Capítulo 2 Daniel

Daniel Sanches

O silêncio denso do meu escritório particular no septuagésimo andar da torre da companhia de aviação era cortado apenas pelo som abafado do trânsito lá embaixo. Fiquei recostado na cadeira de couro legítimo, encarando o teto e remoendo as engrenagens da minha própria vida.

Construí um império bilionário do absoluto zero, mas ser o solteiro mais cobiçado e assumidamente mulherengo da alta sociedade estava me trazendo dores de cabeça descomunais. Os conselheiros, a imprensa marrom e os acionistas viviam me enchendo o saco, questionando minha estabilidade e usando minha vida pessoal como munição para criticar a gestão da holding.

Eu estava prestes a dar o próximo passo monumental: expandir agressivamente a empresa, comprando frotas e unindo forças com os conglomerados dos meus amigos espalhados por diversas capitais. Mas para fechar essas alianças estratégicas de nível internacional, o conselho exigia uma postura "familiar". Eu precisava de uma esposa de fachada, uma mulher que soubesse sorrir e me acompanhar naqueles eventos sociais insuportáveis, mastigando canapés enquanto discutíamos contratos de bilhões.

Para piorar, meus pais infernizavam o meu juízo todos os dias, exigindo que eu criasse raízes e tomasse jeito o que, cá entre nós, seria uma tarefa quase impossível para quem gostava de ter o controle absoluto de tudo.

Foi aí que a engrenagem girou de um jeito inesperado. Um dos meus funcionários de escalão inferior, sabendo pelos corredores que eu buscava uma esposa por conveniência, teve a audácia de se aproximar e praticamente leiloar a própria filha para mim.

Ele me mostrou uma foto rápida no celular, mas a garota estava de costas, de modo que não deu para ver o rosto ou discernir se era bonita ou apenas mais uma entesourada comum. Não me importei com a estética naquele momento; o que me interessava era a conveniência legal do negócio. Joguei uma quantia absurda de dinheiro na mão daquele pai oportunista apenas para garantir que a garota assinasse os papéis e aceitasse o acordo sem chilique. Só me restava rezar para que ela não fosse uma patricinha mimada e insuportável — caso contrário, eu faria questão de dobrá-la e dominá-la do meu próprio jeito bruto.

Saí dos meus devaneios corporativos no exato segundo em que a porta se abriu sem grandes formalidades e Carla entrou na sala.

Minha secretária particular era uma obra de arte ambulante. Vestia uma saia lápis justa que marcava cada curva e uma blusa de tecido fino que desenhava perfeitamente seus atributos. Ela sabia exatamente o efeito que causava em mim.

Não perdi um único segundo com conversas fiadas. Segurei o braço dela com firmeza, puxei-a para perto e a lancei diretamente sobre a extensão da minha mesa de mogno, empurrando papéis e pastas para o chão. Subi entre as coxas dela, rasgando o espaço com urgência, e comecei a fodi-la com força e sem piedade, ouvindo os gemidos abafados dela ecoarem pelas paredes acústicas do escritório blindado.

Assim que o clímax passou, afastei-me com a respiração pesada, puxei a camisinha com cuidado, dei um nó rápido e a joguei direto na lixeira ao lado da mesa. Carla ajeitou a saia amassada, recompondo a postura profissional com um sorriso malicioso nos lábios carnudos.

— O que acha de nos encontrarmos no meu apartamento hoje à noite, Daniel? Podemos continuar a nossa brincadeira particular — murmurou ela, com um tom cheio de promessas indecentes.

Olhei para ela de cima, ajustando o cinto da calça social.

— Sabe que vou me casar em breve, Carla, não é? Não posso ficar batendo ponto no seu apartamento toda vez que me der na telha.

— Ninguém precisa saber de nada, chefe. É só mantermos o sigilo de sempre — insistiu ela, dando um passo à frente.

Cruzei os braços, encarando a audácia daquela mulher.

— Você sabe que, falando desse jeito, fica difícil resistir, não é, sua vadia?

Ela soltou uma risada abafada, os olhos brilhando de pura luxúria.

— E quem disse que é para resistir? Eu estou completamente viciada no seu pau, Daniel, quero isso a toda hora, em qualquer lugar.

A mantive sob controle com um olhar frio.

— Não se iluda, Carla. Eu sou de todas, mas não pertenço a nenhuma.

— Eu sei bem como você é, por isso mesmo quero aproveitar cada segundo antes que você coloque a aliança e fique preso a essa formalidade.

— Agora chega de papo furado e volta para o seu terminal de trabalho — ordenei, com a voz cortante. — Estou saindo da torre, mas se acontecer qualquer emergência na diretoria, me liga imediatamente.

Deixei a sala para trás, peguei o elevador privativo direto para a garagem subterrânea e rumei em direção à minha mansão. Ao chegar, joguei as chaves no aparador, subi os degraus correndo para o meu quarto e enfiei-me debaixo do chuveiro para lavar o cansaço do dia com água gelada. Saí enrolado em uma toalha, vesti apenas uma bermuda de algodão leve e uma camiseta preta básica. Precisava espairecer a cabeça, decidi dar uma caminhada rápida até a praia próxima para respirar ar puro.

A calçada e a faixa de areia estavam movimentadas. Meus olhos varriam o cenário sem muito interesse, capturando relances de várias garotas aproveitando o final de tarde. Cheguei a fixar o olhar brevemente em uma morena de corpo escultural que passou por mim, mas, no segundo seguinte, distraidamente, acabei dando um encontrão desajeitado em uma loira que caminhava na direção oposta. Ela levava várias sacolas e cadernos, que despencaram no chão com o impacto. Porra... pelo vislumbre do rosto dela, acabei encarando uma verdadeira deusa. Meu corpo inteiro reagiu na mesma hora, o sangue correndo quente para baixo com uma intensidade absurda.

— Você não olha por onde anda, seu imbecil? Presta atenção no que você fez, deixou todas as minhas coisas caírem no chão! — disparou ela, cuspindo fogo pelos olhos.

Um sorriso de canto de boca brotou nos meus lábios diante daquela audácia toda.

— A gatinha está nervosa, hein? — provoquei, dando um passo à frente. — Mas relaxa, se quiser eu posso tirar todo esse seu nervosismo rapidinho, garota.

— Está achando que eu sou o quê, seu babaca?! — sibilou ela, fuzilando-me com o olhar.

A loira marrenta nem esperou eu formular uma resposta. Abaixou-se com agilidade, recolheu suas coisas do chão de qualquer jeito e saiu andando apressada, balançando os quadris com uma altivez irritantemente atraente.

Caramba... que mulher espetacular. Mais do que linda, era indomável. Fiquei parado na areia, assistindo-a se afastar, enquanto um pensamento fixo e perverso cruzava a minha mente: imagino essa loira furiosa deitada na minha cama... Se ela fosse minha, eu ia fazer um estrago monumental.

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