Capítulo 5 5. CAIO
Uma semana foi suficiente para deixar meu advogado a par de tudo o que precisaria ser feito durante a minha ausência. Depois de revisar cada detalhe e ter certeza de que nada ficaria pendente, finalmente chegou o dia da viagem.
Com as malas prontas, sigo para o aeroporto.
Assim que chego, encontro Phil me esperando.
— Dormiu no aeroporto, Phil? — pergunto em tom sarcástico.
Ele revira os olhos.
— Nunca faria isso. Estou viajando com você porque também estou de férias. Ou você não quer que eu viaje, Caio?
— Lógico que quero. Você é meu amigo desde que cheguei aqui. É claro que quero você viajando comigo.
Phil sorri.
— Então pare de reclamar e vamos embarcar.
Não demorou muito para chegar a hora do nosso voo. A viagem foi tranquila. Em determinado momento, acabei dormindo algumas horas, algo que não era comum para mim. Fizemos uma escala e, enquanto aguardávamos o próximo embarque, Phil me observava com um sorriso divertido.
— Não sabia que você era tão tranquilo em uma viagem de avião. Dormiu como uma criança.
— Nem eu sabia, Phil. Não sou homem de dormir demais, mas até que foi bom. Assim não chegarei tão cansado.
— E o que pretende fazer quando chegarmos?
Sorrio.
— Sair.
— Imaginei.
— Quero conhecer as melhores boates, beber, dançar e aproveitar a vida. Passei tempo demais preso a ternos, gravatas, reuniões e contratos. Quero esquecer tudo isso por alguns dias.
Phil balança a cabeça.
— Você e suas loucuras. Eu estou fora dessas aventuras.
— Você precisa se divertir um pouco.
— Eu me divirto sem precisar acordar no dia seguinte sem saber onde estou.
Dou uma risada.
— Entendo que nós, homens, não somos santos, mas você nunca dura com uma mulher. E olha que já está ficando de idade.
— Velho está você! — retruco, fingindo indignação. — Vou completar trinta e oito anos.
— Exatamente. Já passou da idade de ficar correndo atrás de qualquer mulher em boate.
Fico sério.
— Quer saber? Diante de tudo o que já passei, talvez seja melhor mesmo continuar solteiro.
Phil não percebe a verdadeira razão por trás da minha resposta.
Ele não sabe que já fui casado.
Não sabe que existiu uma mulher na minha vida capaz de me fazer acreditar que eu poderia ser feliz ao lado de alguém.
E muito menos imagina que ainda guardo minha antiga aliança.
É a única lembrança que mantive daquele passado.
Mabel.
Só de pensar nela, sinto uma pressão estranha no peito.
Ela foi diferente de todas as mulheres que conheci. Não apenas pela beleza, mas pelo jeito como me amava, pela forma como acreditava em mim e pela maneira como conseguia enxergar além do homem poderoso que eu tentava ser.
Talvez seja justamente por isso que nunca consegui esquecê-la completamente.
Afasto os pensamentos.
Não vim para San Francisco para lembrar do passado.
Vim para aproveitar minha liberdade.
---
Quando finalmente descemos do avião, Phil segue para o hotel onde ficará hospedado.
Eu, porém, não quero saber de descanso.
Depois de tantos anos longe de San Francisco, quero sentir novamente a energia da cidade.
Procuro uma das boates mais badaladas e entro disposto a esquecer completamente o trabalho.
A música alta, as luzes e a quantidade de pessoas fazem com que, por algumas horas, eu consiga me desligar de tudo.
Entre uma bebida e outra, conheço uma loira que se apresenta como Pâmela.
Ela é bonita, sabe exatamente como chamar atenção e demonstra interesse por mim desde o primeiro momento.
Conversamos, dançamos e nos beijamos.
A atração é imediata.
Depois de algum tempo, seguimos para uma área reservada da boate, onde ficamos juntos e aproveitamos a noite sem qualquer promessa ou expectativa.
Era exatamente o que eu queria.
Nenhum compromisso.
Nenhuma cobrança.
Nenhum sentimento.
Apenas liberdade.
Bebo mais do que deveria e, conforme as horas passam, sinto o álcool tomar conta do meu corpo.
Já era madrugada quando decido voltar para a pista.
Quero continuar aproveitando a noite, mas Pâmela aparece novamente ao meu lado.
— Caio, fica comigo mais um pouco.
— Já chega. Afaste-se de mim — peço, tentando manter a calma.
— Só mais uma vez.
— Pâmela, eu não vim a essa boate para casar. Vim apenas aproveitar a noite.
Estou bêbado e começo a perder a paciência.
Ela segura meu braço e tenta me conduzir novamente para a área reservada.
— Eu não quero ir a lugar nenhum.
Mesmo assim, ela insiste.
Acabamos novamente na cabine, e Pâmela tenta se aproximar de mim.
Eu me afasto.
— Sai do meu pé! Maldita hora em que fiquei com você. Afaste-se de mim.
Ela me encara, completamente diferente da mulher que conheci algumas horas antes.
— Nenhum homem fala assim comigo! Eu não sou qualquer uma.
— Então simplesmente vá embora.
Os olhos dela ficam cheios de raiva.
— Você vai se arrepender disso.
Antes que eu consiga entender o que pretende fazer, Pâmela começa a rasgar a própria roupa e a se arranhar.
Fico completamente assustado.
— Para com isso! O que você está fazendo?
Tento impedir que ela continue, mas ela se solta.
De repente, sai correndo.
— Socorro! Ele me agrediu!
Meu sangue gela.
— O quê?
Corro atrás dela.
— Espera! Isso é mentira!
Mas tudo acontece rápido demais.
