Capítulo 1
“Porra... Rachel... eu vou—”
Jason desabou em cima de mim, os quadris dando solavancos mais rápidos e mais desajeitados.
Eu enrosquei as pernas na cintura dele, as unhas cravando nas costas. “Não para... aí...”
Mas ele não estava ouvindo.
“Merda... não consigo...” Ele socou uma última vez e, então, virou peso morto, me esmagando como um monte de roupa molhada.
Porra. De novo.
Fiquei encarando o teto. Um líquido quente encheu a camisinha enquanto aquela ardência entre as minhas pernas — em vez de diminuir — se intensificava.
“Amor... isso foi incrível...” Jason arfou no meu pescoço.
Eu empurrei ele para o lado. “Sai de cima.”
Ele rolou, tirou a camisinha e jogou na mesinha de cabeceira, se esparramando com aquela cara presunçosa de “eu sou incrível pra caralho” estampada no rosto.
Eu me sentei. Molhada entre as coxas, mas aquele vazio oco me dava vontade de socar alguma coisa.
Menos de dez minutos. De novo. Só ligava pra gozar. De novo.
“Jason”, virei para encará-lo, “acabou.”
“O quê?” Os olhos dele se arregalaram. “Você tá falando sério pra caralho?”
“Eu tenho cara de que tô brincando?” Saí da cama, andando nua em direção ao banheiro.
“Rachel!” Jason pulou de pé, o pau ainda meio mole, balançando. “A gente acabou de transar! Você tá terminando comigo agora?”
“Sim, porque você ‘acabou de transar’.” Encostei no batente da porta do banheiro, os olhos descendo até a virilha dele. “Oito minutos, Jason. Da penetração à ejaculação. Oito minutos.”
O rosto dele ficou vermelho-cereja. “Eu fiz hora extra até meia-noite! Você podia pelo menos—”
“Ser compreensiva?” Eu ri, fria. “Eu venho sendo compreensiva há três meses. ‘Tô cansado hoje’ ‘Reunião cedo amanhã’ ‘Semana estressante’.” Comecei a juntar minhas roupas do chão. “Aí quando a gente finalmente faz, você pula as preliminares e goza em menos de dez enfiadas?”
“Você é uma—” Jason tremia de raiva.
“Eu sou o quê?” Vesti meu vestido, fechei o sutiã, peguei minha bolsa. “Eu tenho libido alta? Exijo demais?” Dei um sorriso perfeito. “Então você devia ficar grato por eu estar te liberando. Porque, sinceramente, querido—”
Meu olhar caiu de novo no pau patético e murcho dele.
“—você nem chega perto de me satisfazer.”
“Sua puta—”
A porta bateu antes que ele terminasse.
Fui até o elevador e apertei o botão. As portas abriram. Entrei e me apoiei na parede espelhada.
O reflexo mostrava cabelo bagunçado, batom borrado, vestido amassado. A pior parte? Eu ainda estava molhada entre as pernas, aquela fome insatisfeita queimando no baixo-ventre como brasa.
Porra, que merda.
O elevador parou no saguão. Atravessei a entrada do hotel. Um grupo de homens de terno passou; um deles encarou um segundo a mais do que devia. Ergui uma sobrancelha para ele. Ele desviou o olhar na hora.
Patético.
No táxi para casa, eu afundei no banco de trás. A umidade entre minhas coxas me lembrava que esta noite tinha sido outro fracasso espetacular. Do lado de fora, luzes de néon tremeluziam sobre casais andando de mãos dadas. Irritante.
De volta ao meu apartamento, joguei a bolsa no hall, chutei os saltos e desabei no sofá.
Segundo cara este mês que “não aguentou”. Semana passada, o Mark disse “Rachel, você é demais” e depois me bloqueou.
Ah, por favor. Três, quatro vezes por semana é demais? Eles é que são fracos.
Peguei o celular e rolei a tela, irritada.
Homens modernos tinham a validade do leite. Conversa sem graça, zero fôlego, peixe morto na cama.
Eu precisava de sangue novo. Algo empolgante, selvagem, que acelerasse o coração.
Foi quando um anúncio de um aplicativo preto e dourado apareceu na minha tela — MythosMatch: Encontre Sua Alma Gêmea do Vínculo do Destino.
A interface parecia de alto padrão, nada daqueles perfis engordurados de selfie. Só totens artísticos e um slogan: “Para os poucos excepcionais. Apenas experiências extraordinárias.”
“Interessante.” Ergui uma sobrancelha e toquei em baixar. Pelo menos eu matava o tempo e via que lixo isso ia me combinar.
O cadastro foi simples — só um escaneamento de impressão digital. Quando meu dedo tocou a tela, um pulso elétrico fraco subiu pelo meu braço. A tela floresceu num mandala verde brilhante.
[Par Encontrado: Elandil. Distância: 0,5 km]
Uma foto de perfil apareceu.
Caralho.
Cabelo prateado, olhos verde-esmeralda profundos, camisa de seda branca aberta até o terceiro botão, clavículas afiadas o bastante pra matar. Elegante e frio, mas irradiando uma energia de “me destrói”.
Toquei em [Dizer oi]: “Oi, lindo, sozinho hoje à noite?”
Resposta instantânea: “Estou no bar lá embaixo, perto de você. Se tiver interesse, desça pra tomar um drink.”
Direto ao ponto. Gostei.
Trinta minutos depois, encontrei Elandil num box de canto mal iluminado.
Ele era mais alto do que na foto — mais de um metro e noventa. Quando me olhou, um cheiro de cedro frio e orvalho da manhã atravessou a névoa alcoólica do bar.
“Rachel?” A voz dele era baixa, quase etérea.
“Sou eu.” Deslizei para o lado dele, minha coxa roçando na calça social. O calor atravessou o tecido. Senti os músculos dele se retesarem na hora.
Dois drinks depois, paramos de fingir.
“Sua casa ou a minha?”, perguntei, direta.
“A sua.” A mão dele já estava na minha cintura. “É mais perto.”
Saímos do bar e fomos direto para o meu prédio.
As portas do elevador se fecharam. Ele me prensou contra a parede espelhada.
O beijo dele foi feroz — a língua forçando passagem entre os meus dentes, tomando minha boca sem pedir permissão. Enlacei os braços no pescoço dele, mordi de volta com a mesma força. Dois predadores devorando um ao outro.
A mão dele subiu pelo meu vestido, a palma ardendo de quente, pressionando direto a minha calcinha de renda — ainda molhada.
“Porra…”, eu arfai, quadris se esfregando instintivamente na palma dele.
“Já está molhada.” Ele murmurou no meu ouvido, os dedos roçando por cima do tecido fino. “Por causa de antes?”
“Isso importa?” Eu ofeguei, esfregando com mais força contra a mão dele.
O elevador apitou. A gente praticamente caiu dentro do meu apartamento.
Roupas se espalharam da entrada até o quarto. Arranquei dois botões da camisa dele. Ele arrebentou o zíper lateral do meu vestido.
Quando desabamos na cama, eu não usava nada além de uma calcinha preta de renda encharcada.
Elandil se ajoelhou entre as minhas pernas, dedos longos fisgando o cós, puxando-a para baixo devagar. O tecido raspou na parte interna das minhas coxas, mandando arrepios pela minha espinha.
“Abre.” A voz dele era baixa, mandona.
Eu obedeci.
Sem aviso, os dedos dele mergulharam dentro de mim. Dois. Indo direto ao ponto mais fundo.
“Ai—” Eu arqueei com força, punhos agarrando os lençóis.
“Tão apertada.” Ele começou a se mover, os dedos entrando e saindo, cada investida acertando aquele lugar que me fazia ver estrelas. “E tão molhada pra caralho.”
“Porra… não para…” Minha voz tremeu.
Ele não parou. Mais rápido e mais rápido, a outra mão pressionando meu baixo-ventre enquanto o polegar fazia círculos naquele botão inchado e sensível.
O prazer me atravessou como eletricidade. Mordi o lábio, tentando não gritar.
Bem quando eu estava chegando no limite, ele tirou os dedos.
“Mas que porra—” Eu encarei ele, desesperada e furiosa.
“Ainda não.” Ele lambeu os dedos até ficarem limpos, olhos esmeralda brilhando perigosamente no escuro. “Eu quero sentir você gozar em volta de mim.”
Aí ele tirou a calça.
Porra.
Ele era enorme. Grosso, comprido, a ponta já brilhando.
“Pronta?” Ele se posicionou na minha entrada, roçando ali, sem entrar ainda.
“Para de provocar—” Antes de eu terminar, ele meteu de uma vez.
“Porra!” Eu gritei.
Grande demais, fundo demais, esticando até ficar impossivelmente cheia, quase me partindo ao meio.
Elandil não me deu tempo de me acostumar. Começou a meter na hora. Os quadris dele batiam nos meus, cada impulso acertando o ponto mais fundo, me empurrando pela cama.
“Fundo demais… ai… devagar…” Eu arranhei os braços dele, as unhas abrindo a pele.
“Você aguenta.” Ele segurou minha cintura, me puxando para ele. “Você queria mais, não queria?”
Ele tinha razão.
Eu queria mais.
O ritmo dele acelerou, mais forte, mais bruto. A estrutura da cama rangeu violentamente. Meus gemidos ficaram mais altos — não me importei se os vizinhos ouvissem.
“Aí… isso… sim… porra, isso…” Enlacei os braços no pescoço dele, as pernas travando na cintura dele, deixando ele ir mais fundo.
Ele enterrou o rosto no meu pescoço, o bafo quente se espalhando pela minha pele. O cabelo prateado caiu, roçando no meu rosto, trazendo aquele cheiro de cedro, intoxicante.
“Você é gostosa demais…” A voz dele saiu rouca. “Perfeita pra caralho…”
O prazer foi se acumulando em ondas. Aquela tensão familiar se enrolou apertada no meu baixo-ventre.
“Eu tô quase… não para… por favor, não para…” Minha voz virou súplica.
“Goza pra mim.” Ele meteu mais rápido, uma mão alcançando entre nós, o polegar pressionando com força aquele botão inchado, esfregando.
Aquilo foi o suficiente.
O orgasmo veio como um tsunami, afogando todos os sentidos. Eu gritei, o corpo convulsionando, contraindo ritmicamente em volta dele, ainda socando dentro de mim.
A visão embaçou. Os ouvidos zumbiram. O mundo girou.
Naquele momento enevoado, na beira da consciência, eu vislumbrei alguma coisa.
O perfil dele enterrado no meu pescoço. O cabelo prateado caindo para trás, revelando o contorno. E aquela forma escondida no meio do cabelo…
