Capítulo 3 P.O.V Aline

Passei o final de semana no hospital. O atendimento está péssimo e os exames demoram tanto para chegar, mas o que posso fazer se não temos condições para ir em um hospital melhor. Não tenho conseguido dormir desde que minha mãe entrou no hospital, meu pai tem saído de vez em quando para ver a casa. As poucas vezes que a minha mãe se manteve acordada ela mal conversava. Está ficando fraca.

Eu sei que meus pais estão me escondendo alguma coisa. As brigas em casa tem sido constante, mas sempre que eu perguntava alguma coisa eles mudavam de assunto. Sempre dizendo que está tudo bem. É óbvio que as coisas não estão nada bem e isso tem causado estresse na minha mãe, a ponto de fazer ela parar no hospital.

- Aline? - Olhei para o médico que se aproximava com uns papéis em mãos. - Onde está seu pai?

- São os resultados dos exames da minha mãe? - Me levantei da cadeira. - Qual é o resultado?

- Não quer esperar...

- Pode me dizer. - Interrompi ele. - Preciso saber.

Ele não consegue mais esconder a situação. Está sério de mais de vez e outra suspirando, ele já imaginava qual seria o resultado, mas não poderia falar até ter a prova. Agora tem os exames no chão e não posso esperar meu pai chegar para saber. O médico suspirou novamente.

- Sua mãe está com câncer. Câncer no cólon precisando começar com os cuidados o quanto antes. Você como uma futura médica sabe como é perigoso se demoramos.

Balancei a cabeça concordando.

- É maligno, não é?

- Sim.

Virei meu rosto sentindo minhas lágrimas. Desde que a minha mãe entrou aqui não sai do lado dela para poder acompanhar o estado da sua saúde e assim passei o final de semana examinando apenas pelo olhar. Cheguei em vários resultados e ainda sim estava confiante em acreditar que não seria câncer, principalmente um câncer maligno. E agora tenho a certeza, certeza que preciso arranjar o dinheiro mais rápido possível para ajudá-la. Esses tratamentos são caros.

- Aline, você precisa ser forte. - O médico colocou a mão em meu ombro. Olhei para ele. - Seja confiante. Temos chances.

Eu apenas balancei a cabeça concordando. Não posso perder minha mãe. Fechei meus olhos. Quando o médico saiu meu celular tocou. Peguei o meu celular no bolso vendo o nome da Shari na tela.

- Oi? - Falei quando atendi.

- Amiga, ainda está no hospital? Estou aqui por perto. Eu pensei em te acompanhar até em casa. O que acha?

- Os resultados saíram. - Abaixei minha cabeça. - Ela está com câncer. O câncer no cólon é maligno. - Senti minhas lágrimas novamente. - Não sei onde vou conseguir arranjar o dinheiro para o tratamento.

- Aline, calma! Fique calma. - Shari pediu. - Vamos encontrar um jeito...

- Como Shari?! Não ganho bem no estágio e muito menos o meu pai em seu trabalho. O médico falou que precisamos fazer o tratamento logo.

- Amiga...

- Filha? - Olhei para trás vendo o meu pai. - Por que você está chorando? Sua mãe está bem?

- Shari, depois nós nos falamos. - Avisei e desliguei a ligação.

Coloquei o meu celular no bolso e olhei para meu pai. Ele se aproximou mais me olhando preocupado. Pedi para que ele se sentasse e assim fez, quando comecei a contar para meu pai sobre o resultado dos exames ele começou a balançar a cabeça de um lado para o outro se negando. Eu cheguei a ficar tonta com aquela cena.

Minutos depois Shari apareceu no hospital, eu abracei minha amiga com tanta força. Meus pais, as pessoas que tanto amo estão em um hospital agora. Eu sabia que meu pai não aceitaria bem a doença de minha mãe. Preciso me manter o mais forte possível para conseguirmos passar por tudo isso. Fomos para a lanchonete do hospital.

- Você precisa comer, Aline.

- Estou sem fome. - Recusei o sanduíche.

Ela suspirou.

- Olha, eu sei como você pode conseguir dinheiro. - Olhei para ela. - Acredito que seja o jeito mais rápido.

- Como? Me diz Shari. - Puxei minha cadeira para se aproximar mais dela. - Eu faço o que for.

- Até ser barriga de aluguel?

- Barriga de aluguel?

- Sim. Uma conhecida minha fez, ela aceitou ser barriga de aluguel para um ricaço e ganhou um bom dinheiro com isso. - Shari me olhou séria. - É de certeza. Você não precisa se preocupar, apenas precisa seguir as regras deles. Através de uma empresa que mantém você em contato com esses ricos sendo uma forma segura para todos. Terá contrato e esses tipos de coisas. Se um deles gostar do seu perfil você vai ganhar o dinheiro.

Barriga de aluguel. Nunca pensei nessa hipótese. Ser mãe também não estava nos meus planos, a criança não ficará comigo. Vou ter que entregar ela depois de nascer. Isso é tão estranho. Será que vou conseguir? É meu filho, não é? Fechei meus olhos, suspirando. Não tenho escolha. Se eu aceitar vou ter que fazer isto. A criança ficará bem de qualquer jeito, terá uma boa vida e não vai passar necessidades. Preciso pensar no dinheiro, não importa as consequências. O quanto antes ela começar o tratamento vamos ter uma chance de ter sucesso.

- Shari, quero saber mais sobre essa empresa.

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