Prólogo
"Vamos acabar com esse relacionamento, não vai fazer bem para nenhum de nós," Daniel expressou com uma voz rouca que ele usava para esconder sua dor.
Ele sabia que estava machucando ela, que estava arrancando seu coração, embora fosse a decisão mais inteligente que encontrou.
Ele a olhou, tentando falar o mais composto que seus nervos permitiam, mesmo estando tão machucado quanto ela. Ele lutou com a língua para pronunciar aquelas palavras com o coração partido em mil pedaços.
Kinder estava olhando para ele, com um olhar cheio de tristeza, dor e lágrimas escorrendo pelo rosto, incapaz de entender por que ele estava terminando com ela.
Será que ela fez algo errado? Ele foi um mentiroso durante todo esse tempo? Ele mentiu sobre seus sentimentos por ela?
Ela não conseguia entender por que o cara com quem sempre sonhou em passar a vida estava a machucando, o único cara que ela amava intensamente.
"De quem você quer preservar o bem agindo assim?"
"Você sabe o quanto eu me importo com você, sabe como vou me sentir depois da sua partida, eu não quero que você me deixe," ela implorou, expressou, enxugando com a mão as lágrimas que escorriam pelo rosto.
Ela as enxugou, incapaz de parar, não conseguia, de onde tiraria essa força quando o cara que ela amava, o único que sempre quis, estava terminando com esse relacionamento que ela tanto prezava sem nenhuma explicação válida?
Cada lágrima que caía pelo rosto dela era como uma adaga no coração dele. Ele estava testemunhando sua alma gêmea chorando, a garota que ele amava mais que tudo.
A pior parte era que ele era a causa desse rio de lágrimas no rosto dela, mas ele deveria agir estoicamente.
"Você não pode simplesmente me deixar assim, não depois do jeito que você bagunçou comigo durante este mês."
"Eu não sou mais a pessoa que você deseja?"
"Não seja covarde e me diga que você tem outra namorada e não quer arriscar seu novo relacionamento," ela monopolizou a fala por um momento.
"Mas, por favor, não me diga essa besteira, essa desculpa esfarrapada, nem meus pais nem meu irmão vão ficar bravos sabendo que nos amamos," ela gemeu sem deixar uma palavra escapar da boca dele.
"Se você me ama como fingiu antes de roubar minha virgindade, vamos enfrentar essa situação como um casal," ela falou com um soluço na voz, segurando a camisa de Daniel.
Ele não conseguia entender ou explicar de onde encontrou a força para não derramar nenhuma lágrima durante o discurso dela.
Apesar da dor, sua decisão era irrevogável, como o pai de Kinder reagiria quando soubesse que o cara com quem ele sempre foi tão agradável era o mesmo que estava transando com sua filha?
Além de todos os medos, o que seu melhor amigo, Rune Houlton, que conhecia as aventuras de Daniel com todas as suas ex-namoradas, pensaria sobre isso? Ele nunca acreditaria em uma mudança no comportamento dele.
Ele não proferiu uma palavra desde o discurso dela, desde aquele monólogo, a sala estava em silêncio.
"Eu sei que você me ama como eu te amo, vamos enfrentar o que vier contra nós," ela quebrou o silêncio preenchendo a sala com sua voz suave e pequena, seus braços envoltos na cintura dele.
"Eu vou te contar a verdade se é isso que você precisa," ele finalmente abriu a boca.
"Eu nunca te amei, a única coisa que eu queria era sua buceta, e eu consegui, você foi apenas uma diversão para o meu pau, como todas as outras garotas foram," ele expressou sem gaguejar, sem medo, através de seus olhos esmeralda.
Com essas palavras, ela caiu de bunda no chão, seus joelhos não conseguiram sustentá-la, e ela estava sentindo uma dor que não acreditava que pudesse existir.
"Isso não é verdade, eu sei que você me ama tanto quanto eu te amo, pare de usar essa máscara de cara sem coração, não combina com você," ela gritou, seus olhos arregalados com lágrimas escorrendo pelo rosto.
"Por que você acha que eu tenho que deixar o bairro?" ele questionou com um sorriso sarcástico, inclinando-se para ela, segurando seu queixo para fazê-la encará-lo.
"Meus pais não vão ficar bravos, meu irmão vai aceitar com o tempo, não vá embora, por favor," ela soltou.
"Tudo vai ficar bem," ela não parava de falar.
"Isso é apenas parte do motivo," ele começou.
"Eu tenho outra namorada e seu irmão sabe do amor que tenho por ela, ele não concordaria depois de perceber que usei a irmã dele para diversão sexual."
"É por isso que estou indo embora," ele afirmou, com uma compostura inabalável.
"Pare de pensar que é por causa do seu irmão."
"Portanto, por favor, fique longe de mim, é para o seu bem," ele acrescentou.
Kinder estava no chão, atordoada, incapaz de acreditar no que estava testemunhando.
Ele se levantou e apontou para sua bagagem já arrumada, ele estava deixando-a com todas as esperanças e sentimentos que ela havia nutrido por ele, quebrados.
"POR QUÊ?" ela gritou com um soluço.
"Por que você tirou minha virgindade se sabia que iria embora? Por quê?" ela gritou, chorando, com a mão no peito como se tentasse segurar o coração para não cair.
"Foi só por diversão," ele explicou, rindo alto, era a única maneira que encontrou para exteriorizar seus sentimentos, para liberar a dor e a raiva que estava sentindo.
"Me odeie." Essas palavras, essas duas palavras foram as últimas que ela ouviu Daniel pronunciar e ele saiu da sala.
Deixando a sala e seu passado para trás, deixando-a com sentimentos vazios.
Ela estava quebrada, deitada no chão, incapaz de reunir forças para segui-lo.
Ela olhou para ele, atravessando a porta, e sem mais nenhuma palavra, ele fechou a porta atrás de si e foi embora.
Depois de marcar alguns passos longe da porta, ele silenciosamente enxugou as lágrimas que caíam pelo rosto e caiu de joelhos.
"Foi para o nosso bem," ele pronunciou, tentando se confortar com essas palavras.
Mas eles estavam machucados, ambos estavam quebrados, e nada poderia curá-los.
Talvez eles se curassem com o tempo dessa ferida.
Talvez.
