Capítulo 1: Quero me divorciar de você

No aniversário de casamento deles, Charlotte Blake estava arrumando o terno de George Summers quando encontrou uma meia-calça preta no bolso.

Charlotte raramente usava meias. Aquela havia sido feita para ser sexy e brega ao mesmo tempo — claramente não era dela.

Ela segurou a meia entre os dedos, que pareciam gelados.

De repente, a porta da entrada se abriu, seguida pelo riso suave e provocante de uma mulher. “George, você vai me levar para casa? Charlotte não vai ficar chateada?”

Charlotte levantou os olhos bem a tempo de ver George entrando com o braço em volta de uma mulher.

No instante em que viu a mulher, seu coração se apertou involuntariamente.

Ela conhecia aquela mulher — era Jennifer Walsh, o primeiro amor de George.

George estava com um braço em volta da cintura de Jennifer e carregava uma pequena mala com a outra mão.

George franziu levemente a testa ao vê-la, mas não disse nada, seguindo para a sala de estar com Jennifer ainda nos braços. Charlotte falou em um tom frio: “O que significa isso?”

Antes que George pudesse falar, Jennifer se apressou em responder. “Charlotte, não entenda mal. Minha mãe acabou de falecer, e eu tenho medo de morar sozinha. George ficou preocupado, então pediu que eu ficasse aqui por alguns dias.”

Quando viu a meia na mão de Charlotte, ela se aninhou timidamente nos braços de George, as bochechas corando. “Essa não é a meia que tirei da última vez, quando minha saia rasgou? Como ela foi parar com você?”

Havia um tom provocante e sugestivo em sua voz enquanto Charlotte olhava para George, parado em silêncio ao lado de Jennifer, a própria voz tremendo levemente. “Você não vai se explicar?”

Embora tivesse se preparado mentalmente, ela ainda queria saber qual era a postura de George.

“Explicar o quê?”, George disse friamente, olhando para ela com os olhos cheios de cansaço. “Não fique fazendo esse teatrinho como se fosse minha esposa me interrogando. Se você não tivesse dado um jeito de conquistar minha avó naquela época, acha mesmo que eu teria me casado com você?”

Charlotte ficou paralisada, as mãos se fechando involuntariamente, os nós dos dedos ficando brancos.

De que adiantava carregar o título de Sra. Summers? George não a amava nem um pouco — na verdade, até a ressentia.

“Charlotte, não pense besteira, não há nada entre George e eu”, Jennifer disse apressadamente, embora sua mão continuasse enlaçada no braço dele.

George franziu levemente a testa, parecendo um tanto impaciente. “Não liga para ela. Sua mãe acabou de morrer. Não é natural que eu esteja aqui por você?”

Jennifer e George tinham sido namorados desde a infância. A mãe de Jennifer havia sido muito boa para George. Se Charlotte não tivesse aparecido, Jennifer e George provavelmente já teriam filhos a essa altura.

“Sim, seu primeiro amor é tão importante assim para você. A mãe dela morreu, então você largou tudo para ficar ao lado dela. Quando meu pai morreu, você nem foi ao funeral.”

Ao dizer isso, até Charlotte sentiu a dor em suas próprias palavras.

Dois anos antes, depois da morte de seu pai, George havia alegado estar ocupado demais com o trabalho e apenas mandara presentes de condolências por outra pessoa, sem comparecer pessoalmente ao funeral.

Margaret Blake, a mãe de Charlotte, reclamara bastante na época, mas Charlotte o havia defendido.

Agora, vendo a atitude de George com Jennifer, tudo aquilo parecia uma ironia cruel.

Antes que George pudesse falar, Jennifer se apressou em dizer: “Charlotte, a culpa é toda minha. Eu não consegui aceitar a morte da minha mãe de imediato, e George ficou ao meu lado cuidando de mim. Por favor, não culpe George, está bem?”

“É mesmo?” Os lábios de Charlotte se curvaram em um sorriso frio.

“Agora que você está bem, qual é o problema? Por que ainda está se agarrando ao meu marido?”, Charlotte rebateu.

A expressão de George se fechou na mesma hora.

— Charlotte, pare de ser irracional!

— Eu estou sendo irracional?

As emoções de Charlotte explodiram sem aviso naquele instante.

Ela apontou para Jennifer, os olhos ficando vermelhos, e gritou:

— Hoje é o nosso aniversário de casamento, e mesmo assim você trouxe o seu primeiro amor para dentro da nossa casa! O que você pensa que eu sou?

O surto dela não arrancou de George o menor sinal de remorso; pelo contrário, só aumentou o desgosto dele.

— Chega! Não fique aqui fazendo escândalo feito uma megera e atrapalhando o descanso da Jennifer.

Enquanto falava, ele ajudou Jennifer a subir em direção ao quarto no andar de cima.

Charlotte observou os dois se afastarem, desesperada, sentindo que seus três anos de casamento não passavam de uma piada completa.

Com a voz calma, ela disse:

— George, vamos nos divorciar.

George parou e se virou devagar, a testa profundamente franzida.

— O que foi que você disse? — perguntou, como se não tivesse ouvido direito. A Charlotte que ele guardava na memória tinha tramado e se casado com ele sem pudor; como ela poderia aceitar um divórcio com tanta facilidade?

— Eu disse que eu quero o divórcio! — Charlotte repetiu. — George, já que você não consegue esquecer o seu primeiro amor, eu vou facilitar as coisas para vocês dois!

A expressão de George escureceu de imediato.

— Você já pensou bem nisso?

— Sim! — A postura de Charlotte era firme.

Percebendo o clima tenso, Jennifer tentou apaziguar às pressas:

— Charlotte, não fale isso no calor do momento. Converse direito com o George.

— Não há nada para conversar — George disse, com desdém. — Se ela quer divórcio, que seja. Quero ver até onde ela vai sem mim.

Dito isso, ajudou Jennifer a subir sem olhar para trás.

Charlotte ficou na sala vazia, atordoada por um bom tempo, antes de caminhar devagar para o andar de cima.

Ao passar pela porta da suíte do casal, ouviu a voz suave de Jennifer lá de dentro:

— George, eu estou com tanto medo. Toda vez que eu fecho os olhos, eu vejo a minha mãe.

A porta não estava fechada; estava só entreaberta.

Pela fresta, Charlotte viu Jennifer aninhada nos braços de George, chorando de forma lastimável.

— Você pode ficar aqui comigo hoje à noite, como da última vez?

George passou a mão de leve pelos cabelos dela, a voz baixa e serena.

— Tudo bem.

Charlotte fechou os olhos e, naquele momento, alguma coisa dentro dela ficou completamente anestesiada.

Ela e George estavam casados havia três anos. George nunca a havia tocado, e eles sempre dormiram em quartos separados.

Então George não era frio por natureza — ele só nunca teve a intenção de oferecer aquela ternura a ela.

Em silêncio, Charlotte voltou para o próprio quarto, puxou a mala de baixo da cama e começou a arrumar as coisas.

Foi então que o telefone dela tocou.

Do outro lado, a pessoa falou com educação:

— Srta. Blake, aqui é da Elysian Designs. Nós entramos em contato várias vezes sobre a vaga de Assistente do Designer-Chefe. A senhora já considerou?

Três anos antes, ela tinha ficado em primeiro lugar numa competição internacional de design. Incontáveis empresas renomadas de moda tinham feito propostas, mas ela recusara todas.

Naquela época, o coração e a cabeça dela estavam cheios de George. Ela só queria se dedicar à família e fazer o melhor possível para ser a esposa dele.

Uma a uma, as outras empresas pararam de procurar, restando apenas a Elysian Designs, que ainda mantinha contato com constância.

A pessoa continuou:

— Nosso CEO soube que a senhora é casada e ficou preocupado que pudesse ter alguma ressalva, então ele providenciou especialmente acomodação para a sua família também, caso a senhora não consiga deixá-los para trás.

— Não vai ser necessário — disse Charlotte, com calma. — Eu aceito.

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