Capítulo 1 1. NATÁLIA E ALFREDO

● Conhecendo Natália ●

Sempre fui uma mulher muito esforçada e meiga. Fui criada pelos meus avós, porque perdi meus pais muito cedo, mas eles me criaram com muito amor e sempre me instruíram pelo melhor caminho, ensinando-me a ser uma mulher independente.

Somos uma família simples, e meus avós nunca deixaram faltar nada para mim. Sempre me incentivaram a estudar e correr atrás dos meus sonhos. Estudei bastante, sempre tive boas notas e, assim que terminei o colegial, surgiu uma vaga para a escolha da nova secretária da AF Importes.

Enviei meu currículo sem imaginar que aquela oportunidade mudaria completamente a minha vida. Passei por uma rigorosa entrevista e, para a minha felicidade, fui escolhida. Foi assim que me tornei secretária do atual dono da empresa, Alfredo Mancini.

Sempre fui extremamente responsável e competente no meu trabalho. Aos poucos, dei conta de todas as minhas funções e conquistei a confiança de Alfredo.

Foi só a confiança mesmo.

Porque, desde a primeira vez que coloquei os olhos nele, eu me apaixonei.

Ele nunca percebeu que eu o amo. Na verdade, acredito que Alfredo sequer imagina o tamanho do sentimento que guardo dentro do meu peito há tanto tempo.

Quando vi meu chefe pela primeira vez, senti um frio na barriga. Fiquei completamente nervosa e sem saber como agir. Nunca havia sentido algo parecido por ninguém. E o pior é que, a cada dia que passa, esse amor só cresce mais e mais.

Às vezes, sinto que vivo suspirando pelos cantos daquela empresa. Basta Alfredo passar por mim para meu coração disparar e minhas pernas parecerem esquecer como funcionam.

Mas ele nunca deu a mínima para mim.

Tive que aprender a me conformar com isso.

Durante todo esse tempo, tive apenas um relacionamento sério. E, sinceramente, foi o relacionamento mais morno da minha vida. Até hoje não consigo acreditar que consegui me entregar a alguém que parecia ser mais gelado do que o próprio gelo.

Talvez o meu maior defeito seja a insegurança.

Sou o tipo de mulher que se apega facilmente. Gosto de ligar, mandar mensagem de bom dia, perguntar se a pessoa já comeu, se está tudo bem, se chegou bem em casa...

Eu sou assim.

Quando estou apaixonada, sou extremamente carinhosa e gosto de demonstrar o que sinto. Sei que, para algumas pessoas, isso pode parecer sufocante, mas essa sou eu. Não consigo simplesmente desligar meus sentimentos ou fingir que não me importo.

E, apesar de tudo, não quero deixar de ser quem sou apenas para agradar alguém.

Nesse trabalho, também acabei conhecendo Meline, uma mulher forte, maravilhosa e completamente diferente de mim em alguns aspectos. Com o passar do tempo, criamos uma amizade e começamos a trocar confidências.

Ela acabou se tornando alguém com quem posso conversar sobre praticamente tudo.

Só existe um assunto que ainda não tive coragem de contar a ela.

Meu amor por Alfredo.

Talvez porque, no fundo, eu tenha medo de admitir em voz alta algo que meu coração já sabe há muito tempo.

Eu estou completamente apaixonada pelo meu chefe.

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● Conhecendo Alfredo ●

Meu nome é Alfredo Mancini. Tenho 33 anos, 1,80 de altura, sou loiro, tenho olhos azuis, sou advogado e empresário.

Decidi assumir a administração da AF Importes no lugar do meu pai, que prefere aproveitar a vida viajando ao lado da minha mãe, conhecendo diferentes países e desfrutando de uma liberdade que, por enquanto, não posso ter.

Entre uma reunião e outra, vejo-me completamente ocupado com inúmeros trabalhos. Ser o único filho homem da família sempre trouxe muitas responsabilidades para os meus ombros.

Tenho uma irmã chamada Nara, mas, mesmo assim, a responsabilidade de administrar as empresas acabou ficando principalmente comigo.

Além disso, ainda tenho que cuidar das coisas de James, meu melhor amigo, que considero praticamente um irmão.

E esse é outro que me deve inúmeros favores.

Minha vida é praticamente dividida entre reuniões, contratos, empresas e responsabilidades.

Quando o assunto é minha vida pessoal e amorosa, a história é completamente diferente.

Nunca conheci o amor.

Já me relacionei com várias mulheres, mas nunca senti necessidade de transformar nenhum desses relacionamentos em algo sério. Para mim, até então, elas sempre fizeram parte de momentos passageiros, sem qualquer compromisso ou envolvimento emocional.

Gosto de ter o controle das situações, inclusive quando estou entre quatro paredes.

Na intimidade, sou um homem dominante. Gosto de conduzir as coisas do meu jeito, sem deixar espaço para que alguém dite as regras por mim.

Talvez seja justamente por isso que nunca consegui imaginar uma mulher ocupando um espaço permanente na minha vida.

Relacionamentos exigem entrega.

E eu nunca fui bom em entregar nada que pudesse me deixar vulnerável.

Sou extremamente concentrado e dificilmente alguma coisa consegue me tirar do eixo. Para isso acontecer, precisa ser uma situação realmente grave.

Gosto de tudo organizado, sob controle e exatamente como planejei.

Pelo menos, era assim que eu pensava que minha vida continuaria.

Até conhecer alguém capaz de fazer tudo aquilo que eu sempre controlei começar a sair do lugar.

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