02| Um noivado repentino

"Ela pode não concordar. Eu não posso—"

Seu irmão, Anton, interrompeu, "Você nunca considerou a opinião dela quando a ofereceu aos Orions. Agora que eles precisam que a dívida seja paga, por que está hesitando?"

"Precisamos de tempo... para persuadi-la."

Anton zombou. Mel podia imaginar ele jogando a mão no ar, um de seus gestos irritantes. "Persuadir? Eu sei o que você está pensando, velho louco! Ela está prestes a completar vinte e dois anos. Qual homem aqui no reino estaria interessado em se casar com uma mulher que já passou da idade? Se arrastar isso por mais tempo, não só podemos incorrer na ira deles, mas sua filha também não conseguirá encontrar um marido adequado pelo resto da vida!"

Mel se afastou das portas silenciosamente, atordoada enquanto tentava processar a conversa em andamento. O que tudo isso significava? Ela tinha vivido a maior parte de sua vida no castelo e em seus arredores. Não tinha percebido que havia uma certa idade em que as meninas deveriam se casar. Era por isso que todas as suas amigas estavam casadas? Pelo jeito que seu irmão falava, ela ainda era uma menina?

'Não. Não. Isso não pode ser verdade,' ela pensou.

Ela balançou a cabeça e correu pelo corredor, certa de que seu irmão e pai podiam ouvir seus passos se afastando. Ela precisava encontrar sua mãe. Ela sempre sabia o que dizer e como confortá-la. Certamente, ela tinha que saber que seu pai estava planejando enviá-la para os Orions? Esta era uma notícia que ela teria aceitado no passado, mas agora parecia repentina, muito repentina.

"Mãe!" Mel irrompeu pelas portas de vidro duplas e entrou na estufa da mansão. Sua mãe estava usando luvas transparentes enquanto observava os jardineiros cuidarem de suas plantas.

"Mel!" a mulher exclamou, surpresa quando sua filha correu até ela e a envolveu em um abraço apertado. Isso não era incomum da parte de Mel, mas o tom frenético de sua voz e seu aperto firme na mãe a perturbou.

"Quero falar com você," Mel falou, dando um passo para trás, mas segurando a mão da mãe. "A sós," ela acrescentou.

Sua mãe, Harriett, olhou para a filha, sua testa franzida com um olhar intrigado. A senhora do castelo então dispensou os servos com um aceno, e eles deixaram mãe e filha sozinhas na estufa silenciosa.

"Papai e Anton estão falando de me enviar para os Orions! Você ouviu algo sobre isso?!" Ela agarrou os braços da mãe e a mulher ficou rígida em seu aperto, seu olhar confuso mudando para um de choque.

"Onde você ouviu isso?" ela perguntou suavemente, seus olhos escuros se arregalando enquanto um medo lento surgia neles, dissipando o choque.

Mel parou, sentindo algo estranho no tom de sua mãe. Então, caiu a ficha e seus olhos se arregalaram. "Você sabia?!"

Harriett se endireitou. "Não—Mel—eu não sabia que seria tão repentino—Mel!"

Mel se afastou da mãe e correu para fora da estufa, passando por servos curiosos e funcionários do castelo enquanto voltava para seu quarto, onde suas duas camareiras a esperavam, cansadas da perseguição e meio que esperando seu retorno.

Elas ficaram alertas com a presença de Mel e soltaram suspiros aliviados.

"Minha senhora," uma delas falou, correndo em direção a Mel caso a jovem decidisse fugir novamente. "Você deveria estar vestida para o dia!"

"Mel." Anton irrompeu no quarto, parando ao ver Mel em frente à sua cama com dossel e observando o estado de surpresa das camareiras. Ele suspirou e ajustou as dobras de sua túnica dourada, lançando um olhar apologético para sua irmã. "Desculpe a intrusão."

"O que você quer?" Mel disparou, com as mãos cerradas ao lado do corpo. Ela ficou parada, esperando que seu irmão falasse. Um leve medo crescia dentro dela, pois sabia exatamente o que seu irmão estava fazendo ali. Raramente ele entrava em seu quarto como bem entendia.

Ele franziu ligeiramente a testa e estreitou os olhos. "Era você," ele sussurrou.

Mel retribuiu o franzido com um olhar suspeito. "E o que isso quer dizer?"

As feições de Anton relaxaram e ele balançou a cabeça, passando a mão pelo cabelo claro. "Acontece que ouvi alguém correndo pelos corredores do salão de nosso pai, mas deixe isso para lá." Ele ignorou Mel e se dirigiu às camareiras. "Desfaçam qualquer arranjo de vestimenta que tenham feito para sua senhora esta manhã. Ela usará outra coisa. Algo adequado para viajar."

O coração de Mel deu um salto e suas sobrancelhas se franziram em uma expressão dura. Ela marchou até Anton, apontando um dedo para o peito dele. "Essas são minhas criadas, você não pode dizer a elas o que fazer!"

"Mel." Anton olhou para baixo, para ela. "No fim das contas, todas pertencem ao Pai. Você terá as suas quando se tornar a senhora de sua própria casa."

Mel estava prestes a soltar uma resposta quando três criadas entraram correndo em seus aposentos, lançando olhares apologéticos para Mel e indo mais fundo no quarto para preparar seu banho e escolher suas roupas no vestiário. As camareiras de Mel ficaram paradas, espelhando o choque que sua senhora tinha no rosto.

"Preciso ir," Anton disse e se virou.

"Espere," Mel gritou e agarrou a manga dele. Ele parou e olhou para trás, com uma expressão dolorida no rosto. "Você não pode fazer isso comigo," ela continuou, com uma mão no peito. "É muito repentino."

"Sinto muito que você tenha nos ouvido e descoberto dessa forma, Mel." Ele fechou os olhos com força. "Não temos escolha."

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