Capítulo 10: Este é o território de George
—Droga!
Sarah praguejou para a figura de George se afastando e, em seguida, olhou para Charlotte com preocupação.
—Charlotte.
Charlotte sorriu com calma.
—A escolha dele nunca mudou, mudou?
—Isso não é verdade. O George só é cego, confundindo uma vadia falsa como a Jennifer com um tesouro. Ele vai se arrepender depois.
Depois de rebater, Sarah observou com cuidado a expressão de Charlotte mais uma vez.
Se soubesse que George e o grupo dele estariam ali, nunca teria trazido Charlotte.
Charlotte sorriu e disse:
—Tudo bem.
George era como um espinho cravado no coração dela, e ela o arrancava devagar.
Toda vez que ele corria para Jennifer sem hesitar, ajudava Charlotte a cortar o último fio de esperança que ainda restava.
George entrou às pressas no quarto do hospital. Jennifer segurava uma faca de frutas com a lâmina apontada para o pulso delicado; os olhos, vazios, murmurando para si mesma:
—Minha mãe não me quer, o George também não me quer. É melhor eu morrer. Quando eu morrer, vou ficar livre.
George arrancou a faca da mão dela, a voz apertada de medo.
—Você tem noção do que está fazendo?
—George... —Jennifer ergueu o olhar, os olhos cheios de lágrimas. —A vida não tem sentido nenhum. Eu quero morrer. Você vai deixar eu morrer, por favor?
Ela estendeu a mão, tentando pegar a faca.
George puxou Jennifer para os braços e a segurou com força.
—Eu te disse que sempre cuidaria de você. Eu estou aqui. Jennifer, viva bem. A gente prometeu ver este mundo juntos.
Ele acariciou os cabelos dela, acalmando suas emoções.
Logo, Jennifer se acalmou.
Ela ergueu o rosto, fitando George com intensidade.
—Você vai ficar sempre do meu lado, né? Eu sou a mais importante. Você não vai me abandonar por causa de mais ninguém. Sou eu que você ama, certo?
George hesitou, e os olhos frios de Charlotte —que já não estavam cheios de amor— passaram como um clarão diante dele.
Ele reprimiu a sensação estranha no peito e, com delicadeza, enxugou as lágrimas do rosto de Jennifer.
—Eu entrei em contato com a Casey, uma psicóloga de primeira. Você vai melhorar.
Jennifer abraçou George com força.
—George, você é tudo o que eu tenho.
George não disse nada; apenas a apertou contra si.
Por que ele se sentia tão vazio por dentro, querendo agarrar alguma coisa, mas sem saber o quê?
Depois de fazer Jennifer dormir, George saiu do quarto.
Ao ouvir o som, Jason se virou de imediato para encará-lo.
—A Jennifer está bem?
George olhou para ele, os olhos gelados.
Jason sorriu, tirou um cigarro e o acendeu, dando uma tragada.
—Fui eu que amarrei a Sarah. Eu não aguentava ver a Jennifer sofrer. George, se a Jennifer é quem você gosta, você não devia deixar que ela seja injustiçada.
George não disse nada, apenas passou por ele em silêncio em direção à saída.
Vendo isso, Jason o seguiu na hora.
—O que você está fazendo? Vai atrás da Charlotte?
George parou e olhou por cima do ombro, frio.
—Por que você abriu a rede de proteção e deixou os tubarões entrarem? Se ela tivesse morrido hoje, o que vocês estariam encarando?
Jason ficou levemente atônito e depois soltou uma risada de desdém.
—De qualquer forma, ninguém mais está protegendo a Charlotte. Se você não se meter, ela teria sido morta por um tubarão. Não tem nada a ver com a gente. George, a Jennifer precisa de você. Você não quer ver a Jennifer morrer, quer?
George franziu a testa, caindo no silêncio outra vez.
Depois de um bom tempo, George falou de novo:
—Limpe todos os rastros do seu crime.
Jason sorriu.
—É exatamente por isso que eu preciso da sua ajuda. A ilha inteira é sua. Ajudar a limpar isso não deve ser um problema, né?
George o encarou por um longo tempo e então saiu a passos largos, voltando para a própria vila.
O gerente da ilha estava esperando havia um tempo. Ao vê-lo voltar, aproximou-se imediatamente.
A voz de George soou autoritária. “Apague as imagens da vigilância e garanta que aquelas pessoas mantenham a boca fechada.”
Ao ouvir as instruções de George, o gerente ficou atônito por um instante antes de voltar a si e lembrá-lo, com cautela:
— E a Sra. Summers?
— Ela não precisa saber — disse George.
— Entendido.
O gerente se curvou e saiu, mas um calafrio percorreu seu coração.
Pela amante, ele era capaz até de ignorar a vida e a morte da própria esposa. George era realmente implacável.
Charlotte, que já tinha voltado para a própria mansão, logo recebeu a notícia.
A vigilância da ilha tinha apresentado uma falha e não havia captado nenhuma imagem do sequestro de Sarah.
Quanto aos tubarões terem entrado, foi porque a voltagem ficou instável em uma área e a cerca foi rompida.
Com algumas frases ditas de qualquer jeito, ficou decidido que o aparecimento dos tubarões fora um acidente — e que o sequestro de Sarah nunca aconteceu.
Nenhuma prova. Absolutamente nada.
Sarah ficou com tanta raiva que queria pegar uma faca e matar George com as próprias mãos.
Mas Charlotte permaneceu muito calma, até com disposição para fazer café.
— Charlotte. — Sarah se sentou ao lado dela, segurou seu braço e reclamou, num tom lamentoso. — O George é descarado demais. Não tem mesmo nada que a gente possa fazer?
Charlotte disse, com um sorriso de autodeboche:
— O que a gente pode fazer? Este é o território dele. Ele consegue encobrir qualquer coisa.
Sarah sentiu ainda mais pena de Charlotte.
Ela não resistiu e reclamou:
— Você é a esposa do George e, mesmo assim, ele te desrespeita desse jeito por causa de uma vadia falsa. Ele merecia morrer!
— Chega. — Charlotte fez um carinho na cabeça dela. — Não fica com raiva por gente que não vale a pena. Depois a gente volta e, daqui pra frente, fica bem longe deles.
— Mas e as injustiças que você sofreu? — Sarah resmungou baixo.
Charlotte mostrou a ela o saldo da conta.
— O George não tem mais valor nenhum pra mim. Quando eu me divorciar dele, vou ficar com uma boa parte dos bens. Com esse dinheiro, eu posso fazer o que eu quiser.
Ela não podia enfrentar George agora, mas isso não significava que seria fraca para sempre.
Nesse momento, Jack também voltou.
Jack balançou a cabeça, frustrado.
— Desculpa. Eu perguntei às pessoas que estavam na área de mergulho naquele dia, e todo mundo disse que não viu a Sarah ser sequestrada.
— Droga! O George é tão desprezível. Por causa da Jennifer, ele é mesmo capaz de ir até o fim — reclamou Sarah.
Charlotte sorriu, amargo.
Então era assim que George amava alguém. Por Jennifer, ele conseguia ser tão descarado.
De repente, o celular dela tocou.
Charlotte olhou — alguém estava entrando em contato com ela por outra conta de rede social.
Vendo a foto de perfil um tanto familiar, Charlotte ficou encarando por um bom tempo antes de desbloquear o telefone.
Era mesmo George.
[Olá, Casey. Minha esposa sofre de depressão severa. Eu gostaria de convidar você para tratá-la — George]
Esposa?
Então, no coração dele, a esposa era a Jennifer.
O dedo de Charlotte ficou pairando sobre a tela por muito tempo, até que, por fim, ela cerrou os dentes e recusou o pedido de amizade.
Jogou o celular de lado, olhando em branco para a frente.
As lágrimas começaram a cair sem que ela conseguisse controlar.
— Charlotte, o que foi?
Sarah estava xingando com entusiasmo, mas, ao vê-la chorar, entrou em pânico.
Ela enxugou as lágrimas de Charlotte com lenços, tentando consolá-la:
— Eu não vou mais xingar o George. Não chora. Ver você chorando parte meu coração.
Jack também tentou confortá-la:
— Você não precisa ficar triste por alguém que não vale a pena. Você é incrível — o George com certeza vai se arrepender disso no futuro.
Vendo os dois se esforçando tanto para consolá-la, Charlotte se divertiu.
— Essas são lágrimas de alegria. Eu não estava procurando uma chance de me vingar da Jennifer? Agora a oportunidade apareceu.
