07| Partida

O chão da floresta estava pisoteado pelos cascos pesados de grandes cavalos musculosos, carregados por seus igualmente grandes cavaleiros. A brisa da noite varria os cabelos, farfalhando as árvores enquanto os cavalos saíam para a vasta clareira, um campo cinza se estendendo diante deles. O cabelo branco de Bjorn Beowulf se agitava com o vento e seu olhar de olhos azuis se estreitava ao ver o grande assentamento a uma grande distância. Sua casa.

"Esta foi uma semana frutífera," comentou Dov, cavalgando até o lado de Bjorn.

Bjorn assentiu em resposta, os murmúrios dos companheiros caçadores atrás dele interrompendo sua momentânea paz e concentração.

"Finalmente!" Dov deu um tapa nas costas de Bjorn com uma risada estrondosa enquanto falava alto, "Finalmente vamos conhecer a amada do nosso Chefe! Não é mesmo, rapazes?"

Os homens rugiram com um grito jovial e Bjorn lançou um olhar fulminante para seu melhor amigo. Dov deu de ombros inocentemente e continuou rindo, ignorando o olhar penetrante de Bjorn. "Relaxa, cara," acrescentou, "Esta é uma ocasião alegre."

"Eu me pergunto quão longe está Sprite," comentou um dos homens.

"Não muito longe," rosnou Bjorn, desejando que a viagem durasse muito mais, uma eternidade até. Ele vinha adiando essa união nos últimos dez anos, até que sua mãe decidiu tomar uma atitude e foi até Sprite ela mesma para trazer a jovem de volta.

Bjorn deu um leve chute em sua montaria e trotou à frente dos outros, ansioso para se afastar dos homens zombeteiros. Eles não haviam mencionado tais bobagens durante a caçada. Talvez fosse a excitação de ter o clã à vista que despertou tal comportamento desagradável neles.

"Você tem adiado isso por tempo demais, meu caro amigo," riu Dov, seu cavalo avançando para se juntar ao de Bjorn. "Não precisa ser rancoroso por causa disso."

Bjorn apenas resmungou em resposta.

"De verdade, pelo menos tente ser acolhedor. Chegar como um estranho a um lugar diferente pode ser desconcertante para muitas pessoas. Eu me pergunto se o pai dela sequer contou a ela as circunstâncias de sua vinda para cá."

"Não," Bjorn avisou, lançando um olhar irritado para Dov. "Nem pense em..."

"Eu acho que você gostaria de ter a noite para si mesmo?"

Bjorn assentiu. "Sim, Dov. Eu gostaria. Muito."

Contra seu melhor julgamento, Bjorn podia sentir seu estômago revirando. Ele não sabia como descrever a sensação, mas não queria chamá-la de nervosismo. Tudo o que ele provavelmente tinha era esta noite e amanhã, se sua mãe não ficasse a noite toda em Urn.

"Mesmo que ela chegue, espero que sua família tenha tomado a decisão sensata de criar uma mulher adequada, bem capaz de cuidar do meu domínio na minha ausência... e que respeite minha privacidade."

Dov ergueu uma sobrancelha para seu amigo e olhou para o lado, um sorriso brincando em seus lábios enquanto tentava conter uma risada. "Ah, Bjorn." Dov balançou a cabeça. "Há pouca ou nenhuma privacidade entre parceiros casados, a menos que você queira que sua mulher fique 'muito' solitária." Bjorn franziu a testa, mas Dov continuou, "Por outro lado, tenho certeza de que ela deve ser uma mulher capaz."


Mel estava no convés, olhando para a flor de cor pêssego em vaso que sua mãe lhe dera poucos minutos atrás. Enquanto segurava o vaso de barro em suas mãos, ela se lembrava das mãos trêmulas de Harriett ao lhe dar o presente.

Anna estava ao lado de Mel, observando silenciosamente a jovem tentando entender o presente de despedida de sua mãe.

Mel olhou para cima e voltou o olhar para sua mãe, seus olhos se arregalando ao notar a crescente distância entre o navio e o porto enquanto eles seguiam para o mar. Harriett permanecia imóvel, observando o navio Orion partir com sua filha, e os olhos de Mel se encheram de lágrimas, seu peito começando a apertar ao perceber que estava finalmente deixando sua família para trás.

"Minha senhora," Anna sussurrou, envolvendo um braço reconfortante ao redor dos ombros de Mel e puxando a jovem para seu lado. "Vai ficar tudo bem."

Mel gentilmente afastou o abraço de Anna, segurando as lágrimas com um aceno de cabeça. O vento batia em seu rosto e ela fungou. Ela tinha que ser forte. Chorar agora, em uma ocasião que deveria ser alegre, pareceria um insulto à sua nova família, e ela não queria ser desrespeitosa.

"É triste ter que deixar uma família que você conheceu a vida toda."

Mel ficou alerta e observou a mulher que se aproximava. Eustace parou na frente de Mel e tocou levemente seu ombro. "Entre, vai ficar frio lá fora conforme avançamos para os mares do Norte."

Mel segurou o vaso de barro contra o peito e seguiu silenciosamente a velha mulher para dentro do navio. De vez em quando, ela olhava para os homens que trabalhavam e que lançavam olhares rápidos para ela, recebendo um olhar severo de Eustace que os fazia apressar-se em seus afazeres. Alguns cumprimentaram timidamente a nova noiva e seguiram seu caminho. Elas caminharam pelos confins de madeira polida do navio e Mel e Anna seguiram Eustace até uma cabine ampla. As paredes pareciam brilhar e Mel ficou maravilhada com a beleza.

Havia poucas construções de madeira em Urn, exceto seus navios e veículos, e apenas os clãs mais ricos construíam algumas estruturas de madeira. Mesmo assim, essas eram para plantas e trepadeiras subirem para suporte. Elas nunca eram tão elegantes.

"Aqui, sente-se." Eustace guiou Mel até um dos divãs luxuosos e a jovem se sentou, gesticulando com um aceno para Anna sentar ao seu lado.

Eustace sentou-se em outro divã de frente para Mel e sua criada.

"Essa é uma peça bonita." Eustace assentiu para a planta em vaso nas mãos de Mel.

Um sorriso triste adornou os lábios de Mel e ela assentiu, olhando longamente para a única flor brotando de um dos caules verdes. "Esta é a planta favorita dela... era, até se tornar minha quando eu nasci."

Eustace olhou para ela em silêncio, um olhar afetuoso surgindo em suas feições. Ela respirou fundo. "Você se importa se eu me sentar ao seu lado, Mel? Eu gostaria que ficássemos mais próximas, já que em breve seremos família."

Mel assentiu. "Sim. Eu não me importo." Ela se moveu ligeiramente e Anna também, embora houvesse mais do que espaço suficiente para Eustace se sentar ao lado dela.

Eustace levantou-se de seu assento e se acomodou ao lado de Mel com um suspiro, de frente para ela.

"Meus pais poderão vir para o casamento?" Mel reuniu coragem para perguntar. Então ela parou, seu coração batendo rapidamente em antecipação. Novamente, dadas as circunstâncias dessa união, haveria mesmo um casamento?

'Eu deveria ter prestado mais atenção quando mamãe estava me educando sobre Orion.'

Eustace mordeu os lábios e olhou para a planta, incapaz de encontrar os olhos de Mel. "Veja, nessas circunstâncias, sua família não pode vir." Ela tocou o braço de Mel e deu um tapinha, um olhar triste em seu rosto ligeiramente enrugado. "É assim que fazemos as coisas em Orion. No entanto, sua família pode vir a qualquer momento, Mel."

Mel lutou contra as lágrimas que se formavam em seus olhos e, incapaz de segurar, fungou e esfregou os olhos com as mangas. Anna pegou o vaso de barro das mãos da senhora para evitar que caísse.

"Não. Não. Desculpe. Por favor, não se importe com essas... lágrimas." Mel riu nervosamente, esfregando os olhos.

Eustace a envolveu em um abraço caloroso e Mel envolveu os braços ao redor da velha mulher, seu peito se enchendo enquanto desabafava seus sentimentos reprimidos no abraço de sua sogra.

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