Capítulo 5 Viviane narrando

Viviane narrando...

Assim que ele saiu, minha barriga começou a roncar. Bati na porta e falei:

Viviane: Estou com fome! Já me mantêm em cativeiro, querem me matar de fome também?

Voz desconhecida: Calma aí, mina. A comida já vai chegar. — Riu debochado.

Sentei no chão. Tempo depois, abriram a porta e o tal do Juninho entrou trazendo uma quentinha e uma garrafa de água de um litro.

Juninho: Foi o melhor que consegui.

Viviane: Obrigada. Posso te fazer uma pergunta?

Juninho: Fala.

Viviane: O rapaz que levou o tiro... ele está bem?

Juninho: O Bebeto? Está sim.

Assenti, aliviada.

Juninho: Come aí. Essa quentinha é boa mesmo!

Ele saiu e eu não me contive: devorei aquela refeição de frango à milanesa. Lambi os beiços, estava boa pra caramba! Bebi a água e logo senti o corpo pesado — acho que comi demais. Adormeci em seguida...

...

Barão narrando...

Cheguei em casa, larguei tudo sobre a mesa e subi. Tomei um banho demorado, desci e vesti uma calça jeans, uma camiseta da Nike, relógio e correntes. Peguei meu rádio, o celular e minha arma, então saí. Observei os rapazes trocando de turno, montei na moto e acelerei em direção à casa onde o Bebeto estava. Parei, cumprimentei os que estavam de guarda e, ao entrar, o encontrei reclamando.

Barão: Parece uma velha, já está reclamando?

Bebeto: Porque não é você que levou um tiro, filho da puta!

Ri do seu mau humor e sentei ao seu lado.

Barão: Reclama demais.

Bebeto: Deixa eu te dar um tiro também, vai. Fica bravo.

Barão: Mais um?

Ele virou o rosto. O enfermeiro entrou, aplicou um remédio e saiu.

Bebeto: Não tinha uma enfermeira não?

Barão: A enfermeira estava ocupada.

Na mesma hora, meu rádio começou a apitar. Atendi.

Barão: Fala.

Juninho: Chefe, mais um problema.

Barão: Que porra... não vou ter paz hoje? O que aquela maluca fez agora?

Juninho: O Urubu tentou se aproveitar dela enquanto dormia, se é que me entende. Ela acordou, lutou e gritou... então ele espancou ela.

Já me levantei de um salto.

Barão: Estou chegando em dez minutos.

Bebeto se ergueu de uma vez.

Bebeto: Que maluca é essa? Não é a mesma moça que me ajudou, né, Barão? — Me encarou firme e eu confirmei com um aceno.

Barão: É ela mesma. Não fale nada, não ia soltar alguém que viu nosso rosto, mas vou resolver isso agora.

Bebeto: Eu vou com você.

Barão: Você fica aí.

Bebeto: Eu vou!

Bufei. Respeitava o Bebeto pra caramba — era meu primo, e a mãe dele foi como uma mãe para mim.

Montei na moto e ele veio logo atrás. Acelerei até o local do cativeiro. O silêncio que reinava ali me deixou apreensivo. Desci e entrei direto.

Barão: Cadê ela?

Juninho: Lá dentro... vai ter que levá-la ao médico. A situação está feia.

Achei que ele estava exagerando. Mas assim que entrei, vi a cena: ela desmaiada, coberta de sangue que escorria principalmente da boca. Aproximei, toquei seu peito... e senti que ainda respirava.

Saí de lá furioso, agarrei o Urubu e o empurrei contra a parede, acertando um soco bem no meio da cara dele.

Barão: Seu idiota! Desde quando você faz as coisas sem eu mandar? — Chutei seu estômago com força.

Urubu: Ela me desrespeitou!

Barão: Foda-se o seu ego! Ia soltá-la de madrugada! Agora me diz: como é que eu a solto depois dessa surra?

Urubu: Então joga ela numa vala por aí e pronto.

Barão: É você que vai acabar numa vala, filho da puta!

Puxei minha arma, destravei... e antes que ele pudesse suplicar, acertei um tiro bem no meio da testa.

Barão: Filho da puta...

Passei as mãos pela cabeça, sem saber o que fazer.

Bebeto: Juninho, coloca ela num carro e leva pra minha casa. Eu já vou na frente.

Barão: Você ficou louco? Comeu alguma coisa estragada?

Bebeto: Não vou deixá-la assim! Ela precisa de cuidados, e o enfermeiro que está lá pode cuidar dela também.

Barão: Ele vai cobrar caro por isso.

Bebeto: Está falido? Trouxe ela porque tinha que trazer!

Barão: Trouxe porque ou eu dirigia ou você ia morrer!

Bebeto: E agora vai deixar a moça que me ajudou morrer?

Barão: Você nem a conhece!

Bebeto: Mas ela tem um bom coração! Tentou me ajudar e eu vou fazer o mesmo por ela!

Revirei os olhos e cedi — sabia bem que quando ele colocava algo na cabeça, ninguém conseguia tirar.

Barão: Certo. Mas ela é responsabilidade sua.

Ele nem me respondeu. E eu fiquei ali, sem sabe

r o que era pior... mas algo me dizia que isso ia me trazer muita dor de cabeça.

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