Capítulo 7 7

Olívia

— Bom dia, senhor Mazza!

Escuto Barbara dizer para o seu chefe assim que as portas do elevador se abrem. Curiosa, tiro os olhos de cima do arquivo e me viro. Quem sabe dessa vez consigo ver a face do meu futuro chefe?

Devo dizer que o seu olhar rígido é realmente impactante. A barba cerrada que adorna o maxilar quadrado faz um contraste exacerbado com o semblante extremamente fechado, e as sobrancelhas grossas e firmes indicam que ele não parece nem um pouco paciente esta manhã. Ou esse seria o seu normal? Afinal, os funcionários que estavam trabalhando relaxadamente de repente se transformaram em robôs e enfiaram as caras nas pilhas de papéis sobre suas mesas.

— Bom dia! Barbara, pode me trazer um comprimido para dor de cabeça e um pouco de água?

A voz imponente que surgiu logo em seguida misturou-se a uma voz dentro da minha cabeça.

… O que você acha de sairmos desse barulho?

— Não é possível! — sibilo, sentindo o coração frear bruscamente dentro do peito.

… Me desculpe, mas eu gostei de você e só queria poder tocá-la mais… intimamente.

— Não pode ser ele!

Chego a sentir um gelo se alastrar dentro do meu corpo e absorver qualquer sombra de segurança. A figura masculina vestida com o terno caríssimo entra na sua sala e só então tenho a reação de me mexer do meu lugar. Agitada, pego o celular no bolso traseiro da calça e vou imediatamente para a copa da empresa. No curto trajeto, ligo para Anne.

… Eu prometo que você vai gostar muito!

— Atende, por favor! Atende! — rogo, trêmula, e seguro as lágrimas de desespero.

— Olívia, já fez a entrevista, querida? Me conte como foi? — ela pede com uma empolgação sufocada, talvez devido ao horário de trabalho na empresa.

No entanto, respiro fundo algumas vezes.

— Olivia?

— Ele está aqui, Anne. — É tudo o que consigo dizer em meio à agonia.

— Ele quem, querida?

— Athos Mazza.

— Ah, é claro que ele está. Ele é o dono da empresa. Por que não estaria aí? E não é ele quem ia fazer a sua entrevista? Olívia, querida, eu sei que você está nervosa, mas…

— Você não está entendendo, Anne — interrompo e olho para a entrada, para ter a certeza de que estou sozinha.

— Olivia, o que está acontecendo, querida?

— Lembra do homem da boate? O senhor Mazza é ele.

— Não pode ser! Está falando sério?

Ela segura um grito e, após respirar fundo, continua:

— Ok, Olívia, mantenha a calma, querida. Respire fundo e me diga: ele te reconheceu?

Puxo mais uma respiração e fecho os olhos por alguns segundos.

— Eu… não sei. Eu… acho que ele não viu… ainda.

— Ótimo, então se acalme! Talvez ele não se lembre de você. Afinal, foi uma noite casual, certo? Que homem lembraria da mulher que levou para a cama de um quarto de hotel há um ano?

— Eu sei, é que… — puxo outra respiração. — Ah, talvez você tenha razão.

— Isso. Agora aproveite que está aí na copa e beba um café forte, bem quente e doce. Isso irá acalmá-la. Só tente relaxar e, se ele lembrar, você pode negar, não é? Diga que ele se enganou, que não era você, e pronto!

— Anne, ele não pode saber sobre os meus filhos. Esse homem é… poderoso demais e ele pode tirá-los de mim.

— OK, faça o seguinte: procure a Barbara e diga que não está se sentindo bem. Peça para ela adiar essa entrevista e venha se encontrar comigo.

— Está bem. Obrigada, Anne!

Encerro a ligação e, com as mãos trêmulas, ligo a cafeteira, esperando impacientemente pelo curto processo da máquina. Após encher a xícara, saio exasperada à procura de Barbara pelo escritório. No entanto, estou nervosa demais e esse fato está me deixando completamente desnorteada.

Contudo, no meio da minha letargia alguém esbarra fortemente em mim e o líquido quente vira, deixando uma mancha exagerada em uma camisa branca.

— Oh, meu Deus, me desculpe! — peço sofregamente, com os olhos fixos no caos que acabei de causar.

— Quem é você?!

Sua voz sai como um trovão horrendo, rasgando os céus, fazendo-me estremecer inteira. E mesmo com medo, atrevo-me a erguer o olhar e encontro um par de olhos estupidamente furiosos.

— S-senhor Mazza, eu…

— Olha o que você fez, garota estúpida! — ele brada outra vez.

— E-eu não… me… desculpe, eu…

— Quem. É. Você?!

Mazza volta a rugir, dessa vez pausadamente, e, por mais que eu queira responder, as palavras fugiram da minha boca.

— Alguém pode me dizer quem é essa maluca e o que ela está fazendo aqui na minha empresa?! — ele berra tão alto que as paredes parecem tremer.

— Me desculpe, senhor Mazza! Essa é a senhorita Martin, ela é a estagiária…

— Não é mais!

— O quê?! — exaspero.

— Senhor Mazza, a Olívia é a melhor que encontramos até agora…

— Demita-a agora, Barbara! — esbraveja e, dessa vez, tenta se afastar.

— Quem você pensa que é?! — brado de volta, fazendo-o parar.

Que droga, Olívia, o que deu em você? Acaso enlouqueceu, garota? — minha consciência grita.

— Como é que é? — Athos Mazza rosna, voltando para perto de mim.

Diante da sua estatura sinto-me minúscula e o seu olhar parece querer derreter-me. No entanto, estou com raiva. Estou com tanta raiva que o meu olhar resolve enfrentar o seu.

— Você quer saber quem eu realmente sou?

Sorrio com sarcasmo, mesmo de boca fechada.

— Não, eu sei exatamente quem é você, Athos Mazza!

— Ah, você sabe? Que bom que você sabe! Agora desapareça da minha frente!

Seu olhar rígido de alguma forma se torna ainda mais duro, porém ele não me faz recuar.

— Você é um homem arrogante, extremamente mal-educado, estúpido e grosseiro!

— O que disse, garota petulante?! — ele rosna, dando mais um passo.

Contudo, eu não recuo.

— Oooh! — os funcionários sibilam baixo e surpresos, e logo os burburinhos preenchem o lugar.

— Quem você pensa que é para falar assim comigo, sua garota insolente?!

— Eu sei exatamente quem eu não serei, senhor Mazza. Eu não serei a secretária de um homem mal-amado como você!

— Olívia?! — Barbara tenta me repreender, mas eu bufo alto.

— E não precisa me demitir, senhor Mazza, porque sou eu quem se recusa a trabalhar para um ser desprezível como o senhor! — digo e me afasto logo em seguida.

— O QUE ESTÃO OLHANDO, BANDO DE IMBECIS? VOLTEM PARA O TRABALHO! — o escuto gritar à medida que ando com passos largos pelo corredor. — Eu vou trocar de roupa. Barbara, não quero ver aquela garota pisando aqui outra vez. Está me ouvindo?!

Ele brada e as portas do elevador se fecham.


À noite…

— Você disse isso para ele, menina? — Victória ralha, entregando-se a mais uma crise de risos.

Contudo, tanto a Anne quanto eu permanecemos sérias.

— Eu disse que aquele homem era um demônio, não disse?

— Mamãe, por favor! Olívia, e agora?

Dou de ombros.

— O que você acha? Vou procurar emprego em outro lugar.

— Pelo que ouvi falar do tal Mazza, ele não vai permitir que você trabalhe mais por aqui. Empresa nenhuma vai querer contratar a garota que pôs Athos Mazza no chinelo — Victória volta a rir.

— Mamãe, a senhora não sabe…

— Ele fez isso várias vezes, Anne. A Olívia não é a primeira e nem será a última, querida.

— Ele não é muito diferente do meu pai — comento, e ambas me lançam olhares de piedade. — Como eles têm uma cidade inteira em suas mãos?! Como pode ser isso?!

— Eu sinto muito, amiga!

Respiro fundo.

— Eu estou cansada. Acho que vou dormir um pouco e amanhã pensarei em algo — falo, saindo da mesa imediatamente.

— Mas você não comeu nada! — Victória ralha, porém eu não paro.

E, com os olhos queimando pelas lágrimas que querem se derramar, fecho a porta do quarto e encaro os meus filhos dormindo tranquilamente em seus berços.

— Eu não vou permitir que homens como você ditem a minha vida outra vez — rosno baixinho, sentindo-as se derramar pelo rosto em seguida. — Dessa vez não vou me calar. Eu vou gritar se preciso for, mas farei as coisas do meu jeito, ou não me chamarei Olívia Martin!

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