Capítulo 4 O passado

Cooper Austin Thompson

7 anos atrás

Olhei para o rosto ampliado de Lisa enquanto bebia uma garrafa de água. O anúncio cobria oito andares do edifício da esquina em frente ao novo escritório da Thompson’s no prédio novo. Pare de procrastinar e volte ao trabalho.

A Lisa em tamanho natural entrou em meu escritório, largou o estojo com seu violão no sofá e se juntou a mim na janela.

— Não posso acreditar no tanto que essa coisa é grande. Você disse que seria um outdoor. Isso é um prédio inteiro. Aquela lasquinha no dente da frente está com quase um metro de largura agora.

—Adoro essa lasquinha

— Eu odeio. O cara daquela reunião por telefone com quem falei ontem me disse que preciso arrumar isso e perder cinco quilos.

Ela colocou a mão na boca.

— Preciso colocar lâmina, verniz ou algo assim.

— Você não precisa consertar nada, e ele é um idiota de mau gosto. Ela suspirou.

— Não consegui o papel.

— Viu? Eu disse. Ele tem mau gosto.

— Você está sendo tendencioso porque eu transo com você.

— Não. Eu a puxei para perto.

— Fiquei sentado vendo a droga de uma ópera porque você transa comigo. Digo que você é uma boa musicista porque já assisti a todos os shows em que você tocou desde a faculdade, mesmo quando estava escondida no poço da orquestra. E desde que você começou a atuar, vi todas as apresentações o-Broadway.

—O-Broadway não é qualquer apresentação que não esteja na Broadway?

— Não. O-Broadway é uma apresentação em Manhattan com menos de quinhentas pessoas. O-o-Broadway é aquela apresentação que fiz no café do Village.

—E Você estava ótima.

Lisa me encarou seria e semi cerrou os olhos.

— Em que parte atuei?

— Na parte da garota sexy.

— Interpretei a mãe que estava morrendo de tuberculose. Você estava com o nariz enfiado nas palavras cruzadas o tempo todo. Ah. Aquela peça.

— Posso ter perdido algumas partes dessa. Em minha defesa, tinha acabado de descobrir palavras cruzadas. Vamos lá... palavra de oito letras para algo que entra seco e duro, mas sai molhado e mole? Estava ocupado contando as letras de “pau”, “pinto”, “pênis” e “mastro” uma dúzia de vezes antes de descobrir que a resposta era “chiclete”.

— Você é um pervertido. Dei um beijinho nela.

— Onde vamos jantar, Lasca? Ela cobriu a boca, mas sorriu.

— Não me chame assim. Eu comeria num tailandês. Que tal aquele lugarzinho onde fomos no mês passado?

— Eu topo.

Dei uma última olhada para meu novo quadro de avisos quando apaguei as luzes e fechei a porta do escritório. Do lado de fora, virei à esquerda para ir para a estação de metrô mais próxima, mas Lisa virou à direita.

— Podemos pegar o trem três desta vez? — perguntou. — Quero parar no Abrigo

—Claro.Lisapassou a ser voluntária em bancos de alimentos e abrigos quando estávamos na faculdade. E eu adorava que ela fosse apaixonada por ajudar as pessoas. Mas esse lugar tinha uns tipos violentos e transitórios. Não era incomum que brigas acontecessem algumas vezes por semana. Tentei falar sobre segurança. Infelizmente, ser voluntária era uma das poucas coisas de que ela não abria mão. Quando Lisa tinha cinco ou seis anos, o pai fracassado sumiu, deixando a mãe com ela e outras duas crianças. Eles quase não conseguiam pagar as despesas com dois salários e, apenas com o da mãe, a família se viu forçada a decidir entre comida e aluguel. Ela escolheu o aluguel, o que significava que eles costumavam ir ao banco de alimentos local durante algum tempo.

Um dos visitantes mais frequentes no abrigo estava sentado na frente quando chegamos.

— Ei, Luigi — disse Lisa que Já conhecia esse cara. Provavelmente só tinha uns trinta e poucos anos, mas as ruas o fizeram envelhecer. Ele parecia inofensivo o suficiente. Lisa tinha um vínculo especial com o cara – ele falava mais com ela do que com a maioria das pessoas.

— O que aconteceu com a sua cabeça? — Me inclinei com cuidado para manter a distância de que ele precisava. O homem estava com um corte grande perto da têmpora.

— Como isso aconteceu Luigi? — pergunto Lisa ele deu de ombros.

— Garotos. Nos últimos tempos, ocorreram alguns incidentes com adolescentes batendo em sem-teto nas ruas durante a noites Luigi não costumava dormir em abrigos. Os lugares estavam quase sempre lotados, e ele tinha problemas com muita gente perto.

—O abrigo novo na rua das flores está aberto — falei. — Passei lá outro dia. Não deve estar lotado, já que é novo e o clima está quente.

— Sim. Luigi disse, Para mim ele nunca dava uma resposta com mais de uma palavra.

— Acho que você deveria ir a Policia — disse Lisa Mesmo depois de todo o tempo que ela já tinha passado nesses lugares, ela ainda não entendia. Sem-teto não iam à delegacia. Atravessavam a rua quando viam policiais. Luigi balançou a cabeça furiosamente e puxou as pernas para o peito.

— Parece grave. Provavelmente você vai precisar levar uns pontos. Os garotos que fizeram isso vieram a esse abrigo? — perguntou Lisa Novamente, Luigi balançou a cabeça. Depois de alguns minutos, eu a chamei para entrar para fazer o que tinha que fazer e o deixamos sozinho. Quando entramos, o gerente do abrigo, Nelson, estava limpando a mesa do jantar Lisa imediatamente começou a interrogá-lo.

—Sabe o que aconteceu com a cabeça do Luigi? Ele parou o que estava fazendo.

— Não. Eu perguntei. Recebi a resposta de sempre, “nada”. Você é a única com quem ele fala mais do que “por favor” e “obrigado”.

— Sabe onde ele dorme à noite? Ele balançou a cabeça, em negativa.

— Sinto muito. A cidade tem mais de quarenta abrigos, sem contar armações de loja em baixo de trilhos de trem ou qualquer outro lugar que eles arrumem. Pode ser em qualquer Lugar Lisa franziu a testa.

— Certo.

— Sei que não é fácil, mas não há como ajudar aqueles que não querem ajuda. Ele sabe que é bem-vindo aqui.

— Eu sei. — Ela apontou para a despensa nos fundos. — Esqueci de pegar a lista de inventário. Tenho uma audição amanhã, então faço isso de casa. Enquanto Lisa se afastava, olhei ao redor. O lugar tinha sido pintado recentemente, e cada voluntário doou um cartaz emoldurado com sua citação motivacional favorita. Havia uma dúzia de quadros pretos na longa parede da cafeteria. O primeiro dizia: “Mesmo ao fim da noite mais sombria, o sol nascerá novamente”.

— Este é seu? — perguntei quando Lisa voltou com uma pasta.

— Não. — Ela me deu um selinho. — Pode ler todos outra hora, e vou lhe dar uma recompensa se você adivinhar qual é o meu. Mas quero falar com Luigi de novo antes que ele vá embora. — Ela puxou minha mão. — Então, vamos Luigi já não estava mais lá, embora não tenha sido difícil encontrá-lo. Eles estava caminhando no meio do quarteirão. Ele mancava com a perna direita e tinha um saco de lixo pendurado no ombro esquerdo. Lisa o viu um pouco antes de ele virar à esquina.

— vamos segui-lo. Quero ver aonde ele vai.

— Não vamos não .Eu disse segurando seu braço.

— Por quê?

— Porque é perigoso. E é uma invasão de privacidade. Não vamos seguir uma pessoa sem-teto.

— Mas, se soubermos onde ele dorme à noite, talvez a polícia possa ajudar.

— Não.

— favor...

— Não.

— Certo.

Eu deveria saber que ela não desistiria tão rápido.

Fomos para o outro lado pegar o Metrô para irmos a restaurante,percebi Lisa muito distante mais mesmo assim achei que fosse tristeza por não ter descoberto onde luigi dormia para ajuda lo.

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