Capítulo 5 5
Olívia
— Eu não sei. Papai, por favor!
— NÃO MINTA PARA MIM SUA INSOLENTE! EU QUERO O NOME DESSE DESGRAÇADO, OLÍVIA! Ele terá que ser homem para aceitar o que fez e se casar com você!
— Por Deus, eu não estou mentindo! — rebato em um misto de medo e impertinência. — Eu não sei o nome dele...
— Ora, sua... — Ele ergue o cinturão e eu fecho os olhos esperando o couro estralar na minha pele.
— Papai, não faça isso! — Kim interpele, parando entre ele e eu.
— Kimberly, saia da frente agora!
— Não! Papai, ela está grávida e o senhor não pode bater nela assim!
— Se você não sair daí eu vou bater nas duas! — Ele berra, erguendo o cinto outra vez e novamente fecho os meus olhos esperando pela ardência cortante na minha pele. Contudo, ela não veio e mesmo sem coragem resolvo abri-los. Para a minha surpresa mamãe está segurando no braço do meu pai e esperançosa procuro os seus olhos.
— Quero que saia da minha casa, Olívia.
— Mamãe, por favor...
— Saia da minha casa agora! — Ela ordena com um tom baixo, porém, imperativo. Kim me lança um olhar piedoso. Entretanto, olho para os meus pais em uma súplica muda.
— Por favor, para onde eu irei a essa hora?
— Isso não me importa. Eu não vou acolher uma vagabunda promíscua dentro da minha casa. Quero que arrume as suas coisas e suma daqui!
— Mamãe... — Tento pedir por sua misericórdia, mas ela me dá as costas e a única coisa que sobrou para mim foi o olhar rígido do meu pai.
— Kimberly, vá para o seu quarto.
— Mas, papai...
— MANDEI SUBIR, VÁ AGORA!
— Eu sinto muito, Olívia! — Minha irmã sibila sem emitir som e corre para as escadarias.
— E você, esqueça que tem uma família aqui, porque a partir de hoje você não tem mais um pai e nem uma mãe. Eu estou saindo agora e quando voltar não quero vê-la aqui. — Ele me dá as costas e arrasada, eu volto a me sentar na cadeira, e começo a chorar.
Não foi assim que planejei a minha saída dessa casa. Eu deveria estar trabalhando, ganhando o meu próprio sustento e escolhido uma casa aconchegante para acolher a mim e a minha irmã. No entanto, estou arrumando algumas roupas dentro de uma bolsa e entre lágrimas dolorosas, me despeço da minha irmã.
— Quero que leve isso com você. — Ela me estende um pano colorido como se ele fosse um embrulho.
— O que é?
— São as minhas economias, Olívia. É pouca coisa, mas vai te ajudar.
— Ah não, Kim, eu não posso aceitar isso!
— Por favor, Olívia, leve consigo, você vai precisar, minha irmã. — Ela insiste e emocionada, recebo o pequeno embrulho de suas mãos e volto a abraçá-la. Dessa vez forte e demoradamente, e por fim, olho ao meu redor. Para cada canto desse quarto que guarda boa parte da minha história.
— Eu volto para te buscar — prometo fitando-a com esperança de conseguir vencer lá fora.
— E eu estarei esperando por você bem aqui. — Faço um sim com a cabeça e forço um sorriso para ela.
— Eu te amo, não esqueça disso.
— Também te amo, Olívia, mas você precisa ir antes que eles...
— Eu sei, eu sei. — Respiro fundo. — Eu não sei como, Kim, mas vou conseguir vencer por mim, por nós duas.
Não pensei que seria tão difícil sair, mas é.
De qualquer forma eu nasci nessa casa e me criei nela também. E tenho muitas, muitas lembranças nesse lugar. Do lado de fora, olho para os lados da rua sem saber para onde ir realmente e quando começo a caminhar pela calçada, decido ir até o Edie e pedir-lhe que me ajude.
— Eu só preciso de um quarto por alguns dias. Preciso procurar um emprego e um lugar seguro para ficar. — Ele bufa audivelmente.
— Eu não posso, Olívia. O seu pai me destruiria se fizesse isso.
— Edie, por favor, prometo que será alguns dias apenas. E ele não precisa ficar sabendo. — O rapaz força um sorriso.
— Você o conhece mais do que ninguém, Olivia. O seu pai me deixaria sem clientes do dia para noite. Você sabe da influência dele sobre todos aqui. — Apenas confirmo balançando a cabeça.
— Tudo bem! — Largo a bolsa no chão para retirar do meu dedo o anel que me deu há alguns dias. — Isso lhe pertence. Eu nunca seria uma boa esposa para você, Edie. Não nunca me encaixaria nesse padrão idiota que vocês insistem em manter nessa cidade.
— Olivia, eu...
— Até um dia, Edie!
