Capítulo 4: Me seguindo?
George entrou no escritório a passos largos, com uma expressão sombria, irradiando uma aura opressiva.
David abaixou a cabeça, esperando instruções, mal ousando respirar.
— Traga Charlotte aqui agora mesmo! — ordenou George.
Ele afrouxou a gravata com irritação. Ela realmente tinha tido a audácia de mandar brinquedos sexuais para ele?
Se ele não lhe desse uma lição, da próxima vez ela com certeza iria ainda mais longe!
Charlotte tinha acabado de voltar para o apartamento depois das compras e mal pousara as sacolas quando o telefone tocou.
Ao ver que era sua boa amiga, Sarah Mitchell, ela atendeu em tom provocador:
— Me ligando em horário de trabalho? Está querendo ter o salário descontado?
Uma voz alegre veio do outro lado:
— Que descontem, eu até ficaria feliz. Você foi incrível hoje! Foi você quem mandou aqueles brinquedos sexuais?
— Fui.
Charlotte se jogou no sofá macio, os olhos se estreitando de tanto rir.
— A notícia se espalhou tão rápido assim?
Ao que parecia, o efeito tinha sido muito bom. Valeu cada centavo extra que ela pagou pela entrega no mesmo dia.
— A cena foi espetacular! O entregador estava lendo os nomes dos produtos no saguão bem na hora em que George e um bando de executivos saíram do elevador. Agora a empresa inteira sabe. Não tem como esconder.
— Você precisava ter visto como ele estava horrível. Quase explodiu de raiva. Charlotte, essa jogada foi genial mesmo.
— Genial?
O tom de Charlotte ficou calmo.
Ela baixou os olhos para as canecas de casal combinando sobre a mesa de centro.
Ela entregara o coração à pessoa errada, tentando mudar um homem cujo coração pertencia a outra. Depois de aguentar aquilo por tantos anos, ela não tinha sido genial coisa nenhuma.
Tinha sido patética!
Percebendo a infelicidade dela, Sarah começou a consolá-la.
— Homem é o que não falta. Tem tantos melhores do que esse George. A gente precisa seguir em frente. Que tal eu arranjar uns acompanhantes masculinos para você neste fim de semana?
— Claro. — Charlotte concordou com um sorriso.
Sarah caiu num silêncio estranho.
Charlotte não deu muita atenção e continuou:
— Você está livre neste fim de semana? Meu iate chegou. Quer sair com ele até as ilhas?
Sarah soltou um gritinho agudo.
— Charlotte, você finalmente está pronta para se divertir de novo? Ótimo! Você entra com o iate neste fim de semana, e eu contrato os acompanhantes.
No que mais Sarah pensaria além dessas atividades picantes?
— Tá bom.
Por todos os anos em que Sarah cuidou dela, desta vez Charlotte a deixaria se divertir.
As duas conversaram por mais alguns minutos até a supervisora de Sarah chamá-la, e ela desligou a contragosto.
Charlotte começou a arrumar o apartamento.
Desde que se casara com George, ela não voltava ali havia muito tempo.
Mas aquele era apenas um lugar temporário, de qualquer forma. No futuro, sua vida ficaria centrada no exterior, então não havia muito a fazer.
No fim de semana, Charlotte tinha acabado de chegar à praia quando viu Sarah já ali, usando um maiô sexy, com um homem em pé ao seu lado. Ele segurava um coco e, de vez em quando, lhe dava goles.
Sarah era ousada como sempre, sem se importar com o que os outros pensavam.
— Charlotte! — Sarah acenou para ela, animada.
Charlotte saiu dos próprios pensamentos e foi até Sarah com um sorriso.
— Nada mal mesmo — disse.
Ao ouvir o elogio, Sarah ergueu o queixo com orgulho.
— E então? Não estou especialmente charmosa hoje? Você sentiu vontade de se apaixonar por mim?
— Totalmente, totalmente. — Charlotte entrou na brincadeira com um sorriso.
Sarah imediatamente abraçou Charlotte, dando tapinhas suaves em suas costas.
— Agora podemos ir abraçar o sol.
— Tá bom. — Charlotte entendeu o significado mais profundo por trás das palavras, e seu sorriso se alargou.
Antes que pudesse ficar sentimental, Sarah agarrou seu braço e a puxou em direção ao iate.
— Anda, depressa! Preparei uma surpresa para você hoje.
Charlotte não sabia se ria ou se chorava enquanto ia cambaleando atrás dela até o buggy de praia.
Assim que chegaram, Sarah mal conseguiu se conter e saiu correndo na direção do iate.
— Meu Deus, esse iate é muito legal!
Charlotte, por sua vez, ficou bem calma.
Ela já tinha comprado aquele iate antes, quando George a deixara furiosa.
Aí ela escapulia e saía para dar uma volta, mas nunca imaginou que, tão cedo, iria aproveitá-lo abertamente. Sentiu um alívio por não estar mais presa à identidade de Sra. Summers.
— Charlotte?
Uma voz irritante soou de repente às suas costas.
Charlotte se virou e, como era de se esperar, eram Jennifer e George.
Ela só lançou a eles um olhar indiferente antes de desviar o rosto.
Ela estava tentando fingir que não tinha visto?
O rosto de George escureceu na mesma hora.
Jennifer viu George encarar Charlotte por tempo demais; olhou para Charlotte e um lampejo de inveja e ódio brilhou em seus olhos.
Ela forçou um sorriso.
— Charlotte, você veio se divertir também? Onde você esteve nesses últimos dias? Eu reparei que você não tem ido pra casa. Você veio porque sabia que a gente estaria aqui?
Como era de se esperar, o rosto de George imediatamente se encheu de repulsa.
— Você está me seguindo? — perguntou ele.
George sentiu a irritação no peito aliviar um pouco, mas a boca dele só conseguiu soltar palavras duras.
— Você diz que quer se divorciar de mim, mas continua me seguindo por aí. Fazendo charme? Dá pra maneirar? Está óbvio demais, e as pessoas vão começar a te odiar.
Ao ver o desprezo escancarado nos olhos de George, Charlotte sorriu, zombando de si mesma.
Seus olhos não tinham nada além de sarcasmo.
— Essa praia é sua? Só você tem permissão pra vir aqui?
— Você...!
Charlotte o ignorou e se virou para Jennifer com um sorriso frio de escárnio.
— Eu morava na rua antes de casar? A mãe da senhorita Walsh morreu; seu cérebro morreu junto?
O rosto de Jennifer ficou pálido na hora.
Ela desabou nos braços de George, encarando Charlotte com os olhos marejados.
— Charlotte, por favor, para de ficar com raiva, tá? Eu só pensei que você estava acostumada a ter o George com você e talvez tivesse medo de ficar sozinha, como eu.
Enquanto falava, Jennifer inclinou a cabeça e se aninhou no peito de George, e George, por instinto, apertou o braço em volta da cintura dela. Os dois pareciam absurdamente íntimos.
Mesmo tendo deixado para lá, vendo os dois tão colados, Charlotte não conseguiu impedir que um amargor lhe subisse ao coração.
Então, quando ele amava alguém, era íntimo com ela sem se importar com o lugar, e ainda a protegia.
Charlotte sorriu.
— O George não é o único homem do mundo. Se ele não presta na cama, eu não posso achar alguém melhor?
George observou o acompanhante masculino ao lado de Jennifer, o rosto dele escurecendo outra vez.
— Então foi você que mandou aquelas coisas nojentas!
— Nojentas? — Charlotte o olhou sorrindo. — A mãe da Jennifer acabou de morrer e você já está dormindo com ela... vai saber mais o que você anda enfiando na boca. Aqueles brinquedos de silicone são desinfetados, e é você que acha nojento?
Maldita Charlotte!
George fechou os punhos, as veias saltando na testa.
Como ele nunca tinha percebido como ela era afiada com a língua?
— Como você sabe disso? — perguntou ele.
Os olhos dele perfuravam Charlotte, tentando encontrar alguma coisa estranha na expressão dela.
Charlotte não se abalou; apenas sorriu.
O coração de George falhou uma batida, e uma sensação incômoda se espalhou dentro dele.
— Meu ex-marido não prestava na cama. Não é normal eu saber sobre brinquedos sexuais?
Dito isso, Charlotte se virou para Jennifer, encarando-a com uma pena divertida.
— Sua mãe acabou de morrer e você já está tão desesperada assim? O George por acaso consegue te satisfazer?
Jennifer ficou vermelho-vivo e se encolheu ainda mais nos braços de George.
