Capítulo 5 CAPÍTULO 3 (PARTE II)
- Como sempre. Jonathan está cada vez mais distante de mim e eu não consigo fazer nada para evitar, Ari. Sinto-o escapando por entre os meus dedos.
- Não acha que já chega de correr atrás dele, Samantha?
- Já pensei em desistir, mas não consigo. Eu amo aquele homem.
- Ele não merece o seu amor.
- Também sei disto, Ari. Ele é egoísta, me traiu e ainda assim eu amo ele da mesma forma. Ele é inteligente, ele já viajou por vários lugares, ele fala várias línguas, ele frequentou lugares que eu jamais vou pisar os meus pés algum dia e ele nunca nem me convidou para acompanhá-lo.
- Ele frequenta o mesmo bar que você. Então ele não é tão diferente assim. Vocês moram no mesmo condomínio também. – observei para que ela não se sentisse tão inferior a ele.
- A forma como você fala parece que eu vou num boteco qualquer. – disse ela rindo e fingindo estar ofendida.
- Eu não quis dizer isso.
- Eu sei, Ari... Eu sei. Mas ele não costuma ir muito lá. Eu sou uma frequentadora mais assídua, por assim dizer. Hoje foi horrível ver ele com a Mari.
- Com a Mari? Nossa vizinha? – perguntei surpresa.
- Não estavam juntos tipo ficando, entende? Só tomavam uma bebida e conversavam. Mas ela não consegue esconder o interesse por ele. Estava lá, toda derretida... Nem notou minha presença eu acho.
- Mari não vence você numa disputa por beleza. – tentei alegrar ela um pouco.
- Como se para Jonathan isso importasse. Ele nunca foi de ligar para a aparência das pessoas. Ele consegue captar o que as pessoas tem por dentro... Ele é tão perfeito. E eu não consegui impressioná-lo nem com o que eu tenho por dentro nem por fora.
- Samantha, se você sente tudo isso por ele, por que terminou o namoro? – perguntei confusa.
- Eu me faço esta pergunta todos os dias.
- Não consigo entender.
- Ele me traiu com outra mulher. Eu vi. Ninguém me contou, então não tinha nem chance de ser uma mentira. Eu fiquei louca de ciúme. E com medo de todos saberem que eu havia sido feita de boba por ele. Meu orgulho falou mais alto.
- Eu não concordo com a traição dele, de forma alguma, Samantha. Mas ao mesmo tempo se você quisesse perdoar, teria que ter feito isso. Não pode se importar com o que os outros pensariam.
- Eu sei disto. Eu tentei consertar as coisas, mas já era tarde. Jonathan não queria mais nada comigo... Eu nem sei se algum dia ele realmente quis. – confessou ela.
- Acho que no fim tudo aconteceu como deveria ser...
- Não... Eu era pra ter aceitado a traição. Eu prefiro um pouco dele do que nada. Ver ele sem ser meu me deixa louca.
- E seu amor próprio? – perguntei perplexa.
- E desde quando eu tive, Ari? Não me importo com isso. Quando eu quero um homem eu consigo, eu vou até o fim. Mas nunca foi tão difícil conquistar alguém como aconteceu com Jonathan. De início ele resistiu ao meu charme. Então eu fiquei ainda mais animada. Parecia uma adolescente. Depois estar com ele era magnífico. Ele é um homem que chama a atenção por onde passa... E ele era meu. Ou ao menos eu pensava que era... Pois acho que ele era de todas as mulheres que quisessem. Com o tempo eu fui me apaixonando de verdade por ele, mesmo sabendo que ele não queria se envolver seriamente.
- Samantha, será que você não está mais obsecada do que apaixonada? – perguntei seriamente.
- Não... É amor. Você não sabe o que são aqueles braços te envolvendo, a boca te beijando... Eu vou conquistá-lo novamente, custe o que custar.
- Espero que consiga. – falei para dar um ponto final na conversa.
- Obrigada por me ouvir, Ari. Boa noite.
- Boa noite, Samantha.
Eu fechei os olhos e fiquei pensando nas palavras dela sobre os braços dele envolvendo e a boca beijando. Pensei nos lábios dele. Não, eu não sabia o que era os braços dele nem a boca... E nem queria. Nem sabia por que estava pensando naquilo. Eu nem podia pensar naquele homem. Acho que eu estava assim porque me abalei com o que ele estava fazendo com a minha amiga. Jamais eu teria coragem de me envolver com um homem como Jonathan. Muito menos aceitar a traição e depois correr atrás, como se nada tivesse acontecido. Mas quem era eu para criticar Samantha ou a relação dela com Jonathan? Eu namorava um homem e não sentia nada por ele e ainda assim tinha um pouco de receio em terminar e deixá-lo magoado. Eu, a amiga conselheira que não sabia resolver sua própria vida.
