Capítulo 3 2.2
- E se ele gosta dela? Talvez faz bem para o ego dele vê-la correndo atrás desta forma. – cogitei.
- Estou quase convencida que Jonathan nunca sentiu nada por Samantha.
- Idiota... É isso que ele é. – falei com raiva quando pensei naquele par de olhos verdes.
- Não diga isso... Jonathan é um cara legal. Merece nossa consideração.
- Helena, não acredito no que estou ouvindo. – realmente, eu não conseguia acreditar que minha amiga estava defendendo Jonathan e não Samantha.
- Ari, Samantha sabia desde o início que não havia futuro. Ela praticamente obrigou Jonathan a ficar com ela. Insistiu tanto que ele não teve saída. Bem sabemos que ele nunca ficou tanto tempo com alguém como ficou com ela. Seis meses... Longos, na minha opinião. Nunca vi ele se envolver tanto tempo. E ela foi feliz, mesmo sabendo que não era como ela sempre sonhou. Ele nunca mentiu sobre quem e como ele era.
- Que discurso horrível, Helena. Está dizendo que ela deveria aproveitar enquanto durou e era isso?
- Eu sou a única que consigo ver os dois lados, não é mesmo? Já pensou em Jonathan nesta história? Não, você só pensa na Samantha, porque ela é nossa amiga. E não somos culpadas pelas atitudes dela, Ari. Avisamos ela tudo que poderia acontecer antes de ela começar o relacionamento com ele, de forma quase forçada. Eu conheço Jonathan e você sabe disso. Ele e Daniel são amigos há muito tempo. Ele não é um cara ruim. Ele nunca prometeu nada para ela. Foi errado sim ao traí-la e ela fez correto em terminar com ele. O que eu não vejo sentido é em agora ela ficar arrependida e viver atrás dele.
- Eu entendo... – falei mesmo não entendendo muito. Na minha opinião Helena ainda defendia Jonathan e eu não via defesa para ele.
- Além do mais, eu tenho minhas desconfianças nesta história toda...
- Desconfianças? Quais seriam? – perguntei curiosa.
- Talvez eu esteja enganada... Já tentei falar com Daniel sobre este assunto, mas ele não fez muita questão.
- Fale logo, Helena.
- Eu acho que ele olha para você com segundas intenções.
- Quem, Jonathan? – perguntei me segurando para não rir.
- Sim.
Comecei a rir com vontade. Helena só podia estar louca.
- Estou falando sério. – disse ela sem rir.
- Isso nunca aconteceu... Não há possibilidade...
- Nunca aconteceu de você ver ele olhando-a? Ou acha que não há possibilidade de ele ser interessado em você? E você, teria interesse nele?
- Helena... Você não pode estar falando sério. – eu disse sem rir desta vez. Não sabia a intenção de Helena ao falar todas aquelas besteiras.
- Bem, vou torcer para meus olhos e minha intuição estarem enganados. – disse ela levantando do sofá. – Porque se eu estiver certa, teremos problemas por aí.
Ela foi para a cozinha e eu tomei todo meu café de uma só vez, sentindo depois o gosto amargo mas gostoso na boca. Peguei minha xícara e fui atrás dela, que estava na pia.
- Quando você viu isso? – perguntei.
- Algumas vezes...
- Por que nunca me falou?
- Porque nunca havíamos falado sobre isso... Além do mais, Samantha sempre está conosco, então não tinha como dividir isso com você.
- Eu não vejo possibilidade de isso acontecer.
Helena me olhou nos olhos e perguntou:
- Por quê? Você é uma mulher linda, Ari... Por que ele não poderia estar interessado em você?
- Helena, pode ser só um olhar... Não quer dizer que seja de desejo ou sei lá o que.
- Ari, eu não nasci ontem. Eu não sou burra.
- Ok... Vou ficar atenta a isso. Ou será que não devo? – perguntou confusa.
- Acho que deve ficar mais esperta sim. Só não corresponda aos olhares dele, por Deus. – falou ela. – Não agora.
- Claro que eu não faria isso. – falei mais que depressa. – Só de pensar eu fico até me sentindo mal.
Helena guardou a xícara limpa e eu comecei a lavar a minha. Ela me deu um beijo e disse:
- Vou tomar um banho e vou dormir. Estou cansada mesmo.
- E o noivado?
- Otimamente ótimo. Maravilhosamente maravilhoso. – disse ela rindo.
Eu ri. Adorava quando ela falava assim. E perguntar sobre o noivado sempre trazia alegria para ela.
- Nunca vi ninguém tão apaixonada pelo futuro marido. – falei fazendo uma careta.
- Torcendo para o tempo passar logo e nos casarmos. – disse ela.
Abracei ela com força e disse:
- Você e Daniel merecem toda a felicidade do mundo... Vocês são muito especiais. E eu sou tão feliz por você...
Ela retribuiu o abraço:
- Ari, eu torço para que você também sinta o que eu sinto algum dia. E tenho certeza de que quando menos você esperar, aparecerá o homem que vai tirá-la do seu centro.
- Eu não quero me descentralizar. – eu disse convicta.
Ela riu:
- Boa noite, Ari.
- Boa noite.
