Capítulo 4 Viviane narrando
Viviane narrando...
As horas passavam e ninguém aparecia. Por uma pequena brecha na janela, vi que já estava anoitecendo. Andava de um lado para o outro tentando pensar: se demorassem muito, eles iam acabar descobrindo que sou policial. Então comecei a bater forte na porta.
Viviane: Me tira daqui! Me tira daqui agora!
Voz desconhecida: Relaxa aí, já disse.
Viviane: Não vou relaxar! Preciso ir pra minha casa, não tenho nada pra dar, não tenho dinheiro nenhum!
Voz desconhecida: Não te perguntei nada. Cala a boca logo.
Viviane: Não vou calar não! Vou gritar!
Voz desconhecida: Fica à vontade.
Viviane: SOCORRO! SOCORRO!
Em segundos ouvi a porta abrindo. Me afastei rápido e vi um cara bem feio, com uma cicatriz enorme no rosto, me encarando.
Voz desconhecida: Se não vai calar a boca por bem, vai ter que ser pelo mal.
Ele entrou e alguém fechou a porta por fora. Quando ele veio em minha direção e estendeu a mão pra me agarrar, por instinto peguei seu braço, virei ele e botei ele num mata-leão.
Voz desconhecida: Me solta! Me solta, ô Juninho! — Gritou desesperado.
Viviane: Ninguém encosta em mim!
A porta se abriu de repente e dois homens apareceram. Olharam por um instante e caíram na gargalhada.
Juninho: Não tem graça não! Manda essa mina me soltar que agora vou arregaçar ela!
Outro cara: Deu mole demais, kkkk. — Pegou o celular e começou a filmar.
Viviane: Eu quero ir embora daqui, agora!
Outro cara: Isso não é comigo.
Viviane: Então chama o seu chefe aqui agora!
Outro cara: Patrão, a mina aqui tá dando trabalho. — Falou no rádio.
Barão: Caramba, deixa ela falar sozinha!
Outro cara: O problema é que no momento ela tá segurando o Alex num mata-leão.
O cara tentava de todas as formas se soltar, mas eu me mantive firme. Dei uma apertada a mais e ele desmaiou de vez.
Barão: O quê? Que porra é essa que vocês fizeram? Manda ela soltar ele que eu já tô chegando!
Larguei ele no chão, que caiu mole como um saco de batatas.
Outro cara: Ele desmaiou, mas fica tranquilo.
Ouvi vários xingamentos do outro lado. Os caras me olhavam sem acreditar. Notei que o cara caído não tinha arma, mas os outros dois carregavam fuzis nas costas e uma pistola cada um.
Eu poderia facilmente derrubar o que estava na minha frente, mas o outro que estava do lado de fora ia fechar a porta na hora. Antes que eu pudesse pensar em algo, apareceram mais cinco homens — entre eles, o que tinha me sequestrado: o Barão. Ele olhou pro cara caído com seriedade, enquanto os outros riam sem parar.
Barão: Deixa eu ficar sozinho com ela.
Eles levaram o cara desmaiado, o Barão entregou as armas dos outros e mandou fechar a porta. Fiquei parada, firme, enquanto ele me analisava.
Viviane: Eu já te ajudei! Você não precisa mais de mim, me solta!
Barão: Não te perguntei nada. Seu papel aqui é ficar quieta.
Viviane: Por favor, só me deixa ir em paz.
Barão: Você vai ficar!
Viviane: Você vai se arrepender disso.
Barão: Kkkkk, até parece. Se liga aí, patricinha: se continuar enchendo a cabeça dos meus homens, vou mandar eles te darem uma surra.
Viviane: Por que não faz isso você mesmo? Ou você só sabe dar ordens, não quer sujar as mãos, né? Muito típico de gente como você.
Ele me olhou com cara de surpreso, bateu na porta, os outros abriram e ele saiu. Assim que fecharam a porta, chutei ela com toda a força, cheia de raiva...
