Capítulo 2 Prólogo - Parte 2
— Criança? — Repetiu, completamente surpreso, afinal, jamais recebera visitas infantis, ainda mais no ambiente de trabalho.
— Uma menina, deve ter uns dez, onze anos. Ela disse que precisa falar com o senhor e que é muito importante. Sinceramente, não sei nem como ela conseguiu entrar aqui, mas entrou. — Explicou, desconcertada e totalmente sem graça.
— Tem certeza de que é comigo que ela quer falar? Será que essa garotinha não se confundiu? — Pensou em todas as possibilidades.
— Acredito que não. Ela disse o nome completo do senhor, se bem que, como você é um ator famoso, não é muito difícil saber seu nome inteiro. Ah, ela disse que o que tem a falar é muito importante e do seu interesse.
— Mande os seguranças a levarem daqui. Essa menina deve estar perdida. Peça que tentem achar um parente dela para devolvê-la, deve ser filha de algum funcionário do estúdio, sei lá. A única coisa que sei é que não é comigo que ela quer falar.
— Como quiser, senhor. — Liza deu meia volta para sair da sala, mas voltou novamente. — Com todo o respeito, por quê não houve o que ela tem a dizer? É só uma garotinha, senhor. — Liza intercedeu pela criança, pois havia conversado com ela rapidamente e se encantado com sua aparente doçura. — Por favor, senhor Miller. O senhor tem um bom tempo livre antes da gravação ainda. — Insistiu.
— Falta quanto tempo para começar a gravação? — Ao ouvir a pergunta dele, a jovem sorriu e deu uma olhada em seu relógio de pulso.
— Meia hora.
— Está bem, traga essa menina aqui. — Edward concordou, passando a mão por seus cabelos castanho-claros — E não me chame de senhor, por favor. Vivo te pedindo isso, mas você sempre esquece, não é? — Piscou para a loira, todo sedutor.
— Desculpe, está bem, senhor! — Concordou animada, saindo da sala do moreno que respirou fundo.
Alguns segundos depois, uma garotinha de cabelos castanhos e olhos verdes entrou na sala dele. Usava um vestido preto e all star da mesma cor, além de uma mochila do mesmo tom nas costas. A menina se sentou de frente para ele na enorme poltrona que havia do outro lado da sala.
— Olá, moço! — O cumprimentou.
— Olá, mocinha. Como conseguiu entrar aqui?
— Foi super fácil! — Fez uma carinha de sapeca. — Falei para os seguranças que era filha de um famoso e eles simplesmente me deixaram entrar. Depois, peguei carona em um daqueles carrinhos de estúdio e um elevador super top. Depois falei com a moça que disse ser sua secretária particular. Ela é muito legal, aliás. Conversamos por um tempinho, ela passou meu recado e aqui estou.
— Hum... Me parece uma pequena aventura. Mas o que você quer aqui? — Perguntou, tentando parecer simpático, mas sabia bem que não levava o menor jeito com crianças.
— Vim falar com o senhor! — Respondeu, se levantando e começando a andar pela sala dele. A garota pegou um objeto da decoração que estava sob a mesa de Edward e ficou observando-o.
— Cuidado com esse vaso, é caríssimo! — Alertou e ela devolveu o objeto para a mesa, não sem antes revirar os olhos — Você me conhece? De onde?
— Claro que conheço, o senhor é muito famoso! Quer dizer, digamos que sim! E calma, ok? Não vou quebrar esse vaso cafona, não! Ou você pensa que só porque sou uma criança, sou desajeitada?
— Olha aqui, esse vaso não é cafona. É de muito bom gosto, menina. — Edward revirou os olhos de volta — Enfim, diga logo o que quer. Tenho uma gravação daqui a pouco e você está me atrapalhando. — Acabou sendo rude com a garotinha, que ficou chateada e baixou a cabeça. — Ei, não precisa ficar assim. Não falei por mal!
— O senhor é um metido! — Exclamou, cruzando os braços e fazendo biquinho.
— Hum? — Fez-se de desentendido, enquanto bebia um gole de água.
— Já que o senhor quer que vá direto ao ponto, irei ir direto ao ponto! Sou sua filha! — Exclamou a menina e o moreno engasgou com a água, enquanto arregalava ainda mais os olhos.
— O QUE VOCÊ DISSE, MENINA?! — Perguntou, completamente perplexo, se levantando da cadeira. — Eu não tenho filhos! Não tenho, nem pretendo ter! — Começou a tossir ainda engasgado com a água. — Mas que bobagem! — Começou a rir sem parar. — Isso é alguma pegadinha? Se for, não tem a menor graça. Acredite.
— Sinto-lhe dizer, mas sou sua filha sim. — Ela confirmou calmamente enquanto se sentava de novo.
— Não estou entendendo nada! — Edward andava de um lado para o outro, completamente confuso com a afirmação da garotinha.
— Irei resumir, já que o senhor está sem tempo. — Levou as mãos a cintura — Há uns doze anos, o senhor e minha mãe fizeram aquela coisa nojenta que os adultos fazem... Não sei o que é mais nojento, se é beijar ou fazer aquilo. Eca! — Fez uma careta de nojo. — Daí a mamãe ficou grávida e eu nasci. E antes que me diga que não foi assim, eu não acredito mais na história da cegonha. Infelizmente, eu descobri que era tudo mentira.
— O que? Quem é você? A sua mãe? — Ele ignorou quase tudo o que ouviu dela, coçando a cabeça, ainda mais perdido do que antes. — Acho que estamos tendo um mal entendido, só pode ser isso. — Deu um sorriso nervoso.
— Me chamo Harper. E minha mamãe se chama Anabella.
— Anabella? Não, não pode ser. — Engoliu em seco, enquanto a menina tirava a mochila das costas, a abria e pegava uma foto. Em seguida, se aproximou de Edward e lhe entregou a foto de uma linda mulher.
