Capítulo 3 - Rumo ao desconhecido
A vida de Sophia sempre fora previsível, se não totalmente confortável. Ela tinha suas rotinas, suas muralhas cuidadosamente construídas e uma independência feroz que lhe servira bem. Mas depois daquela noite no bar, tudo começou a mudar.
As palavras de Ethan permaneciam em sua mente, assombrando-a como um fantasma que ela não conseguia exorcizar. "Há algo em você que me atrai." O que ele quis dizer com isso? E por que ela não conseguia parar de pensar nele?
Ela tentou se imergir nos estudos, enterrando-se em seus livros de psicologia, na esperança de afogar os pensamentos sobre Ethan com teorias de comportamento humano e processos cognitivos. Mas não importava o quanto tentasse se concentrar, sua mente continuava voltando para ele—para seus olhos, sua voz, a maneira como ele parecia saber algo sobre ela que nem ela mesma sabia.
Sophia sempre fora uma pessoa lógica, alguém que se baseava na razão e nos fatos para navegar pelo mundo. Mas não havia nada de lógico na maneira como ela se sentia quando pensava em Ethan. Era como um quebra-cabeça com peças faltando, algo que não se encaixava, mas ainda assim a atraía, compelindo-a a encontrar as respostas.
Os dias se transformaram em semanas, e ainda assim, Sophia não tinha visto Ethan novamente. Parte dela estava aliviada, mas outra parte—a parte que ela não queria reconhecer—estava desapontada. Ela esperava encontrá-lo novamente, exigir respostas, descobrir por que ele tinha tanto poder sobre ela.
Mas a vida continuava, como sempre. Sophia ia para as aulas, estudava e trabalhava em seus turnos no bar. Na superfície, tudo parecia o mesmo. Mas por dentro, ela sentia uma crescente sensação de inquietação, como a calmaria antes de uma tempestade.
Uma tarde, enquanto caminhava pelo campus, Sophia avistou uma figura familiar à distância. Ethan. Ele estava encostado em uma árvore, com os braços cruzados sobre o peito, observando-a com aquele mesmo olhar intenso. Por um momento, ela considerou dar meia-volta, caminhar na outra direção, fingir que não o tinha visto. Mas algo a deteve.
Em vez disso, ela respirou fundo e caminhou em sua direção, seu coração batendo com uma mistura de antecipação e medo. Quando se aproximou, Ethan se endireitou, um pequeno sorriso surgindo nos cantos de seus lábios.
"Eu estava me perguntando quando te veria de novo," ele disse, sua voz tão suave como sempre.
Sophia cruzou os braços sobre o peito, tentando parecer mais confiante do que se sentia. "Você parece ter o hábito de aparecer quando eu menos espero."
Ethan riu suavemente. "Talvez eu só tenha um bom timing."
Sophia franziu a testa. "Ou talvez você esteja me perseguindo."
Ele ergueu uma sobrancelha, seu sorriso nunca vacilando. "Se eu estivesse te perseguindo, você não precisaria perguntar."
A irritação de Sophia aumentou. "Olha, eu não sei qual é o seu jogo, mas não tenho tempo para isso. Já tenho problemas suficientes sem você aparecer e complicar ainda mais as coisas."
A expressão de Ethan suavizou ligeiramente, e pela primeira vez, Sophia achou ver um traço de algo como arrependimento em seus olhos. "Não estou tentando dificultar as coisas para você, Sophia. Sei que isso parece estranho, mas prometo, não estou aqui para te machucar."
As defesas de Sophia estavam levantadas, e ela não estava disposta a baixá-las só porque ele parecia sincero. "Então por que você está aqui? Por que continua aparecendo? O que você quer de mim?"
Ethan hesitou, como se pesando suas palavras cuidadosamente. "Há coisas sobre mim, sobre nós, que você ainda não entende. Mas você vai entender, em breve."
"Pare de falar em enigmas," Sophia retrucou. "Se você tem algo a dizer, apenas diga."
Ele suspirou, esfregando a nuca como se frustrado por sua própria incapacidade de explicar. "Não é tão simples. Existem... regras, limites que não posso cruzar. Mas posso te dizer isso: você é especial, Sophia. Mais especial do que imagina. E é por isso que estou aqui."
O ceticismo de Sophia voltou a aflorar. "Especial? O que isso significa? E quem disse que você pode decidir isso?"
"Não se trata do que eu decido," Ethan respondeu, sua voz calma, mas firme. "Se trata do que é. Quer você goste ou não, há uma conexão entre nós. Você sente isso, não sente?"
Sophia queria negar, descartar suas palavras como bobagem. Mas a verdade era que ela sentia algo. Desde aquela primeira noite no bar, ela sentia uma atração por ele, algo que não conseguia explicar ou ignorar. Era como se ele fosse uma parte de sua vida que ela não sabia que estava faltando até ele aparecer.
"Eu não sei o que sinto," ela admitiu, sua voz agora mais baixa. "Mas isso não significa que vou simplesmente aceitar seja lá o que isso for. Eu preciso de respostas, Ethan. Respostas reais."
Ethan deu um passo mais perto, seus olhos procurando os dela como se tentasse avaliar o quanto poderia dizer. "Eu gostaria de poder te dar todas as respostas agora, mas algumas coisas você precisa descobrir por conta própria. Mas prometo, estou aqui para te ajudar. Quando chegar a hora, vou explicar tudo."
A frustração de Sophia cresceu. "Você continua dizendo isso, mas não me dá nada com o que trabalhar. Como posso confiar em você se nem ao menos me conta a verdade?"
Ele estendeu a mão, segurando a dela gentilmente. O contato enviou um choque através dela, e por um momento, ela não conseguiu se afastar. "Você está certa," ele disse suavemente. "Estou pedindo que confie em mim sem te dar muito em troca. Mas se você puder aguentar só mais um pouco, vou garantir que você entenda tudo. Só... não me afaste. Ainda não."
A mente de Sophia era um turbilhão de confusão e dúvida. Ela havia passado a vida inteira confiando em si mesma, sem confiar nos outros para cuidar dela. Mas algo no toque de Ethan, na sua voz, fazia com que ela quisesse acreditar nele, mesmo que isso fosse contra todos os seus instintos.
"Eu não sei se posso fazer isso," ela sussurrou, finalmente puxando a mão. "Estou sozinha há tanto tempo... não sei como deixar alguém entrar."
Os olhos de Ethan suavizaram, e havia uma ternura em sua expressão que a surpreendeu. "Não estou pedindo que me deixe entrar completamente. Apenas o suficiente para me dar uma chance de provar que não estou aqui para te machucar. Eu me importo com você, Sophia, mais do que você imagina."
A sinceridade em sua voz cortou suas defesas, e pela primeira vez, ela viu um vislumbre da vulnerabilidade por trás de seu exterior confiante. Era um lado dele que ela não esperava, e isso a fez hesitar.
"Por que você se importa tanto?" ela perguntou, sua voz tremendo ligeiramente. "Você nem me conhece."
"Mas eu conheço," Ethan respondeu, sua voz quase um sussurro. "De maneiras que você não pode imaginar. Você esteve em meus pensamentos muito antes de nos conhecermos, e agora que você está aqui... não posso simplesmente ir embora."
A respiração de Sophia ficou presa na garganta. Suas palavras eram tão intensas, tão cheias de emoção, que ela não sabia como responder. Ela nunca havia sido o objeto de tanta atenção antes, nunca sentira que o mundo de alguém girava ao seu redor. Era avassalador, e isso a assustava mais do que queria admitir.
"Eu preciso de tempo," ela finalmente disse, dando um passo para trás para criar alguma distância entre eles. "Isso tudo é demais, muito rápido."
Ethan assentiu, embora houvesse um lampejo de decepção em seus olhos. "Tome todo o tempo que precisar. Eu não vou a lugar nenhum."
Com isso, ele se virou e foi embora, deixando Sophia ali com o coração acelerado e a mente em turbilhão. Ela o observou ir, parte dela querendo chamá-lo de volta, exigir as respostas que tanto desejava. Mas outra parte dela—a parte que havia sido endurecida por anos de dificuldades e solidão—dizia para ter cuidado, manter distância até saber mais.
Enquanto voltava para seu apartamento, Sophia não conseguia se livrar da sensação de que sua vida estava à beira de algo monumental, algo que mudaria tudo o que ela pensava saber. Ela sempre fora tão segura de si, tão confiante em sua capacidade de lidar com o que quer que viesse. Mas agora, pela primeira vez em muito tempo, ela se sentia incerta, como se estivesse à beira de um precipício sem ideia do que havia abaixo.
Os dias que se seguiram foram preenchidos com uma tensão inquietante, uma sensação de antecipação que a corroía a cada momento acordada. Ela seguia com sua vida—assistindo às aulas, trabalhando no bar, estudando até tarde da noite—mas sua mente estava sempre em outro lugar, relembrando suas conversas com Ethan, tentando entender os sentimentos que ele despertava nela.
Sophia nunca fora de acreditar em destino ou fado. Ela sempre acreditara que as pessoas faziam suas próprias escolhas, moldavam seus próprios futuros. Mas agora, ela não tinha tanta certeza. Havia algo em Ethan, algo na maneira como ele falava com ela, que a fazia questionar tudo o que pensava saber.
A ideia de que sua vida poderia estar conectada a algo maior, algo além de seu controle, era perturbadora. E ainda assim, ela não conseguia se livrar da sensação de que havia mais em sua história do que jamais imaginara.
Mas por mais que Sophia tentasse ignorar, as perguntas continuavam voltando, puxando-a cada vez mais para um mundo do qual ela não tinha certeza se queria fazer parte.
