Capítulo 1 Mariana
Mariana Hernandes
O sol começava a baixar lentamente na linha do horizonte da praia, tingindo o céu com tons de laranja e púrpura, mas dentro de mim o clima era de uma tempestade escura e congelante. Fiquei sentada ali na areia fofa, abraçada aos próprios joelhos, observando o movimento ao meu redor. Famílias inteiras, casais rindo de mãos dadas, crianças correndo atrás das ondas com uma inocência genuína... Como podiam parecer tão felizes? Uma onda de amargura e tristeza profunda invadiu o meu peito, sufocando o ar nos meus pulmões.
Eu tinha planos para o meu futuro, sonhos moldados com o suor dos meus estudos. Queria me casar por amor, entregar meu coração e minha vida ao homem da minha escolha, aquele que faria meu estômago dar voltas de alegria, e não ser empurrada como um objeto para um estranho qualquer.
Meus pais haviam cruzado a linha do inferno. Estavam me forçando a um casamento arranjado com um CEO bilionário puramente por ganância, por interesse financeiro e status social. Para eles, eu não passava de uma moeda de troca conveniente, uma forma de garantir contratos e cifrões na conta bancária, enquanto o que eu sentia ou desejava nunca valeu absolutamente nada.
Uma revolta visceral queimava nas minhas veias. Eu não sabia como, por qual brecha legal ou meio desesperado, mas jurei a mim mesma: eu não ia me curvar àquilo. Não ia me casar.
Com apenas vinte anos recém-completados e o diploma de Direito recém-conquistado na ponta dos dedos, minha vida sempre foi pacata. Eu era a típica garota caseira, focada nos livros e nas leis. No amor, minha experiência era mínima: meia dúzia de namoricos de colégio, alguns beijos sem graça na varanda de casa e nada mais do que isso. Eu guardava meu corpo e minha dignidade como algo sagrado.
E agora, de repente, me via acorrentada a uma obrigação repugnante.
Se meus pais achavam que eu ia abaixar a cabeça, estavam redondamente enganados. Eu não ia facilitar em nada a vida desse tal noivo. Pelo contrário: na minha cabeça, ele só podia ser um velho nojento, rançoso, barrigudo e cheio de manias nojentas, daqueles que acham que podem comprar tudo com dinheiro.
Que ficasse com o maldito contrato. Eu podia até morrer virgem, mas jurei por tudo o que é mais sagrado: aquele homem nunca, em hipótese alguma, teria o gostinho de me tocar.
