Capítulo 5

Peço licença pra ir até o bar pegar algo leve pra beber. Álcool não dá pra mim — só de sentir o cheiro já me dá ânsia. Fico ali do lado do balcão, esperando, mas o barman parece atolado de coisas. Suspiro, dando uma olhada geral nesse clube esquisito. Quase todo mundo tá visivelmente bêbado ou pelo menos meio alto.

"Oi, gata." Um cara me encara com um sorriso bobo.

Engulo seco por conta do bafo de álcool horrível e dou um passinho pro lado, tentando não respirar muito perto.

"Tá com medo de mim, princesa?" Ele solta, esticando a mão como se quisesse me encostar.

"Fica longe de mim, por favor." Peço, meio que em desespero. O mais doido é que ninguém ao redor tá se importando.

"Ah, deixa disso."

"Vai embora, caramba..."

"Você é bonita demais pra ignorar. Quem foi o doido que te fez assim tão perfeita?" Ele murmura tentando se aproximar mais.

"Sininho..." Aquela voz. Aquela voz que eu achava que nunca mais ia ouvir. Viro o rosto pra trás do bêbado chato, e lá estava ele, parado como se o mundo fosse dele. Os olhos dele grudados em mim enquanto se aproxima.

"O que você tá querendo com a minha garota?" O desconhecido dos olhos cinzas solta pro bêbado.

"Nada, cara. Nem sabia que ela era sua."

"Ótimo. Agora some daqui com esse teu bafo." Vejo o bêbado sair quase correndo. Eu mal consigo respirar direito. Meus olhos vão devagar até encontrar os dele, e, como sempre, ele solta aquele meio sorriso safado. Só de estar perto dele já fico sem ar.

O que ele tá fazendo aqui? Achei que não fosse vê-lo nunca mais. E ainda me chama de 'minha garota'? Como assim?

Minhas mãos suadas esfregam instintivamente no meu braço. Tô mais nervosa que nunca. E como se nada tivesse acontecendo, ele tá fumando um cigarro como se fosse a coisa mais normal do mundo. Traga e solta a fumaça pelo nariz. Eu dou um passo pra longe e tossico um pouco — aquele cigarro ainda tá firme entre os dedos dele.

"Foi mal." Ele diz, tirando o cigarro da boca e jogando no chão. Pisa em cima com força até apagar tudo.

"Tudo certo entre a gente?" Ele pergunta, arqueando uma sobrancelha.

Fico só olhando nos olhos dele, sem saber o que dizer. Nem tenho ar nos pulmões ainda. Ele me deixa assim, fora do eixo.

"Você não precisa ficar me encarando assim o tempo todo." Ele comenta, com aquele jeito casual. Desvio o olhar, sem graça, virando pro barman que agora tá parado bem na nossa frente.

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