Capítulo 2 Capítulo 2

Ela respondeu com os olhos marejados, olhando-a fixamente:

— Você devia ter me deixado morrer afogada, eu sei que foi você, lembro do seu cheiro, sua voz me dizendo que ia ficar tudo bem.

— Não faria muita diferença pra ninguém mesmo! É casada? Gosta de mulheres ou fez esse personagem pra me manipular? Por que não me deixou morrer?

Eloá estava com uma aliança de ouro na mão esquerda, respondeu friamente:

— Sou, com um homem, e tenho um filho. Eu sabia que você se lembrava da noite no iate, tive certeza quando te amarrei em casa.

— Ficou toda em choque, é claro, tão previsível e ingênua, super carente porque vive jogada de escanteio.

— Acredita em qualquer palavra bonita que te falam com uma esmola de carinho, né? Quer um miojo?

— Eu posso trazer, como sua última refeição em liberdade! E um suquinho barato porcaria, sem graça como você, o que acha, ruiva?

— Aiii, me ensina a te dar prazer, me fala se eu estiver fazendo algo errado. sonsa, você é muito dissimulada!

— Quer mentir pra mentiroso. Foi o Armando que te atacou? Aquele com certeza entregaria até a mãe pra se livrar, nosso melhor parceiro.

— Me colocou no hotel, colabora demais com as investigações. Sabia que seu namorado é parceiro dele?

— Mas esse é espertinho, não se suja como o seu clã. Ele joga dos dois lados! É assim que se chamam, né? O clã!

— Ai, que dó, nem pra mascote você serve. Vai me dizer algo ou não? Eu realmente queria te ajudar!

— Apesar de tudo, tenho pena de você. No fundo, é uma tola que acredita demais nos outros.

— Com certeza faz as coisas erradas pra ter um espacinho entre os grandões, pra ganhar parabéns e uma chupadinha. Homem você chupa, né?

— Só mulher que não. Então, eu acho que, no final das contas, você quem estava me usando.

— Sabia que era eu no iate e só se aproximou depois. Pensou que sua buc3ta valia tanto assim? Que eu ia abrir o jogo só porque estava te fu.d.en.do um pouco e sozinha?

— Morta como era na cama, eu posso imaginar por que todos preferem as mulheres de verdade e não você. Aiiii, tô tão apaixonada, gosto tanto que d.ói.

— Nem um virg.em cairia nessa sua cantada ridí.cula.

Rebeca estava chorando, olhando a Eloá fixamente, sentindo a d.or da dece.pção, traição e humil.hação. Falou, triste:

— Eu não sei de nada. Sempre fui sincera com você. Espero que tenha valido a pena todo o seu esforço me aturando e fingindo gostar.

O Neto estava ouvindo tudo atrás da porta. Entrou também fardado e começou a falar, encarando-a fixamente nos olhos:

— Você está sendo leal sozinha. Eles estão entregando a eles mesmos, seu nome está sendo citado por mais de uma pessoa e o seu namorado rico, com certeza, só está com você interessado na sua parte do hotel.

— Fala o que sabe contra o Noah, a Kimberly. Nós vamos te ajudar, Rebeca!

Ela respondeu, irônica:

— É claro, e por que mais alguém ficaria comigo, se não por interesse? Eu já disse que não sei de nada.

— Se não forem me prender agora, vou dormir. Quem sabe aqui eu tenho paz ou na cadeia, né? Sozinha!

— Do jeito que eu mereço ficar. Ah, sei de uma coisa, o Armando é um assa.ssino, estr.upa.dor e matou a Aisha grávida dele, acabou com a Lara, com os sogros dele, mas isso com certeza não traz benefício nenhum pra vocês, né?

Ela deitou de lado com dificuldade. Os dois se olharam, notando que o plano deu errado, Eloá saiu primeiro. Neto falou antes de sair do quarto:

— Vai ficar um policial na sua porta, por precaução, caso quem tentou te mat.ar volte para terminar o que começou. Quer ligar para alguém?

— A Suzan não pode passar nervoso por causa da gravidez de risco, mas com certeza disso você já sabe, já que ontem ligou pra dizer apenas que a ama.

Ela ficou quieta, perplexa com a novidade. A Suzan estava grávida do Célio. Logo Rebeca dormiu, depois de chorar muito e sabia que não ia falar nada de ninguém, porque não ia adiantar.

Lá fora, estavam falando sobre ela. O Neto falou que ela não ia falar se tivesse medo, que com certeza recebia ameaças.

A Eloá falou que não era medo, era lealdade. Eles decidiram ir atrás do Armando, que estava fugindo há meses e deixou de colaborar com as investigações.

Horas depois, a enfermeira foi levar o almoço e mais medicação, acordou-a e aplicou na veia. Com do.res no corpo todo, cansada e sem saber se poderia ir embora ou não, ela foi ao banheiro e voltou a dormir.

Estava "desaparecida" há mais de dez horas, desde a madrugada e durante o dia inteiro. Cedo, o Ramon foi para o sítio e, ao ver a Solange lá, ficou mais preocupado.

Começou a ligar perguntando por ela. O Dylan foi à casa dela e disse que ela não dormiu lá. A Suzan falou para o Tato sobre a última ligação recebida, e ele disse que a Rebeca devia estar com o namorado, mentiu para tranquilizá-la.

Não ligaram para o Pablo, porque ele já tinha enviado uma mensagem ao Tato cedo, perguntando da Rebeca. Por último, o Ramon falou com a Kim.

Ela disse chorando que havia passado a noite em claro, sentindo que tinha algo errado acontecendo. Ninguém sabia e nem tinha visto nada. A polícia não deu entrada dela na delegacia e nem no hospital. Fizeram de propósito pra ninguém saber onde encontrá-la e terem mais tempo para coagir ela.

Quando Rebeca acordou, o Neto estava lá, sentado ao lado da cama, sério, a observando. Ficaram em silêncio um tempo, olhando-se fixamente, e, mesmo sem dizer nada, ambos estavam pensando nas mesmas coisas, no passado e em como tudo mudou.

A diferença era só que ela estava pensando em como se orgulhava dele, e ele, em como era contra a nova pessoa que ela se tornou.

Ela logo disse, sonolenta, mexendo-se para se sentar e vê-lo melhor:

— Vai me prender agora, Neto? Ou veio brigar mais um pouco?

Ele disse, debochado, indo sentar na beirada da cama:

— Hoje não, Rebeca! Como se sente?

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