10| Björn Beowulf

O céu estava nublado na manhã em que partiram para Orion, na tarde em que chegaram e no início da noite em que ela pisou nas largas ruas do clã Grime. Isso fez Mel se perguntar se o sol alguma vez nascia nessa parte de Orion.

Mel se deparou com uma grande estrutura de concreto com cúpula e hesitou atrás de Eustace. Anna estava parada na entrada fechada do prédio e seu humor visivelmente melhorou quando avistou Mel. Outros servos se moviam ao redor, carregando a bagagem da caravana para dentro do prédio. Pelo canto dos olhos, Mel conseguia ver as massas espiando pelas casas ao redor, junto com transeuntes ousados o suficiente para permanecer nas ruas e olhar para Mel com atenção e excitação.

Mel corou, não acostumada a tanta atenção de uma vez. Anna abraçou Mel de lado e a incentivou gentilmente a entrar no prédio. Eustace entrou depois delas e parou quase imediatamente. Do chão às paredes, até a escada em espiral que levava ao andar superior e ao subterrâneo, um salão redondo de madeira polida a engoliu por completo. Seus olhos se arregalaram. Ela nunca tinha visto tanta superfície de madeira. A cabine do navio era pequena, mas um salão dessa magnitude era tão imenso que Mel ficou atordoada.

Não havia janelas no interior da estrutura, mas uma luz branca suave de cristais brilhantes embutidos no teto abobadado refletia nas superfícies de madeira polida com um brilho branco puro.

As baixas expectativas de Mel antes de Eustace explicar o subterrâneo para ela foram frustradas pelo interior deslumbrante. Se os prédios eram assim, ela se perguntava como seriam as estruturas subterrâneas. E aqueles cristais? Eles eram diferentes de tudo que ela já tinha visto, nem mesmo nas casas mais nobres que visitou em Sprite.

"Nenhuma palavra pode expressar o quanto me agrada vê-la tão feliz," Eustace sussurrou em seu ouvido e Mel saiu de seu devaneio, o sangue subindo às bochechas de vergonha.

Ela estava abertamente admirando o prédio como uma camponesa! Como se nunca tivesse visto coisas bonitas antes.

Ela gaguejou, "É—Eu—"

Um passo pesado chamou a atenção de todos, inclusive de Mel. Parecia um passo feito propositalmente para anunciar a nova chegada.

Mel olhou para cima e seus olhos pararam na enorme figura parada em um dos degraus. Um pesado casaco de pele cobria uma construção imensa. Uma construção muito mais dominante do que a de Enmel. E Enmel era um dos homens mais altos e grandes que ela tinha visto entre os Orion até agora.

Uma mão enluvada se estendeu dos ombros largos para descansar no corrimão da escada.

Mel não conseguia ver seu rosto claramente à distância, mas ele estava perto o suficiente para que ela distinguisse um rosto bem definido, cabelos brancos marcantes e olhos azuis penetrantes.

Havia uma quietude no ar e o coração de Mel subiu à garganta. Ele estava olhando diretamente para ela. Ele manteve seu olhar por tanto tempo que ela sentiu o ar ser sugado de seu peito. Recuperando o fôlego, ela desviou o olhar, levando a mão ao peito.

"Bjorn," Eustace chamou, um sorriso tenso nos lábios enquanto caminhava até o pé da escada.

O homem desceu lentamente para encontrar sua mãe, os saltos de suas botas pesadas ecoando nas tábuas de madeira a cada passo. Mel não tinha ouvido ele vindo do topo antes, ou estava tão absorta em sua observação que não notou nenhuma outra presença na sala?

Uma Anna assustada estava ao lado de Mel, rígida. Seu aperto no braço de Mel se intensificou um pouco.

O coração de Mel disparou. Ela não sabia o que sentir. O único pensamento que passava por sua cabeça era que este era ele. Seu futuro marido. Ela não conseguia decifrar sua idade à distância, mas o breve encontro foi suficiente para dizer que ele não tinha o comportamento de alguém da sua faixa etária.

Então, ela percebeu que não tinha se ocorrido perguntar exatamente quem ela iria se casar.

Ele parou bem na frente de Eustace, imponente sobre ela. Havia um descontentamento notável em seus lábios curvados para baixo.

'Espere. Ela tinha dito que chegaríamos antes dele. A menos que ele tenha vindo mais cedo do que o habitual…' Mel ponderou.

O sorriso de Eustace se tornou genuíno e ela estendeu a mão para acariciar sua bochecha. O homem crescido fechou os olhos e suas feições faciais relaxaram enquanto um suspiro aliviado escapava dele. O descontentamento em seu rosto desapareceu.

'O que foi isso?' Mel se perguntou mentalmente, seus pés colados ao chão.

Ele levantou a cabeça e se virou para Mel. Ela se encolheu quando ele caminhou em sua direção. Seus passos eram ágeis para uma construção tão grande, e ele caminhava com uma graça inesperada para um lobisomem.

Bjorn parou bem na frente dela. Anna deu um passo para trás, deixando sua senhora indefesa diante da figura dominante.

Mel ficou paralisada, olhando para os traços incrivelmente bonitos do lobisomem. Ele tinha uma linha do maxilar definida, complementada por um tom vertiginoso de olhos azul-prateados, que eram ainda mais destacados pela presença de maçãs do rosto bem definidas.

Seu queixo estava pontilhado com uma camada de pelos e um bigode ralo mostrava sinais de crescimento.

Para surpresa de Mel, ele não se parecia em nada com sua mãe!

Bjorn educadamente ofereceu-lhe a mão. "Bem-vinda."

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