Capítulo 4 Capítulo 1

Primeira fase.

Dallas, 2014.

— Droga... — Bella resmungou, deitando-se de barriga para cima na cama de solteira de seu quarto, que era todo vermelho e cheio de pôsteres de um certo músico famoso. — Não acredito que vou perder o show da The Anyway! Não vou ver Edward de pertinho como sempre sonhei, isso não é justo! Não é justo! — A morena de olhos cor de chocolate lamentou, deixando algumas lágrimas caírem.

Anabella Williams era uma típica adolescente de dezessete anos. Alegre, divertida, rosto coberto de espinhas, apaixonada por séries e filmes de comédia romântica. Mas nada disso se comparava ao amor que sentia pela banda de rock jovem The Anyway, especialmente pelo guitarrista da mesma que atendia pelo nome de Edward Miller. Seu amor por ele era tanto que ela presidia há dois anos um dos principais fã-clubes do rapaz na cidade. E ela realmente dedicava quase todo o seu tempo livre para cuidar disso com todo o amor do mundo. Páginas na internet, blogs, colagens, fanfics... Qualquer coisa que ela fazia trancada durante horas no quarto sempre tinha algum tipo de relação com ele.

— Não fique assim, filha. — Rachel, mãe da garota, tentou consolá-la, sentando-se na beira da cama e passando a mão carinhosamente na perna da menina. Mas não adiantou.

— Como não vou ficar triste, mãe? Estou há meses esperando por esse momento e agora que está no último dia da venda dos ingressos, a senhora diz que não vai dar para comprar? Por que não me disse antes? É meu maior sonho,  poxa! Isso não é justo! — Sentou-se na cama, limpando as lágrimas com os dedos. — Eu sei que temos uma vida humilde, com limitações, eu sei muito bem disso. Eu entendo. Mas a senhora tinha prometido que conseguiríamos comprar o maldito ingresso. Por quê me iludiu então, mãe?

— Eu sei, princesa, mas esses últimos meses têm sido muito apertados financeiramente para mim e para o seu pai. Você precisa entender. Eu realmente pensei que poderíamos comprar, mas não posso permitir que falte comida na mesa — a dona de casa argumentou, pondo a mão sob o ombro da filha. — Me desculpa mesmo. Sei que deve estar doendo, filha, mas não posso fazer nada. Eu realmente sinto muito.

— Está bem. — Bella concordou cabisbaixa quando Peter, seu pai, entrou no quarto. — Oi, pai. — Suspirou, tentando parar de chorar, sem muito sucesso.

— Ei, princesa, por que está chorando? — O moreno de cabelos pretos e barba levemente grisalha, que dizia ser caminhoneiro, questionou aproximando-se da garota.

— Mamãe já me contou sobre o lance dos ingressos. — A garota respondeu, se levantando e se aproximando de Charlie.

— Ah, é isso? Feche os olhos. — Ordenou com um pequeno sorriso.

— Por que? — Bella indagou com a sobrancelha arqueada.

— Apenas feche os olhos. Anda, filha! — Ele insistiu, sendo obedecido prontamente por Anabella. — Pronto, pode abrir.

— O que é isso? — A estudante do último ano do ensino médio perguntou, pegando um envelope roxo das mãos dele. — Não me diga que é... — Boquiaberta, Anabella não conseguira terminar a frase.

— Isso mesmo, são os ingressos para o show da banda favorita da minha princesinha! — Peter revelou, vendo um sorriso imenso brotar nos lábios da filha.

— O senhor é o melhor pai do mundo! — Bella exclamou, abraçando-o forte — Obrigada, obrigada, obrigada! — Agradeceu, beijando a bochecha do caminhoneiro e, em seguida, o cartão do ingresso. — Vou ligar para as meninas do fã-clube, elas vão surtar quando eu contar que eu também consegui o ingresso! Hoje é o dia mais feliz da minha vida! — Gritou animada, quase explodindo de felicidade, correndo até o celular e discando para suas amigas que atendiam pelos nomes de Andrea, Aysha e Renata.

— Ai, ai... — Sorrindo, Peter retirou-se do quarto, seguido de sua esposa.

— Querido, o que foi aquilo? — Rachel perguntou, segurando o braço dele no corredor da pequena casa onde moravam há cerca de quatro anos. — Como conseguiu dinheiro para comprar o ingresso para o show da nossa filha?

— Como eu consegui o dinheiro? Simples — Peter coçou a cabeça e desviou o olhar — Com um caminhoneiro amigo meu. — Deu um sorriso nervoso. — Pedi emprestado, é isso. Não se preocupe, vou pagá-lo em pequenas parcelas durante uns três meses, não será nada que interfira gravemente no nosso orçamento. Você sabe que nunca vou deixar faltar comida na mesa. — Deixou claro, dando um selinho na loira que suspirou aliviada ao saber que seu marido não tinha feito nenhuma loucura para comprar aquele ingresso.

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