Capítulo 4 Capítulo 4

O Ramon foi atrás, quase discutindo, começou a falar do quanto estavam com problemas. Ela só o ignorou e foi deitar.

Ele falou, tirando as roupas e os sapatos, que ia deixar o mundo pegar fogo lá fora pra ficar com ela. Deitou e admitiu que não sabia falar sobre o que aconteceu, porque ele, como pai, ficava louco de imaginar que tinha perdido um filho.

Desculpou-se por tê-la deixado sozinha, falou que da cadeia não ia poder cuidar dela. Ela perguntou se ele realmente estava correndo perigo. Ele disse que sim, pediu pra ela descansar e tentar dormir. Ficou se sentindo muito culpado por estar sendo um pouco negligente com Helena.

Assim que a Rebeca entrou no quarto, sentou na cama, ficou cabisbaixa, com as mãos no rosto. O Pablo falou, sentando ao lado:

— O que aconteceu de verdade? Fala comigo!

Ela respondeu, irônica, indo para o banheiro:

— Fala você, Pablo! Vai continuar mentindo até quando?

Ele perguntou do que ela estava falando, recebeu o silêncio como resposta. Ela entrou para tomar banho de porta aberta. Ele ficou encostado, olhando fixamente para o chão, pensativo, sério.

Ela demorou meia hora no chuveiro. Quando saiu e passou por ele, falou que queria a verdade. Ele se aproximou e falou sério:

— Se você nunca me perguntou, então eu não menti. Quer ajuda? Me fala o que aconteceu?

Ela colocou uma camiseta primeiro, depois calcinha e deitou. Falou que estavam atrás dela e que, por isso, capotou o carro. Ele sentou próximo, começou a falar quase chorando:

— Foi o Armando? Eu nunca sei o quanto você sabe. O que ele quer com você?

Ela disse, irritada:

— Ah, para, vai! Você sabe de tudo, é parceiro dele, não é? Por que tá comigo?

— Todo esse teatro de melhor amigo apaixonado é por interesse, né? Se você não vai ser sincero, pode ir embora!

Ele abaixou a cabeça, levou as mãos ao rosto e ficou quieto. Ela se mexeu, tentando se cobrir, e g3meu de dor. Ele falou, preocupado:

— Quer ajuda? Remédio?

Ela o mandou ir embora. Ele respondeu a olhando fixamente nos olhos:

— Faz uns dois anos que eu comecei a agir pelas costas do meu tio. Surgiu uma oportunidade e eu aceitei.

— O Armando tem vários contatos e a gente trocava favores. Começou com coisa pequena, políticos, licitações, lavagem de dinheiro meu, das coisas que eu fazia escondido do meu tio.

— O Armando cobrava por tudo e garantia que o Noah não ia saber. Como nunca fui fã do seu clã, não dava importância, e as brigas de família pouco me importavam também.

— Você sabe que meu tio não merece tudo o que dei, ele recusou negociar com o Armando várias vezes porque preferia a Kim. Eu aceitei e fiz acontecer.

— Uns meses antes de te conhecer, as coisas começaram a ficar perigosas. Eu via o Armando com a Aisha e tinha medo. Se ele perdesse o acesso ao hotel pela Kiara, seria quase inútil.

— Eu achei que o Ramon estava desconfiado, ele é cheio de contatos na polícia e tivemos um caminhão com meia tonelada preso.

— Queriam saber de quem era, porque era diferenciado dos comuns, a rota e os envolvidos. Meu tio não suspeitou de mim e eu dei a entender que não confiava no Armando.

— Ele estava se expondo com os traficantes e foi fácil tirar o foco. Meu tio desconfiou do Noah também, tinham acabado de fazer um negócio sobre estourar cofres de bancos, uma coisa tola, não era nem pelo dinheiro, era pelo prejuízo.

— Meu tio é assim, um egocêntrico, tem uma coleção de coisas avaliadas em milhões e ninguém nem vê.

— Quando prenderam a mercadoria, pareceu coincidência. Teve outro pedido e eu fui pessoalmente buscar, quase me pegaram. Eu fui pra cima do Armando, desconfiando dele, e as ameaças começaram.

— Um cara falou do nosso esquema e a polícia começou a investigar. Eu não tive alternativa, fui cedendo às chantagens, me enrolando cada vez mais. Se o Armando falasse pro meu tio, eu estaria morto, se falasse pra polícia, preso.

— Não importa o quanto você fez, se deixar de fazer, já era! A Aisha começou a colocá-lo em risco e sabemos o que aconteceu, você estava lá.

— Ela queria ficar com o bebê e ia contar pra família. O Noah ia matar o Armando e ele sabia que ia perder tudo se não a fizesse ficar quieta.

— Você e eu não temos nada a ver. Desculpa falar assim, mas você não tem nada a me oferecer, tá com tudo no seu nome, mas não é seu de fato.

— Não tem família e só se importa com o seu clã, e olhe lá. Se alguém for te usar, chantagear, vai ser bem difícil. Acha o quê?

— Que tô namorando você pra ter acesso a mandar no hotel? Meu tio tá doente e, a essa altura, o hotel é o menor dos problemas, pelo menos pra mim.

— Virou um problema só pra você! Posso não ter sido tão sincero, mas você é quem mais esconde as coisas.

— Me explica como chegou onde está? Em tão pouco tempo? Nada faz sentido quando envolve você e, se quer saber, você foi usada e continua sendo.

— Desde que me aproximei, eu vejo o poder da Kim sobre você. Ela é exatamente como o Armando dizia, manipuladora e calculista.

— Digamos que ela te deu ou vendeu a parte dela no hotel, que tipo de amiga faz o que ela vem fazendo? Te deixando sozinha dessa forma?

— Sabe o que vai acontecer se o Armando mentir e disser que você é a cabeça por trás disso tudo? Eles pouco se importam se você tá roubando, traficando há um ano ou se seus amigos estão há dez. Querem resultados!

Ela respondeu, confusa:

— Você não está falando tudo. E por que se preocupa tanto comigo? Acha que eu fiquei com você por interesse? Pra saber das coisas?

Ele disse que ela também não estava. Perguntou o que tinha acontecido na noite anterior. Ela se sentou, encostou na cabeceira, falou sentida, olhando-o nos olhos:

— Você não disse ainda qual o seu interesse nisso tudo. Eu fui levar a Sol pra ficar com a irmã dela e, quando estava voltando, duas motos começaram a me perseguir e atiraram.

— Quando capotei, tirei o cinto e o Armando apareceu, me arrastou pra fora do carro, ameaçando. Ele ia me matar e sabe o que é pior?

— Acho que você sabe de tudo isso. Onde estava ontem? Com ele? O ajudando fugir?

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