Capítulo 3 3

Ethan

Conhecem a expressão “aos trancos e barrancos”? Foi exatamente assim que entramos no seu apartamento, e tenho certeza de que nada ficou inteiro pelo caminho. No meio da madrugada, os nossos sons se misturaram e se espalharam pelo quarto, enquanto suávamos os seus lençóis. O seu calor e o seu aperto me deixaram fora de órbita, e em algum momento fiz questão de fazê-la gritar o meu nome, enquanto a fodia com força por três vezes consecutivas. E quando ela literalmente apagou, o dia já estava amanhecendo.

Ninguém sabia o nome de ninguém, e nem era preciso. Afinal, isso não passou de uma transa de uma noite só. Portanto, assim que ela começou a ressonar, vesti as minhas roupas, peguei a carteira e as chaves, e saí do apartamento de fininho, com uma única certeza: nunca mais a verei de novo.


— Bom dia, senhor D’Angelo! — diz a secretária do meu pai assim que saio do elevador.

— Bom dia, Lena! A sala de reuniões já está pronta? — pergunto, caminhando apressado devido a um atraso mínimo. Essa porra tinha que acontecer logo no meu primeiro dia como presidente interino? Droga!

— Sim, senhor! E a equipe Morissette já o está aguardando.

— Porra! Onde eles estão?

— Aguardando na sala de reuniões, senhor!

Puxo uma respiração profunda e a solto de modo audível pela boca.

— Prepare um mimo para eles, Lena. Como um pedido de desculpas por esse inconveniente.

— Certo, senhor!

Lena se afasta rapidamente e eu vou direto para a primeira reunião do dia. Só espero que não seja um desastre como esse pequeno fiasco, penso, levando a mão à maçaneta. Encontro dois senhores acomodados à mesa retangular, me esperando.

— Bom dia, senhores! Me desculpem por esse atraso, o trânsito estava uma loucura! A propósito, eu sou Ethan D’Angelo, presidente interino da D’Angelo Corporation — falo, estendendo a mão, que eles apertam no mesmo instante. Contudo, os homens mal chegam a dizer qualquer coisa.

— E o senhor Heitor D’Angelo, ele não vem? — uma voz feminina questiona, interrompendo-os.

Eu me viro para trás para ver de quem se trata. Posso afirmar com todas as letras que praticamente me engasguei com a minha própria saliva. No ato, franzo a testa e começo a suar frio. Puta que pariu… é a garota da noite passada!

— E você quem é? — questiono, tentando manter a voz firme.

— Samanta Morissette. Eu sou a atual dona e presidente da Morissette Farmacêutica LTDA.

PUTA. QUE. PARIU!

Rasgo um palavrão mental quando percebo que fodi literalmente com a cliente mais importante da D’Angelo. A garota mantém o olhar firme no meu enquanto me estende a mão. Após afrouxar a gravata, eu a seguro com um aperto firme. Contudo, estou sem ação.

— Vamos começar? — Um sorriso vem junto com esse convite presunçoso.

Após sacudir sutilmente a cabeça para jogar essa lerdeza para longe de mim, ocupo o meu lugar na cadeira e escuto a presidente da Morissette falar por longos minutos sobre a sua perspectiva com os números da empresa. A porra toda é que eu não consigo tirar os olhos da sua boca pintada de vermelho, que não para de mexer. Minha mente está povoada de imagens daqueles lábios macios me tocando, sentindo o meu gosto e me beijando arduamente.

Porra, Ethan, você precisa ligar o botão profissional ou porá tudo a perder! Rosno mentalmente, irritado comigo mesmo.

— E então, eu posso contar com você? — ela inquire.

Eu desperto, fitando os seus olhos perspicazes. Contar comigo? Com o que mesmo?

— Claro! Nós da D’Angelo teremos um imenso prazer em levá-la ao topo, senhorita Morissette. — Santo bordão!

— Ótimo! — ela diz, satisfeita.

— Verei um dos nossos melhores contadores para esse trabalho.

— Não. Eu quero você à frente das minhas finanças — ela exige, com certa firmeza.

Fodeu! penso, completamente consternado. Não dá para assumir um trabalho com uma transa de uma noite, certo? Quer dizer… eu posso cair em tentação, e Deus do céu… levar esse corpo monumental para a cama de novo é um… problema? Não seria mais uma transa de uma noite, e sim de várias noites. Que droga, Ethan… e toda aquela história de autocontrole? Pois é, está indo por água abaixo.

Samanta exala um poderio em tudo que faz. No olhar escuro e cheio de brilho, na voz aveludada e determinada, nos gestos das mãos enquanto fala e, principalmente, no seu perfume. Ah, esse perfume!

Que porra é essa? Como ela ousa me envolver dessa maneira?

— Que seja! — me pego dizendo, e internamente dou uma bofetada na minha própria cara.

— Ótimo! Nesse caso, espero por você no meu apartamento para um jantar de negócios.

— O quê? — indago, aturdido, quando ela se levanta e os homens fazem o mesmo em seguida.

— Creio que você já sabe o meu endereço, não é?

Não acredito que ela fez o meu rosto queimar com essa pergunta! Que porra está acontecendo com você, Ethan D’Angelo?!

— Espere, senhorita Morissette, eu não…

A filha da mãe nem esperou eu terminar a frase e simplesmente saiu, fechando a porta atrás de si. Um movimento lá embaixo me faz olhar na mesma direção e me vejo completamente duro. Eu fiquei excitado com essa droga de reunião, sério?

— O que é isso? Você é adepto a mulheres mandonas agora, porra?! — ralho furioso para o meu pau e bufo audivelmente, irritado.

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