Capítulo 1 1

Nenhuma nuvem é mais intensa do que a tempestade que nasce quando o amor deixa de ser abrigo e passa a ser dor.

Há sentimentos que parecem verdadeiros até o momento em que começam a ser questionados. Há palavras bonitas que escondem mentiras, promessas feitas por impulso e beijos que nunca carregaram o desejo que deveriam carregar.

Depois de entregar o coração a alguém que parecia ser sua certeza, uma pessoa se vê presa em uma relação onde amar significa esperar, perdoar e aceitar migalhas. Aos poucos, percebe que talvez nunca tenha sido a escolha principal, mas apenas o espaço deixado por alguém que ainda ocupa um lugar invisível naquela história.

O pior não é descobrir que o amor pode não ser correspondido. É perceber que, enquanto lutava para salvar a relação, estava lentamente perdendo a si mesma.

Entre noites mal dormidas, palavras não ditas, ciúmes, segredos e uma paixão impossível de ignorar, surge uma pergunta que pode mudar tudo: até onde alguém deve ir para ser amado?

Porque amar demais nunca deveria ser um crime. Mas aceitar qualquer coisa apenas para não perder alguém pode custar muito mais caro.

Quando a verdade finalmente vier à tona, será preciso escolher entre continuar sendo o conforto de alguém ou ter coragem de se tornar a própria prioridade.

E, talvez, a maior história de amor não seja aquela em que duas pessoas permanecem juntas.

Talvez seja aquela em que alguém finalmente aprende a não se abandonar por ninguém.

A história começa em uma noite de chuva intensa, quando tudo parece combinar com o caos que existe dentro de quem ama.

Depois de uma discussão aparentemente comum, uma porta se fecha e deixa para trás um relacionamento que, por fora, ainda parece perfeito. Para quem observa de longe, existe carinho, intimidade e uma história construída com tempo suficiente para convencer qualquer pessoa de que aquele amor é verdadeiro.

Mas, dentro daquela casa, as coisas são diferentes.

Há silêncios longos demais depois dos beijos. Há mensagens apagadas antes que possam ser vistas. Há desculpas que já perderam o sentido e um celular que passou a ser protegido como se escondesse uma segunda vida.

A princípio, a desconfiança é ignorada.

Afinal, amar também significa confiar.

Ou pelo menos é isso que se tenta acreditar.

Durante os primeiros dias, a rotina continua normalmente. Os mesmos cafés, as mesmas conversas, os mesmos abraços antes de dormir. Porém, pequenos detalhes começam a revelar aquilo que ninguém quer enxergar.

Um olhar que se perde ao mencionar determinado assunto.

Uma mudança repentina de comportamento.

Um encontro que deveria ter sido apenas casual.

E, principalmente, a sensação incômoda de que existe alguém ocupando um espaço naquela relação que nunca deveria ter existido.

A verdade começa a surgir aos poucos, não através de uma grande descoberta, mas por pequenas contradições. Cada uma delas destrói um pouco da confiança construída durante tanto tempo.

Então acontece o primeiro grande choque.

Uma mensagem aparece no momento errado.

Não é uma declaração explícita, mas é íntima demais para ser considerada inocente. Palavras que deveriam pertencer somente a duas pessoas apaixonadas revelam que existe uma terceira presença naquela história.

A partir daquele instante, tudo muda.

Em vez de confrontar imediatamente, surge a necessidade de descobrir até onde aquela mentira vai. E quanto mais se procura, mais perguntas aparecem.

Será que todo aquele amor foi verdadeiro?

Será que os "eu te amo" realmente significaram alguma coisa?

Ou será que, durante todo esse tempo, alguém estava apenas tentando preencher o vazio deixado por outra pessoa?

A investigação silenciosa transforma o relacionamento em um campo de batalha emocional. Cada gesto passa a ser analisado, cada atraso ganha um significado e cada beijo deixa de trazer segurança.

E, no meio dessa tempestade, nasce a percepção mais dolorosa de todas:

Talvez o problema nunca tenha sido amar demais.

Talvez o problema tenha sido aceitar tão pouco enquanto acreditava estar recebendo tudo.

A partir daí, a história deixa de ser apenas sobre descobrir uma possível traição. Torna-se uma jornada sobre dignidade, escolhas, dependência emocional e a coragem necessária para abandonar aquilo que ainda se ama quando permanecer começa a destruir quem se é.

🖤 Janeiro de 2019 🖤

- E é isso, to decidido! - Lúcio terminava de desabafar com seu amigo Baekhyung em seu escritório naquela manhã. - É minha resolução de ano novo, e eu vou realizar.

O amigo coçava a nuca - Mas... pagar pra ter um filho Lúcio? Porque você só....se envolve com um ômega e tem uma filho...

- Porque quero esse filho pra mim! Se eu me envolver com um ômega esse ômega vai querer o filho tambem! Baek... - ele suspirou -

Esse é o maior sonho da minha vida, não eu certo com o YoungJae, ele não queria ter filhos, não quero passar por outro divórcio...

- Mas então porque não adota?

- Eu vou, mas também quero ter uma criança com meu dna correndo por ai, poxa é muito errado mesmo isso?

Baek olhou o desespero do amigo. Sabia do sonho que ele tinha há anos, desde adolescente...mas também se preocupava com ele - Mas... como você vai encontrar alguém que não vai querer a criança depois?

- Ainda não sei... mas to conversando com meu advogado, e estamos fazendo todos os papéis e contratos, ele vai ter que assinar tudo antes se concordar. Não vai ter direito nenhum a criança depois que nascer. E claro que eu vou dar a melhor gravidez que poderia, afinal sou milionário.

- E quanto tu ta querendo pagar pra isso?

- Eu e meu advogado pensamos em um milhão.

- Um mi... porra, se eu fosse ômega eu assinaria agora!Lúcio riu - Acha que alguém vai aceitar então?

- Alguém muito desesperado vai aceitar, acredite. Tem gente doida pra tudo nesse mundo.

-Juan estava completamente desesperado. Estava quase sendo despejado do muquifo onde vivia, já estava devendo quase 6 meses de aluguel. Sua profissão como tatuador não estava tendo muito sucesso já que era uma profissão arriscada na Coreia. Suas dividas se empilhavam e ele não sabia mais o que fazer. Estava desesperado, muito!

- Cara, eu te pago um café, senta ai - Mark bateu nas costas do amigo que se sentou na cafeteria onde se encontraram.-Tu ta com a cara péssima....

- Eu to péssimo,merda - disse chutando o nada com suas botas pesadas.

-Ainda sem conseguir emprego?

Juan assentiu - Com essas tatuagens ninguém contrata, e eu como tatuador ta foda... os estudios estão todos trabalhando as escondidas, só tiro uns trocados pra passar a semana...Mark era amigo de Juan desde a faculdade, quando o mesmo desistiu no meio dela porque não queria viver engravatado. Agora, ele tentava o ajudar como podia.

- Eaiiii - ouviram a voz de Baekhyung que chegou na cafeteria, era amigo de Mark, mas não conhecia Juan.

- Baek, quanto tempo, senta ai, esse é meu amigo Juan.Juan, esse é Baekhyun, ele trabalha nas empresas Min.

- Falando na empresa, meu patrão ta doido. - ele riu pedindo um café.

- Doido? Ainda aquela historia do filho?

- Ele ta obcecado! Eu conheço ele há anos, mas nunca achei que ele chegaria a esse ponto...

- Que ponto?

- Pagar alguém pra ser barriga de aluguel pra ele.Juan, que nao prestava atenção na história, de repente virou os olhos para os dois.Mark riu. - E onde ele vai achar um doido pra isso? Porque ele não tem no modo convencional?

- Ele diz que quer o bebe só pra ele, e que se fizer do modo convencional o ômega vai se apegar e enfim, ele ta certo.

- Por inseminação? - Juan perguntou pela primeira vez.

- Provavelmente sim. - Baek deu de ombros.

- E ele vai achar um doido, tenho certeza - Mark falou.Eles riram e depois foram embora. Chegando em seu apartamento no subúrbio, Juan mascava um chiclete e pensava. Nunca quis ter filhos, odiava ter nascido ômega. Não era de sua personalidade ser carinhoso ou atencioso. E bem, o que eram nove meses? Ele não teria contato com o cara que com certeza era um velho asqueroso, teria o bebê e o dinheiro na conta, quem sabe fosse uns 50 mil? Sanaria todas suas dividas e ele poderia ir embora viver em outro país.Não conseguiu dormir a noite, pensando que, sera que teria sido coincidência aquela conversa ter chegado a até ele?

Ligou para Mark "Juan, diga"

- Me passe o telefone daquele seu amigo de ontem, o da cafeteria."O Baek? Espera to te mandando por mensagem, mas o que..."-

Obrigado - e desligou. Logo a mensagem com o numero do tal Baek chegou e Juan discou.-- Baek, atende logo esse telefone, ta me dando nos nervos - Lúcio falou enquanto digitava no notebook.

- É número desconhecido, alo?....sim é ele.... sim me lembro sim... sobre... - ele levantou os olhos pra Lúcio - eu... garoto isso é um piada?bufou - espera, eu te retorno.

Discou outro numero e andou pela sala, ficando mais longe - Mark? Porque diabos aquele seu amigo Juan ta me ligando dizendo que quer ter o filho do meu patrão?

"O que? Entao era por isso que ele queria seu numero... ele falou isso?"

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