Capítulo 4 4

Olívia

— Não acha que deveria ir a um médico? — Kim pergunta preocupada andando de um lado para o outro. No entanto, não tenho condições de respondê-la, porque a ânsia não me permite. — Que droga Olívia, algo está se passando dentro da minha cabeça e eu não estou gostando dos meus pensamentos! — Ela respira alto e profundo, se encostando em uma parede e se arrasta por ela, até sentar-se no chão. — Me diga, quando menstruou pela última vez?

Ok, essa foi a pergunta do século e sinceramente eu não entendo por que não me atentei a esse detalhe antes. Quer dizer, eu não tenho uma menstruação regulada com dia e hora marcados para descer. No entanto, ela nunca falha. Seja no início, no meio ou no final do mês ela sempre surge, mas não esse mês.

— Por Deus, Olívia por que você não exigiu que ele usasse a droga da camisinha?! — Minha irmã ralha sem conter o seu desespero e volta a andar dentro do banheiro, onde continuo prostrada, esperando uma nova onda de ânsia de vômito me acometer.

— Estávamos tão afobados com o momento que nem se passou pela minha cabeça...

— Ah claro, vocês estavam afobados! — Ela me interrompe. — E agora, o que vamos fazer?

— Eu não sei, Kim. Só sei que tenho mais um motivo para sair dessa casa e procurar um emprego.

— E quem vai te empregar nessas condições, Olívia, me diz? — Desanimada, a minha irmã volta a se sentar no chão e eu faço o mesmo, me encostando na parede atrás de mim.

O pior é que ela tem razão. Ninguém em sã consciência vai querer me empregar sabendo que estou grávida.

E como farei quando o bebê vir ao mundo?

Céus, eu estraguei tudo! Todos os nossos planos e sonhos estão escapando por entre os meus dedos e eu não sei o que fazer para evitar que isso aconteça.

— O que vamos fazer, Olívia?

— Eu vou dar um jeito, querida. Eu prometo — digo indo para perto dela e a abraço demoradamente.

Os dias seguintes ficaram cada vez mais difíceis para controlar os sintomas dessa gravidez completamente inesperada, pois além dos enjoos, vieram também a fraqueza que roubava todas as forças do meu corpo e a sensação de sono que parecia não querer me largar nunca.

Os dias estavam se passando e consequentemente o meu tempo estava se acabando, e eu já não podia mais esconder essa situação dos olhos perspicazes dos meus pais.

Contudo, não demorou para Edie colocar uma aliança de noivado no meu dedo e todos já estavam falando em casamento.

Droga, eu não consigo mais dormir e me alimentar é quase uma tormenta porque o cheiro da comida me faz enjoar. No meio da noite eu já estava pronta para ir para o quarto quando fiquei tonta e a minha vista escureceu. Nervosa, Kim me segurou como pode e me ajudou a ir para a cama. Entretanto, na manhã seguinte, mesmo desanimada desci para tomar o meu desjejum e estranhamente a minha irmã não estava na mesa. Os meus pais estavam sérios demais e isso era um péssimo sinal.

— Bom dia! — digo forçadamente e desconfiada me acomodo em uma cadeira, sem olhá-los direto nos olhos. — Onde está a Kim?

— Ela foi buscar algo que pedi. — O tom seco da minha mãe não passou despercebido, porém, procurei me concentrar em servir uma xícara de café para mim. — Você está grávida, Olivia? — A indagação surge repentina e de susto erro a borda da porcelana branca.

— Aí, droga! — rosno quando parte do café quente entorna na minha roupa e trêmula, pego um pano para me secar.

— Pensa que não tenho percebido? Os enjoos matinais, a fome excessiva e o excesso de sono? E você nem me pediu para comprar o absorvente desse mês! — Fecho os meus olhos me repreendendo por esse mínimo detalhe. Uma pancada forte na mesa me faz sobressaltar e eu finalmente olho nos olhos dos dois.

— Responda a sua mãe, garota! — Papai ordena e eu engulo em seco.

— E não minta para mim porque eu saberei se estiver mentindo, Olivia Martín! — Respiro fundo talvez tentando ganhar tempo, mas eu bem sei que não terei como escapar dessa conversa.

— Eu estou. — As palavras passam receosas pela minha boca. Papai se põe de pé com um rompante e com medo fico de pé também.

— Por Deus, Olivia, como isso aconteceu?! — Mamãe inquire, porém, estou com os olhos fixos nos movimentos do meu pai, que começa a desafivelar o seu cinto da sua calça. — COMO?! — Ela grita e eu estremeço, afastando-me um pouco mais.

— E-eu não sei.

— COMO NÃO SABE, OLÍVIA? COMO NÃO SABE QUANDO ENGRAVIDOU? POR ONDE VOCÊ ANDOU, COM QUEM?! Oh meu Deus, todos vão falar dessa sua promiscuidade, minha filha! Todos vão nos apontar como pais irresponsáveis. Oh, Deus onde foi que eu errei? ONDE EU ERREI COM VOCÊ, OLÍVIA?! — Seus gritos parecem fazer as paredes da casa estremecerem.

— Mamãe, eu não...

— Não me chame de mãe, sua vagabunda! — Ela rosna em um misto de decepção e raiva, acertando uma tapa forte no meu rosto e depois, uma sequência de tapas que eu procuro evitar, até ela se afastar e chorar copiosamente em um canto de parede. As lágrimas descem quentes no mesmo instante.

— Quem é o pai dessa criança, Olívia? — Papai inquire rudemente e os meus olhos correm agitados para o couro escuro enrolado em uma de suas mãos.

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