Capítulo 7 7

Ethan

Essa garota é mesmo inacreditável! Bufo, irado, enquanto saio do elevador, direto para o meu carro. É incrível como ela consegue me levar ao limite, ao extremo mesmo. E eu pensando que ela seria uma exceção. Bonita, sexy, sensata e inteligente. Meu Deus, como as aparências enganam! Foda é sair do seu prédio carregando comigo o seu perfume, que acabou ficando entranhado na minha camisa.

Solto uma lufada de ar pesada pela boca, levo a chave à ignição e ligo o motor, rasgando pneus para sair dali. No meio do trânsito, um tanto calmo agora, o desenho da sua boca carnuda preenche a minha visão e, puto da vida, freio o carro bruscamente, recebendo alguns xingamentos dos motoristas atrás de mim. Que grande merda!

Penso, fechando os olhos e inclinando a cabeça sobre o volante, buscando o meu autocontrole. Ele deve estar aqui em algum lugar. Como uma garota mimada conseguiu me desestabilizar dessa maneira? Como ela consegue infernizar a minha vida com tão pouco? O pior é permitir a sua assombração ao longo do meu caminho. Sei que o papai exigiu uma refeição de negócios, retratar uma situação que ela mesma criou, mas, cara, não dá! Com ela não.

Penso entrando no meu apartamento e, para a minha felicidade, recebo o seu silêncio e a quietude do meu lar. Estou faminto ao ponto de devorar um leão, mas não penso duas vezes antes de subir as escadas e ir para o meu quarto, louco para me livrar dessa camisa e desse cheiro que está me fazendo ferver de dentro para fora. Contudo, garanto que não é de tesão. Não por aquela maluca destrambelhada.

Agitado, largo as peças de todo jeito pelo chão e respiro fundo, entrando debaixo do chuveiro. Um banho calmo, quente e relaxante. Era disso que eu precisava. Meu Deus, dá para sentir toda aquela tensão se esvair junto com a água e imediatamente ela surte o efeito esperado.

Meia hora depois, estou usando apenas um short folgado e chinelos de dedo e entro na minha cozinha preparando um espaguete ao gorgonzola. Assim que separo os ingredientes para o grande final, o sinal de uma chamada de vídeo me faz parar.

— Oi, lindinha! — falo carinhosamente para a Marie, a minha irmã gêmea, que tem um lindo sorriso no rosto e um brilho esfuziante no olhar. — Por que está me ligando a essa hora?

— Oi, maninho! Por quê? Eu não posso te ligar?

— Até pode, mas a essa hora você costuma ficar atracada no seu namorado.

— Eu estou ouvindo isso, hein? — David rosna sem ao menos aparecer na tela e eu reviro os olhos. O sorriso de Marie parece crescer ainda mais.

— Eu tenho um convite pra você.

— Olha, que diferente! Para onde vamos?

— Jantar na casa dos nossos pais amanhã.

— Mas amanhã não é final de semana — retruco, colocando o celular em um suporte, e começo a me dedicar a finalizar a minha refeição.

— Não é, mas temos uma notícia para dar a todos, então... — Ela deixa a frase no ar e eu paro o que estou fazendo.

— O que estão aprontando? Não me diga que eu vou ser titio por esses dias?

— Deixa de ser bisbilhoteiro, Ethan D’Angelo! Você saberá de tudo junto com todos.

David ralha, um tanto presunçoso, surgindo na tela no mesmo instante.

— Eu sou o seu melhor amigo e ela é a minha irmã gêmea. Então não me venha com essa de esperar! — retruco com humor, mas a verdade é que estou curioso com o que esses dois estão aprontando.

— Essas posições não lhe dão privilégios, meu caro amigo. Até amanhã na hora do jantar!

— David Thornton, não se atreva a... Filho da mãe! — rosno quando ele encerra a chamada bem na minha cara e me pego rindo do seu atrevimento.

Não demora para eu estar acomodado a uma mesa retangular de vidro de oito cadeiras em um jantar solo, lendo o jornal do dia e devorando o meu prato.


No dia seguinte...

Entrar no escritório da presidência e encarar o senhor Heitor D’Angelo — o meu pai — depois do nosso último impasse foi difícil, mas mantive a minha postura profissional e conversamos como dois bons executivos que somos. Logo que trocamos algumas informações, fomos para a primeira reunião do dia. Voltar a ser espectador dessas reuniões não estava nos meus planos. Isso é tão irritante quanto frustrante e só me faz pensar que manter a distância daquela maluca é a melhor coisa a se fazer no momento.

É isso ou ela me leva para dentro de um buraco negro.

No meio da apresentação de um quadro financeiro de uma megaempresa de cosméticos, o meu celular começa a vibrar em cima da mesa e o nome “Stalking Maluca” começa a brilhar na tela. Incomodado, me ajeito na cadeira e olho para os empresários ao redor da mesa.

Contudo, encontro o olhar repreensivo do meu pai me fitando.

— Desculpa! — falo sem emitir som e guardo o aparelho imediatamente dentro do bolso, sentindo-o vibrar por precisamente meia hora consecutiva.

Que merda, ela não tem o que fazer não?!

Bufo internamente e, após isso, foi quase impossível me concentrar na maldita reunião.

— O que foi aquilo lá na reunião? — David indaga enquanto caminha ao meu lado pelo longo corredor da D’Angelo.

Apenas respiro fundo, porque eu não sei como explicar para ele que a presidente da Morissette LTDA resolveu me perseguir com um instinto quase psicopata. Contudo, não aguento mais ficar com isso guardado só para mim. Quer dizer, no começo esse comportamento soou divertido e até um tanto engraçado, mas agora está ficando assustador.

— Tem um minuto?

Pergunto, convidando-o a vir à minha sala. Sirvo-lhe um copo de uísque e me sirvo logo em seguida, acomodando-me na cadeira executiva atrás da minha mesa. Ele faz o mesmo, sentando-se de frente para mim.

— O que está pegando? — Ele inquere e sorvo um gole da minha bebida.

— Tem uma garota.

— Hum! — Ele arqueia as sobrancelhas com diversão.

— A Samanta Morissette.

— A gostosa da Morissette LTDA? — comenta, empolgado, e solta um assobio apreciativo.

— Ela está me enlouquecendo, David.

— Mas já?

O som da sua gargalhada se espalha pela sala e eu suspiro, encarando-o sério.

— Isso não é bom? — indaga, engolindo a sua risada sonora, e eu meneio a cabeça fazendo não.

— Ela conseguiu adiar a minha ida para a presidência.

— Opa, como assim?

Abro a boca para falar, mas o telefone volta a tocar. Portanto, ergo o aparelho e lhe mostro a chamada.

— Stalking Maluca? — E lá vêm mais gargalhadas. — Tadinha dela, Ethan!

— Tadinha dela?! Tadinho de mim! Ela não para de perseguir, ligou para o meu pai falando mal de mim e a consequência dos seus atos o fez adiar todos os meus planos. E você diz tadinha dela?! — rosno, impaciente, e esvazio o meu copo.

— Por que não a atende e descobre o que ela quer?

— Eu sei o que ela quer, David. Ela quer roubar a minha paz. É isso o que ela quer.

Me encosto na cadeira e levo dois dedos às têmporas, massageando-as em seguida.

— Me pergunto por que ela está fazendo isso comigo? — sibilo baixinho. — Será que foi pelo sexo? Eu não a satisfiz e ela quer me punir por isso?

— Espera aí. Você e a Samanta Morissette... porra!

— Eu não sabia que era ela, tá bom? Você sabe que eu não misturo prazer com negócios. Eu só... eu estava levemente embriagado, mas me lembro que fiz tudo direitinho.

— Deixa de ser idiota, Ethan, e não fale o que fez ou deixou de fazer com a sua dama!

— Ela não é a minha dama!

— Mas devia ser!

— Você é um péssimo ouvinte, sabia? — ralho, forçando um sorriso de desagrado. — Quer saber, eu vou trabalhar e você é um péssimo amigo. Está dispensado.

Ele se levanta da cadeira e me aponta um dedo.

— Estou me sentindo usado, hein?!

— Vai se foder, David!

Ele libera outra risada sonora.

— Uma coisa sobre mim, D’Angelo. Eu não sou fodido, eu fodo!

— Idiota! — rebato quando ele finalmente abre a porta e se retira da minha sala.

Volto a me sentar no exato instante em que o celular volta a tocar e, irritado, o jogo dentro da minha gaveta.

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