Capítulo 2 2

- Falou - disse mais sussurrado no telefone - Falou que odeia crianças, que não vai querer contato depois, disse que precisa do dinheiro, esse garoto é louco?

"Ele realmente precisa do dinheiro Baek, mas não achei que ele estaria tão desesperado... ele é um cara bom,fora essa pose de badboy, e eu nem vou dizer nada porque capaz do Juan ja ta ai, ele sempre age mais com a emoção.

- Merda... - desligou - Lúcio eu preciso... ir la embaixo um pouco, ja volto.

O Min nem respondeu, Baek desceu os andares do predio ate chegar na entrada e realmente encontrou o outro ali. Aquele cara realmente era estranho. Cabelos pretos, uma jaqueta de couro pesada, calças rasgadas e botas, uma mochila nas costas...

- Era você mesmo que eu queria ver! - ele falou já se aproximando.

- Cara... eu falei aquelas coisas, mas não devia ter dito nada, se meu patrão fica sabendo...

- Eu quero, eu quero ter esse filho dele, eu to falando sério!

- Você ta desesperado, as coisas nao são assim...

- São sim! Eu to com a corda no pescoço, eu não ligo pra crianças, cara... só me deixe conversar com ele...

- Merda - Baekhyun disse e quando viu ja estava entrando com Juan a sua cola no escritorio de Lúcio.

- O que foi que você foi resolver Baek? - ele disse saindo de tras do computador pra ver uma cena que ele não esperava. Tinha um ômega com ele, um ômega nada normal.

- Esse é Juan - Baek disse dando um longo suspiro - ômega, amigo do Mark, desesperado por dinheiro...

- Baek... - Lucio se levantou andando a passos pequenos.

- Eu soltei sem querer a conversa, e... - coçou a cabeça - tcharam, temos um interessado.Juan olhava Lucio com curiosidade. Era ele que queria um filho? Não era um velho asqueroso e nojento? - Bom dia senhor Min, meu nome é Juan, tenho 24 anos, estou em uma situação bem dificil financeiramente no momento, sou saudavel, aceitaria sua oferta com o maior sigilo.

- Baekhyun - Lucio disse mais duro.

- Eu sei... - o amigo disse arrependido.

- Eu vim com as melhores das intenções, sou um ômega saudavel, podem fazer os testes que quiserem, é serio, não vou vazar isso, eu só... eu preciso do dinheiro, não ligo se usarem meu utero por 9 meses.

Lucio sentia o coração acelerado, chegou mais perto alguns passos e sentiu o cheiro de doce de laranja que ele sabia que o ômega tentava despistar com inibidores. Ele era bonito, tinha um olhar duro mas perdido. O alfa se preocupou.

- Não acho que você tenha psicologico pra passar por isso.

- Eu tenho, o senhor não conhece minha historia, eu te conto se for o caso mas, eu realmente preciso do dinheiro, 50 mil ja ajudaria, eu poderia realizar meu sonho de ir embora daqui e você teria seu bebê.

- 50 mil? - Lucio disse confuso - Você não disse quanto eu ofereceria?

- Não - Baek disse baixinho.Lucio suspirou -Vamos todos se sentar, eu acho que to ficando tonto...- foi ate a sua mesa e pegou o telefone - Youngsun, traga café pra três e um comprimido pra dor de cabeça e chame Jaebom, meu advogado por favor.

Lucio se jogou em sua cadeira e encarou Juan a sua frente que o encarou de volta.

Em toda sua vida jamais ficou frente a frente com um ômega com uma presença tão forte quanto a dele. Fazia seu alfa querer acalentá-lo.Era um sentimento estranho, seu estomago revirava, ele estava realmente coma cabeça explodindo.Mal sabia ele que Juan sentia as mesmas coisas.Eram seus lobos se reconhecendo.Aquele seria um acordo interessante.~Juan não era do tipo que se sentia acuado, mas naquele momento se sentiu. Estava em um consultorio médico, com o tal Lucio o olhando de canto com os braços cruzados, o advogado dele, o amigo estranho e o médico, que fazia milhares de perguntas a ele enquanto a enfermeira lhe entregava os papéis de seus inumeros exames. Tinha tirado tanto sangue que tinha ficado ate tonto. Examinaram cada parte de seu corpo, fizeram ultrassom em todos os orgãos - principalmente o útero - viram a questão de seu lobo interior, seus hormonios,pelo menos se não desse certo ele teria passado pelo unico check up geral de sua vida.

- É, não há indícios de substâncias ilícitas no organismo dele... - Juan fez careta - E ele é bem saudavel mesmo senhor Min, é um ótimo candidato. E o cio dele esta proximo,daria pra agendar pra semana que vem.

Lucio assentiu - Vamos todos pro meu escritorio, temos que discutir outras coisas agora.Juan se levantou, olhando tudo ao redor. Era uma realidade bem alternativa a que estava vivendo e ele nem tinha acreditado ainda que tinha se colocado naquilo.

- Senhor Park - o advogado lhe chamou quando se sentaram no escritorio do alfa naquela tarde. - Vou ter que falar duro com você, porque esse assunto é delicado e precisamos ser claros.

- Eu sei disso - Juan disse com a voz firme.

- Se realmente for acertado, faremos a inseminação artificial. Se a inseminação vingar, você carregara o filhote do senhor Min pelos nove meses. Daremos todo o apoio e sustento durante esse tempo. Você não precisara se preocupar com nada, te daremos um lugar pra morar, comida, roupas, um tratamento adequado. Mas quando o bebê nascer, você não tera direito algum sobre ele.

Eu sei disso - Juan repetiu.

- Senhor Park, você não podera nem chegar perto da criança, ela não será sua, sera somente do senhor Min, você entende isso.

- Eu não tenho intenção nenhuma de continuar morando aqui quando tudo isso acabar, então vocês podem ficar tranquilos quanto a isso, vou pra bem longe.

- Você diz isso agora, mas quando o bebê for gerado dentro de você, ou quando o ver...

- Não sera problema, eu garanto.

O advogado suspirou - Tudo isso esta sendo feito no maior sigilo possivel senhor Park. Lucio é uma figura publica, aqui esta a cópia do contrato e gostariamos que, por enquanto, se hospedasse em um dos nossos hoteis.

Juan riu em deboche - Querem ficar de olho em mim né?Tudo bem, vai ser melhor do que onde eu to vivendo mesmo. - ele pegou os papéis que foram oferecidos.

- Um dos nossos motoristas vai te levar ate la, já esta tudo arranjado.

Juan assentiu e se levantou, olhando de canto de olho o alfa na janela, ele roia uma unha,e olhava para a janela. E Juan sentiu uma sensação estranha.

Sensação que esqueceu completamente quando se deitou na cama macia do quarto de hotel onde o hospedaram.

Ele riu, pensando em tudo que poderia acontecer, mas que finalmente poderia ir embora.Pelo menos usaria seu utero de forma que pudesse lhe dar um futuro, quem diria que ser ômega prestaria pra alguma coisa.

Ele tomou um banho demorado. E depois, de roupão, começou a ler o tal contrato.

Não era nada do que já esperava, e concordou com tudo sem pestanejar.

Os dias foram passando muito rápido, o contrato foi assinado, assim como uma clausula de total sigilo, e um segurança que ficaria o tempo todo na cola de Juan.

Ele nem se importava, queria o dinheiro.

A inseminação foi marcada, e lá estava ele, na sala de espera.

Ele já tinha se trocado, e estava apenas esperando o médico aparecer, mas se surpreendeu quando Lucio apareceu ali.

- Oi. - ele disse com a voz fraca.- Eai - Juan respondeu.

- Sabe... eu evitei falar com você, ate pra não termos nenhum tipo de ligação mais forte...mas nós dois sabemos que, se o feto vingar, ficaremos mais ligados...

- É, eu sei - disse o olhando. Lucio cheirava menta. Era delicioso.O alfa engoliu em seco - Ainda da tempo de desistir.

- Eu não vou desistir, eu preciso disso senhor Min, você vai realizar seu sonho e eu o meu, ta tudo certo.

Lucio abaixou a cabeça, mordendo o lábio. De repente Juan viu que ele estava... chorando? - Obrigado Juan... eu... realmente não tenho palavras pra agradecer, esse sempre foi meu maior sonho, eu prometo que vou cuidar muito bem dessa gravidez, e te ajudar no que for no futuro se precisar.

- Eu espero não precisar senhor Min. Só esse acordo já basta. E... - engoliu em seco, não era bom com palavras - de nada? acho que... é, de nada. Não é nada mesmo, pra você significa mais do que pra mim.

Lucio assentiu, limpando o rosto assim que o médico chegou - Ah, já temos um papai chorão aqui? Preciso que saia agora senhor

Min, vamos fazer o procedimento.Juan respirou fundo. Era agora. Não tinha mais como fugir. E nem ia, não era de seu feitio fugir.

No final do dia Juan estava deitado em sua cama no hotel. Se sentia meio zonzo pelos medicamentos, ia ter que tomar bastante naqueles primeiros meses pra ver se ia pegar.

Lembrou da mãe que o rejeitou por ser ômega, o dando pra um orfanato e sumindo no mundo. Lembrou das casas de adoção que passou. Lembrou de quando fugiu aos 16 anos com uma turma de tatuadores.

Mas naquela noite, com as mãos trêmulas,levou as em seu útero.Tinha que dar certo. Ele precisava do dinheiro.

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