Capítulo 5 PIETRO
Depois que Melinda saiu do meu quarto, permaneci ali terminando de assinar os contratos. Amanhã seria um dia importante: minha primeira reunião oficial como CEO da filial da empresa da minha mãe. Eu precisava causar uma boa impressão.
Quando finalizei os documentos, ainda com o leite morno ao lado, aproveitei para tomar. Em seguida, fui ao banheiro e logo me deitei. O sono veio rápido.
Pela manhã, acordei cedo, fui direto ao banheiro e me preparei para o dia. Antes de sair do quarto, passei pela porta do quarto da Mel e bati — sem resposta. Desci para tomar café, já pronto para o trabalho.
Na cozinha, encontrei dona Maria, sempre atenciosa.
— Bom dia, dona Maria. A senhora sabe se minha esposa já saiu para trabalhar?
— Bom dia, meu filho. Sim, ela tomou café cedinho e pediu pra avisar que já tinha ido.
— Entendi… Ela comentou se vai voltar pro almoço?
— Disse que hoje não, que o dia seria corrido com a chegada do novo chefe. Ia comer por perto mesmo.
— Tudo bem. Eu também não venho almoçar hoje. Pode ficar tranquila, não precisa preparar nada agora. Depois da janta, pode descansar — falei, e ela assentiu com um sorriso gentil.
Terminei meu café, subi para pegar minha maleta, e saí. Apesar de ter um motorista, só costumo usá-lo em eventos ou quando sei que vou beber. Hoje, decidi que ele levaria a Melinda ao trabalho e buscaria ela no fim do dia. Nós dois merecíamos um pouco de conforto.
Assim que estacionei, fui recebido por Taylor, meu braço direito naquela filial. Ele pegou minha maleta com naturalidade.
— Bom dia, Pietro! Como está?
— Bom dia, Taylor. Tudo certo. E por aqui?
— Tudo tranquilo. Como o diretor de operações ainda está em viagem, quem vai conduzir a reunião hoje é sua secretária executiva. Ela estava cobrindo interinamente o cargo dele, mas agora vai assumir como sua assistente pessoal.
— Espero que ela não seja como a última... — comentei, lembrando de um incidente antigo — Quase me meti em encrenca por causa de "gentilezas" mal interpretadas.
Taylor riu.
— Essa é diferente. É muito bonita, sim, mas sempre se deu ao respeito. Ganhou espaço aqui pelo próprio esforço. Por isso, algumas mulheres não gostam muito dela… Mas todos os homens a respeitam, e ela tem a admiração de toda a diretoria, além de ser muito eficiente e competente.
— Ótimo. Ainda mais agora que sou um homem casado. Tenho que me comportar. E, pra falar a verdade, minha mãe deixou bem claro que se eu fizer besteira, ela mesma arranca meu “precioso” então não estou a fim de provocar dona Rosa, ela se afeiçoou com nora. — brinquei, fazendo Taylor rir alto.
Fomos caminhando pelo saguão. À medida que andávamos, os funcionários nos cumprimentavam. Tudo parecia sob controle — até que o destino decidiu brincar comigo.
Estávamos passando perto da sala de reuniões quando alguém saiu apressada, com a cabeça baixa e os olhos grudados nos papéis, e… trombou direto em mim.
— Ai! Me desculpe! Eu… — a mulher falou, ainda agachada recolhendo os papéis espalhados no chão, seus cabelos cobrindo sua face.
— Você deveria prestar mais atenção por onde anda — reclamei, um pouco irritado. — Se não sabe andar direito, talvez devesse sair do caminho.
— O senhor deveria ser mais educado — respondeu com firmeza, ainda sem me olhar —, eu pedi desculpas! Não tenho olhos no meio das folhas. Se o senhor me viu, poderia ter parado e deixado eu passar!
Arqueei a sobrancelha. A audácia.
— Pelo menos quando falo com alguém, encaro a pessoa nos olhos. Que tal se levantar e mostrar um pouco de educação? Já que sugeriu que não tenho educação.
Ela se levantou, claramente indignada. Quando finalmente nossos olhos se encontraram… o mundo parou. E eu não acreditava no que meus olhos viam.
— Você?! — dissemos ao mesmo tempo.
Taylor observava a cena, sem entender.
— Bom… Vocês já se conhecem — disse ele, confuso. — Pietro, essa é a senhorita Melinda. Sua nova assistente pessoal.
— Como assim? — ela perguntou, ainda surpresa. — Você é o novo CEO, isso só pode ser brincadeira!
— Além de marido, agora também sou seu chefe, meu amorzinho. — falei, tentando conter a risada.
— Peraí… — Taylor falou, juntando finalmente os pontos. — Você se casou com ela? Como assim?
— Venham comigo em minha sala. Vamos conversar — disse, e os dois me seguiram até meu escritório. Fechei a porta.
Sentei-me à mesa e comecei a explicar:
— Taylor, minha mãe queria que eu me casasse. Um casamento de aparências, entende? Então, conheci a Melinda num bar. Nos tornamos amigos, e propus um casamento por contrato. Ela precisava de dinheiro para ajudar no tratamento da mãe, e aceitou. O mais louco é que só depois descobrimos que nossas mães são melhores amigas. Mas nunca falamos o nome das empresas onde trabalhávamos, então não sabíamos que um dia isso poderia acontecer.
Taylor balançou a cabeça, pasmo.
— Essa história parece de novela. Mas, se foi uma escolha dos dois e não afeta o trabalho… Pode contar comigo. Não vou dizer nada a ninguém.
— Obrigado, de verdade — falei.
Me virei para Melinda.
— Se você quiser, podemos manter isso em sigilo por enquanto. Mas uma hora a verdade vai acabar aparecendo. Ainda mais com os eventos e festas que terei de ir acompanhado.
— Concordo — disse ela, aliviada. — Melhor assim, por enquanto.
Ela saiu da sala, nos deixando a sós.
Taylor riu, ainda processando tudo.
— Que situação, hein, chefe?
— Pois é… Agora resta ver como a gente vai equilibrar casa e trabalho sem misturar as coisas. Empresa é empresa. Em casa… é outra história. E, na verdade, essa mulher realmente me enlouquece, perto dela esqueço tudo ao meu redor.
