncio. Num impulso, dei um chute forte na porta.
Voz desconhecida: Fica quieta aí, mina. Mais tarde o patrão vem falar com você.
Era uma voz grossa, ríspida. Bufei, mas me calei. Reparei que só tinha um balde no canto do quarto. Esses filhos da puta pensam que vou usar isso? Só se for pra jogar na cabeça deles.
Meu maior medo era quando eles descobrissem que sou policial. Não estava preparada para morrer...
