Capítulo 6 6

Olívia

— Olivia? Querida, o que está fazendo aqui? — Pois é, a minha única solução nesse momento foi atravessar a cidade e recorrer a única pessoa que poderia me acolher nesse momento. Tia Ju. A minha reação nesse instante foi de correr para os seus braços e de chorar por longos minutos, enquanto ela tentava me acalmar, e arrancar de mim tudo que precisava saber, mas era praticamente impossível.

— Tome, querida, beba. Isso vai te acalmar. — Ela me estende uma xícara de chá que eu bebo calmamente e logo o meu corpo agitado sente o efeito tranquilizante do líquido morno e adocicado. — Me conte o que aconteceu, Olivia? — Respiro fundo e penso por onde começar toda essa história.

— Eu estou grávida, tia.

— Santo Deus! — Ela resmunga com um resfolegar.

— E o papai me expulsou de casa.

— É claro que aquele ogro dos infernos fez isso! — Irritada, ela se levanta do sofá e anda pela sala.

— Eu preciso de um lugar para ficar só até conseguir um empreg...

— Você ficará comigo essa noite, Olívia. — Engulo em seco quando ela me interrompe. — Se o seu pai souber que você está aqui comigo, ele não nos deixará em paz.

— Tia...

— Escute, querida, eu quero que tome um banho morno agora. Isso irá ajudá-la a relaxar um pouco. Depois, vamos comer algo e eu quero de durma. Quando acordar a levarei para o sul.

— Para o sul? O que tem lá no Sul?

— Uma grande amiga em quem confio a minha própria vida. Ela vai cuidar de vocês por mim. — Deus, como é bom ouvir essas palavras! Por um instante pensei que estaria sozinha outra vez. Emocionada, volto a abraçá-la.

— Obrigada, tia! Eu tenho algumas economias e prometo arrumar um emprego logo...

— Nada disso, mocinha. Deixe tudo comigo. Eu sempre quis cuidar de você e da Kim. Deus sabe o quanto quis livrar vocês daqueles lunáticos, mas o seu pai me expulsou de casa quando bati de frente com ele. Agora você está bem aqui. — Sorrio. — Agora vá fazer o que te pedi. Eu vou pedir para prepararem um quarto para você. — Tia Ju deixa um beijo cálido no meu rosto e se afasta. Só então percebo a elegância desse lugar e o quão a sua casa é grande e luxuosa.

— Senhorita, pode vir comigo? — Uma empregada pede seguindo para uma escadaria de mármore branco e com alguns detalhes dourados, e eu me pergunto como ela conseguiu chegar até aqui.

Dentro de um quarto de hóspedes não consigo me concentrar no quanto ele é espaçoso, nem mesmo na elegância dos seus móveis, ou na cama grande e macia no seu centro, pois as lágrimas voltaram e as palavras que ouvi da minha mãe me deixaram em desespero.

Uma vagabunda, ela disse.

Céus, eu me perdi em algum momento, fiz a pior loucura da minha vida e destruí todas as oportunidades que eu poderia ter. Kim. Oh Deus, ela deve estar em lágrimas dentro do nosso quarto agora e sozinha, e eu não posso confortá-la como sempre fez comigo.

— Oh, querida, você está aí. — A voz de tia Ju preenche o cómodo, mas eu não consigo parar de chorar. Portanto, ela se senta na cama e eu deito a minha cabeça na sua perna. — Olívia, você não está mais sozinha. — Ela diz mexendo nos meus cabelos. — Tem um ser humaninho crescendo aí dentro de você e é nele que você tem que pensar agora, querida.

— A Kim, ela ficou lá...

— Eu sei, eu sei. Tudo ao seu tempo, certo? Primeiro eu preciso cuidar de você e depois, veremos como ajudar a sua irmã.

— Eu deveria tê-la protegido.

— Os seus pais são como chicletes derretidos na calçada. Quanto mais lutamos para nos livrar deles, mais eles grudam em nós. Você é só uma garota sonhadora lutando pela sua liberdade. Não tem experiência alguma com pessoas como eles, mas veja o lado bom disso tudo.

— Não consigo ver um lado bom, tia Ju.

— Você saiu de casa, Olívia. Vai ter o seu filho e quando estiver tudo bem poderá ajudá-la. — Meneio a cabeça fazendo não.

— Não posso demorar tanto assim.

— Infelizmente não podemos abraçar o mundo e resolver tudo ao mesmo tempo, Olívia. E eles são os pais dela, não há nada que possamos fazer. Kimberly é maior de idade, embora os seus pais não aceitem isso. Ela também pode se libertar se quiser.

— Não é tão fácil.

— E quem disse que o preço da liberdade é fácil? — bufo contrariada, saindo da cama.

O pior é que ela está certa. Vivemos tão sufocadas dentro daquela casa que não percebemos isso. Somos adultas, embora eles não aceitem e por que permitimos que nos façam suas prisioneiras? Por que simplesmente não saímos de lá?

Eu respondo.

Éramos dependentes financeiramente e sem qualquer experiência de trabalho. Por isso tomei a decisão de fazer um curso as escondidas.

Céus, faltava tão pouco!

— Tome um banho, Olivia e vamos comer algo na varanda. O dia está lindo lá fora.

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