Capítulo 4: Deusa da Lua
Ponto de vista de Damien
Damien, Magnus e Xavier se encararam com escuridão, os olhares carregados de fúria. Nenhum deles falou de início, tentando entender o que estava acontecendo.
A mandíbula de Damien se contraiu, e seus olhos de aço se estreitaram enquanto ele avaliava a situação. Magnus permanecia tenso, os músculos retesados como se estivesse pronto para atacar.
— Que porra está acontecendo? — rosnou Damien, alternando o olhar entre Meredith e os outros. — Ela é minha. Eu senti isso no instante em que pus os olhos nela.
O olhar de Magnus deslizou até Meredith.
— E eu senti também. Mas como isso é possível? Era para existir apenas um companheiro, um vínculo. Isso não faz o menor sentido.
Os dois se voltaram para Xavier, esperando ver a mesma confusão. Mas, em vez disso, o rosto de Xavier estava calmo, quase resignado. Ele já tinha aceitado a verdade que estava despedaçando os outros.
— Nós já compartilhamos mulheres antes, incontáveis vezes — começou Xavier. — Mas isso... isso é diferente. Não é só luxúria ou desejo. É o vínculo de companheiros — mais forte, mais profundo. E está prendendo nós três a ela.
As sobrancelhas de Damien se franziram.
— Mas não era para funcionar assim. Era para encontrarmos nossa própria companheira, não dividir uma. Isso vai contra tudo o que sabemos, tudo o que nos ensinaram.
Magnus soltou o ar com aspereza.
— A Deusa da Lua... ela nunca fez isso antes. Por que agora? Por que com a gente?
O olhar de Xavier suavizou ao encarar Meredith, presa no meio da batalha silenciosa deles.
— Talvez tenha sido isso que a Deusa da Lua pretendia desde o começo. Talvez ela soubesse que nós precisaríamos uns dos outros, que seríamos mais fortes juntos — com ela.
Damien balançou a cabeça, ainda resistindo à ideia.
— Mais fortes? Ou amaldiçoados? Como é que a gente começa a explicar isso para a alcateia? Para nós mesmos?
Xavier se aproximou de Meredith.
— A gente vai dar um jeito. Mas, agora, o que importa é a segurança dela. Não podemos deixar isso nos destruir antes mesmo de começarmos.
Os três enfim quebraram o confronto intenso, voltando toda a atenção para Meredith. A respiração dela acelerou ao sentir o peso completo daqueles olhares. A tensão entre os homens se dissolveu em algo mais calmo quando eles deram um passo à frente.
Quando Meredith finalmente recuperou os sentidos, o medo explodiu no peito, e ela fez a única coisa que conseguiu pensar — implorou pela própria vida.
— Por favor — sussurrou, olhando de um para o outro. — Eu não quero morrer. Eu não quero fazer parte disso... dessa... Purga. Me deixem ir, eu faço qualquer coisa. Só... por favor, não me machuquem.
Por um tempo, nenhum dos homens imponentes falou. O medo cru na voz dela os atravessou. Damien, Xavier e Magnus trocaram olhares.
Xavier foi o primeiro a quebrar o silêncio, num tom mais brando:
— Você entendeu tudo errado. A Purga Anual... não é o que você pensa. A gente não veio aqui para te fazer mal.
Magnus assentiu.
— Nunca tivemos a intenção de ferir ninguém. A Purga não é para matar. É para encontrar nossas companheiras, aquelas escolhidas para nós pela própria Deusa da Lua.
Damien deu um passo na direção dela.
— Nós também não esperávamos isso. Mas o que está acontecendo agora está além de qualquer um de nós — é a vontade da Deusa da Lua. Você goste ou não, esse vínculo entre nós... é real. É o desejo dela, e não pode ser desfeito.
O coração de Meredith martelava no peito. Ela olhou para os rostos deles. Estava claro que acreditavam no que diziam, que estavam tão presos àquele destino estranho quanto ela.
Sem outras opções, Meredith engoliu em seco e fez um pequeno aceno relutante com a cabeça.
— Eu... eu não entendo nada disso — disse baixinho. — Mas, se for verdade... se isso for o que a sua Deusa da Lua quer, então eu posso aceitar. Mas... eu preciso que vocês três me prometam que não vão me machucar.
Damien, Xavier e Magnus assentiram, concordando.
— Prometemos — garantiu Magnus. — Nada de ruim vai acontecer com você. Vamos proteger você com as nossas vidas. Você é nossa agora, e nós vamos honrar esse vínculo de todas as formas que pudermos.
Meredith soltou o ar, trêmula. Ela estava ligada àqueles três homens poderosos por uma força que mal conseguia compreender. Mas, pelo menos por enquanto, sabia que estava segura.
A calma momentânea se estilhaçou quando a mente de Damien lutou contra a situação. Ele estreitou os olhos ao encarar Xavier e Magnus.
— Mas... isso não pode ser — disse Damien. — Como é que a gente vai compartilhar a mesma companheira? Isso é... inaudito. Xavier, Magnus, vocês dois precisam recuar e encontrar outra pessoa. Isso não está certo. Eu juro que vou proteger a Luna com a minha vida.
Xavier, sempre o mais sereno, balançou a cabeça com firmeza.
— Desculpa, mas eu não posso fazer isso, Damien. Você conhece as regras tão bem quanto eu. Aquele cheiro de outro mundo nos trouxe até aqui, até ela. Isso não é algo que a gente simplesmente possa ignorar ou do qual possa se afastar. Não é um engano.
Magnus deu um passo à frente. “O Beta Xavier está certo, Alfa. Seguimos esse cheiro por quilômetros, por essa floresta maldita e imunda, e ele nos levou direto até ela. Eu não vou dar as costas ao que está destinado a ser.”
Os punhos de Damien se fecharam ao lado do corpo. “Por que vocês dois não conseguem entender? Eu sou o Alfa. Tenho um dever com a alcateia, com o legado da minha linhagem. Eu não posso dividir a minha Luna com ninguém — nem mesmo com vocês dois.”
Xavier sustentou o olhar de Damien. “E nós temos os nossos próprios deveres, Damien. Você não é o único com responsabilidades. Eu te segui a vida inteira e sempre respeitei sua liderança. Mas isso é diferente. Isso é destino, não escolha. E eu não vou negar.”
Magnus assentiu, concordando. “A gente não vai recuar, Alfa. Não desta vez. A vontade da Deusa da Lua está clara, e é nosso dever honrá-la. Você goste ou não, ela é nossa — de nós três. E não vamos deixá-la para trás, mesmo que isso signifique abandonar a Moonlit Pack.”
O silêncio se seguiu. No fundo, Damien sabia que Xavier e Magnus estavam certos. O cheiro, o vínculo — era tudo poderoso demais, inegável demais para ser um engano.
Damien soltou o ar com força. “Isso vai nos despedaçar”, ele murmurou, mais para si mesmo do que para os outros. Mas, quando olhou para Xavier e Magnus, viu a mesma determinação refletida nos olhos deles.
“Tá bem”, Damien disse, enfim. “Mas não pensem por um segundo que vou facilitar as coisas para qualquer um de vocês. Esta ainda é a minha alcateia, o meu legado, e eu não vou permitir que ninguém — ou nada — coloque isso em risco.”
Xavier e Magnus trocaram um olhar.
“Não estamos aqui para desafiar sua autoridade, Damien”, disse Xavier, baixo. “Estamos aqui só para reivindicar o que é nosso por direito.”
A mandíbula de Damien se retesou, mas ele assentiu de forma seca.
Mais tarde, os três homens cercaram Meredith. Damien avançou primeiro, sua posição de Alfa o obrigando a liderar.
“Isso não vai ser fácil”, murmurou, ao encarar os olhos de Meredith. “Mas é necessário. Por favor… confie em mim.”
O coração de Meredith disparou quando Damien se ajoelhou ao lado dela. Os olhos dele se suavizaram ao perceber as perguntas pairando nos lábios dela.
“Eu sei que isso é avassalador”, começou Damien. “Mas você precisa entender o que vai acontecer. Essa mordida… chama-se Marcação. É o vínculo sagrado entre um lobisomem e sua companheira. Conecta nossas almas, mistura nosso sangue e altera a sua própria essência.”
Xavier acrescentou: “Uma vez Marcados, ficamos ligados para a vida toda. É uma conexão que vai além de tudo o que você já conheceu. Vamos sentir as emoções um do outro, compartilhar as forças um do outro…”
Magnus, ainda de pé, completou: “Esse vínculo faz de você uma de nós. Mas também significa que você é nossa, assim como nós somos seus.”
Damien piscou. “Qual é o seu nome?”, perguntou, com suavidade.
Meredith olhou de um homem para o outro, cada um tão diferente, e ainda assim tão ligado a ela agora. Por fim, encontrou a própria voz. “Meredith.”
Damien assentiu. “Meredith. Você não tem nada a temer de nós. Este é o seu destino. E nós vamos proteger você, sempre.”
Xavier se ajoelhou ao lado de Damien, a mão afastando uma mecha solta do rosto de Meredith. “Você está segura com a gente, Meredith. Eu sei que tudo isso aconteceu muito de repente, mas vamos te guiar. Você não está mais sozinha.”
Magnus, embora continuasse em pé, inclinou-se para mais perto. “Vamos explicar tudo, passo a passo.”
Meredith engoliu em seco. Ela nunca tinha imaginado nada parecido. “O que… acontece agora?”
“Agora, nós terminamos o que começamos”, disse Damien, gentil. “Seu pescoço…”
Com uma respiração trêmula, Meredith assentiu, hesitante, as mãos tremendo quando levou os dedos ao cabelo para puxá-lo de lado, expondo a pele lisa do pescoço. Ela sentia os olhos dos três homens sobre si, mas manteve o olhar preso ao de Damien.
“Vai doer?”, Meredith gaguejou, gotículas de suor se formando na testa.
“Sim”, ele respondeu. “Mas vou ter cuidado.”
Meredith apenas mordeu os lábios e fechou os olhos com força.
Os olhos de Damien escureceram, o lobo logo abaixo da superfície enquanto ele se inclinava para mais perto. A respiração dele era quente contra a pele dela e, por um breve momento, tudo ao redor pareceu parar.
Então, num movimento rápido, quase delicado, ele cravou os dentes no pescoço dela.
Meredith gritou quando a dor aguda atravessou seu corpo, mas logo se dissolveu, substituída por uma sensação avassaladora que tomou seu centro.
Damien se afastou, os lábios manchados com o sangue dela enquanto lambia o ferimento, selando-o com a própria saliva. Seus olhos estavam selvagens. Ele a sentia de um jeito que ia além do físico — as emoções dela, os pensamentos, até o ritmo do coração.
Ela era dele agora, e ele era dela, para sempre.
