Capítulo 5 Visitante indesejado - P.O.V - BENJAMIN

P.O.V – Benjamin

Antes que eu pudesse responder, a porta se abriu revelando o tal Matthew. Nada impressionante, só um cara alto com um perfume caro. Mas a simpatia imediata que ele exalava me atingiu como um soco no estômago.

— Nossa o trânsito está impossível! Desculpem o... — Eu consegui ver, em câmera lenta, quanto os olhos desse cara se encontrou com os olhos da Chloe. Ele a encarou por um segundo inteiro, com aquele brilho de quem acabou de encontrar a melhor parte de uma festa tediosa. — Eu sou Matthew... e você? — Disse o cara de pau oferecendo a mão para ela com um sorriso esquisito.

— Ah, essa é nossa amiga, Chloe! — Disse Liz endossando a palhaçada.

— Que prazer te conhecer, Chloe — disse Matthew pausadamente.

Eu não estava conseguindo respirar de tanto ódio acumulado dentro do meu peito. Se eu perdesse a concentração, eu poderia entrar em combustão espontânea.

Chloe esqueceu que estava de saída e que eu a convenci a ficar. Matthew já havia puxado uma cadeira para se sentar estrategicamente ao lado dela. A conversa entre eles começou a fluir com uma facilidade irritante. Ele falava sobre arte, viagens e política. Fazia Chloe dar aquele sorriso leve e solto... Um sorriso que nem em meus melhores sonhos eu conseguiria arrancar.

Eu não aguentei cinco minutos.

A minha cabeça estava latejando. O meu peito apertava com um nó tão sufocante, cada parte do meu corpo me implorava para eu pegar pela mão dela e correr dali o mais rápido possível.

Mas, em vez disso, saí sem me despedir de ninguém, virei as costas, atravessei a sala a passos largos e saí daquela casa batendo a porta.

Eu entrei no meu carro com as mãos trêmulas, suando frio. Não consegui nem ligar o carro, tamanho o meu descontrole.

Só conseguia enxergar a imagem dela sorrindo para aquele recém-chegado, tão parecido com tudo o que ela pensava do mundo. Coisas que eu jamais pensei em falar, ou que eu jamais falaria em voz alta, pelo menos.

Eu achava que ir embora preservaria o que restava da minha dignidade.

Os sons apressados no asfalto me chamaram a atenção:

— BENJAMIN! — Disse Chloe batendo no vidro. — SAIA DAI, IMEDIATAMENTE! — Ela parecia brava. Era só isso o que eu despertava nela, raiva genuína e um choro dolorido e triste.

Eu apertei o volante com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Mas após a quinta batida no vidro, eu desisti.

Eu desisti, saí do carro para encará-la e dar a ela o gostinho do meu fracasso e descontrole.

— Você perdeu o juízo? Por que saiu de lá assim?

Olhei dentro dos olhos dela, deixando o veneno, a dor e a frustração transbordarem pelas minhas palavras:

— O que você veio fazer aqui, Chloe? Eu não me despedi porque não queria interromper o seu flerte com o senhor politizado! Achei que você queria continuar lá, não notaria a minha ausência.

— Isso não é justo! — Ela disse fazendo um biquinho de quem ia chorar a qualquer momento.

Chloe respirou fundo, engolindo o choro, e se inclinou um pouco mais para dentro do carro, cravando os olhos nos meus com uma intensidade avassaladora que me desarmou por completo.

— Se você quer que eu me afaste, por que está tão desesperado?

— Eu só não quero ver. O que Liz e Lucas fizeram não foi justo, eles sabem os motivos pelos quais quero que você fique longe!

— O que você não quer ver, Benjamin?

— Você flertando com outro na minha frente.

— E por que você se importa tanto com isso?

— Eu não consigo explicar. Eu estou parecendo patético, eu sei, mas eu não consigo me conter. Eu não quero ver isso, me incomoda, me enoja! Eu só quero ir para minha casa.

— Te incomoda que você não seja o centro das atenções? Mas não te incomoda me desprezar, deixar claro que não me quer por perto, que preferia que eu não tivesse aparecido aqui hoje.

— Eu não desprezo você. Tudo seria mais fácil se tudo o que você acabou de falar fosse verdade. Bem que eu queria!

— Então, qual é a verdade? A verdade é que você quer se afastar de mim porque é um covarde!

— Eu não sou covarde! Você não entende, não é? Eu estou apodrecendo. De dentro para fora! Eu vou morrer, Chloe. E quem estiver ligado a mim vai sofrer... E eu não posso fazer isso com você de novo. Minha família já fez mal a você antes.

— Do que você está falando, Benjamin? Que mal?

Eu me arrependi no momento em que eu disse, ao contar para ela, em meio a uma epifania, que minha família cortou a verba dos tratamentos de câncer no período em que a mãe dela morreu, não parecia ser uma solução muito prática.

Eu iria carregar aquela culpa até o meu leito de morte. E em minha lápide poderiam escrever: Morreu pelo Karma de carregar esse maldito sobrenome.

— Esquece essa merda, volta lá para dentro! Volta a flertar com o Sr. Perfeito lá; eu vou embora.

— Você é um covarde! Por que você não admite que quer ser meu amigo?

— Eu não quero ser seu amigo, Chloe!

— Então o que você quer de mim, Benjamin Vance?

Eu fechei os olhos, talvez encorajado pelo álcool e por toda a minha frustração. Ela permaneceu parada na minha frente, esperando que eu respondesse à pergunta de ouro.

— Eu quero você. E eu nunca quis tanto algo na minha vida.

Eu me aproximei dela, toquei o rosto dela com uma das mãos, a outra eu usei para puxá-la pela cintura.

— Eu quero algo que eu não posso ter. Eu quero algo que eu preciso proteger. E proteger significa proteger dos estragos que eu vou fazer pelo caminho.

— Você está tão acostumado a mandar em todo mundo, já se perguntou se eu posso querer fazer o que eu quiser?

— E o que você quer é um homem doente? Alguém que não pode te garantir um futuro?

— E o presente?! Que tal você pensar apenas nele agora?

Eu olhei dentro dos olhos castanhos irresistíveis dela, e estavam cheios de lágrimas, derramadas por mim. Derramadas pela minha teimosia.

Encostei o meu lábio ao lábio dela, delicadamente, sentindo exalar o cheiro maravilhoso em minhas narinas.

— Está frio. Volte lá para dentro. Acho que nós dois temos que considerar algumas coisas.

— Você desistiu de você; eu não. — Disse ela altiva, ignorou completamente o que eu disse e abriu a porta do passageiro, sentou-se no banco e bateu a porta com força.

Eu fiquei um tempo parado tentando absorver as minhas reações:

Ela baixou o vidro — Ei, me dá uma carona! Acho que isso não é passar dos seus limites, certo?

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo