Capítulo 5 5

Eu contei cada respiração de Ethan durante quase uma hora.

Não porque isso pudesse mantê-lo vivo, mas porque precisava fazer alguma coisa enquanto observava o peito dele subir e descer sob a luz fraca da lamparina.

Às vezes o intervalo parecia longo demais e meu próprio corpo se inclinava para a frente antes que ele finalmente inspirasse outra vez.

Samira permanecia sentada do outro lado do quarto, exausta, com os braços cruzados sobre o peito e os olhos presos em mim.

Nenhuma de nós dizia o que estava pensando.

A febre continuava alta.

Eu verificava sua temperatura, observava sua respiração, oferecia pequenos cuidados quando ele conseguia responder e trocava os panos enquanto lutava contra uma verdade que ficava mais difícil de ignorar:

Se Ethan piorasse, eu teria de escolher entre revelar tudo e tentar levá-lo para atendimento médico ou continuar escondendo-o e correr o risco de vê-lo morrer naquela cama.

Minha reputação, meu casamento e a fúria de meu pai pareciam problemas ridiculamente pequenos diante daquele dilema.

— Layla, você precisa descansar.

Balancei a cabeça sem tirar os olhos dele.

— Não.

— Você está acordada há quanto tempo?

— Não sei.

— Eu sei. Tempo demais.

— Samira, se ele mudar de repente e eu estiver dormindo...

— Você vai desmaiar antes dele se continuar assim.

Virei o rosto. Ela estava cansada também. Tinha deixado sua casa, dirigido por estradas perigosas, comprado suprimentos e mentido para a própria família porque eu pedira ajuda. Senti culpa.

— Vá para casa.

Samira soltou uma risada sem humor.

— Claro. Vou deixar minha melhor amiga escondida numa casa abandonada com um soldado americano febril que pesa duas vezes mais do que ela.

Excelente plano.

Apesar de tudo, meus lábios quase sorriram.

— Você reclama demais.

— E você pensa de menos.

Ethan se moveu antes que eu pudesse responder.

O colchão rangeu e sua mão procurou alguma coisa ao lado do corpo.

Imediatamente me aproximei.

Seus músculos estavam tensos, e palavras rápidas escapavam em inglês. Reconheci apenas pedaços.

— Marcus... left... move...

Segurei seu pulso.

— Ethan.

Ele puxou o braço.

— Não está lá. Você está seguro.

Os olhos se abriram.

Por um instante, não havia nada neles além da batalha que continuava acontecendo dentro de sua cabeça.

Então ele me viu.

Não através de mim.

A mim.

Minha respiração ficou presa.

— Ethan?

As sobrancelhas dele se contraíram.

Seus olhos percorreram meu rosto com dificuldade, como se precisasse atravessar uma distância enorme para enxergá-lo.

— Where...

Inclinei-me.

— Você está numa casa. Está seguro.

Ele tentou olhar ao redor, mas o esforço pareceu excessivo.

— Base?

— Não.

A resposta o inquietou. Seus dedos se fecharam ao redor do meu pulso.

— Who are you?

Meu coração bateu tão forte que senti no pescoço.

Era a primeira pergunta verdadeiramente consciente que ele me fazia.

— Layla.

Ele permaneceu olhando para mim.

— Layla. Repeti, mais devagar.

Os lábios dele se moveram.

— Lay...la.

Ouvir meu nome naquela voz rouca produziu alguma coisa estranha dentro de mim.

Talvez porque, durante o dia, ele tivesse sido apenas um corpo ferido pelo qual eu lutava.

Naquele instante, por poucos segundos, havia um homem ali.

— Sim.

— You...

Ele fechou os olhos.

— Ethan?

A mão que segurava meu pulso perdeu força.

— Ethan!

Verifiquei sua respiração imediatamente.

Continuava ali. O pulso também. Fechei os olhos e soltei o ar.

Samira se aproximou.

— Ele sabia quem você era?

— Não.

Olhei para o rosto dele.

— Mas perguntou.

As horas seguintes foram piores.

Ethan voltou a delirar, tentou levantar duas vezes e chamou homens cujos nomes eu não conhecia.

Em determinado momento, agarrou meu braço e me puxou para perto com tanta força que quase caí sobre seu peito.

— Down!

— Ethan, não há tiros.

— Stay down.

Havia desespero em sua voz. Percebi então que, dentro do delírio, ele tentava me proteger.

— Estou bem.

Toquei seu rosto.

— Olhe para mim. Não há ninguém aqui.

Ele respirava rapidamente.

— Você está na casa de Mariam. Não sei se consegue entender, mas ninguém vai machucá-lo aqui.

Seus olhos encontraram os meus outra vez, embora eu não soubesse o que ele enxergava.

Minha pulseira escorregou pelo punho e tocou a outra.

O pequeno tilintar pareceu alcançá-lo.

Ethan parou de lutar.

Olhou para minha mão.

Depois para mim.

— Layla...

Dessa vez meu nome foi quase um sopro.

Meu peito apertou.

— Estou aqui.

Ele fechou os olhos.

Mas não soltou minha mão.

Quando a madrugada começou a clarear as pequenas janelas, Samira dormia sentada numa cadeira.

Eu continuava na beirada da cama.

Ethan parecia finalmente menos agitado. Toquei sua testa e hesitei.

O calor ainda estava ali.

Mas não parecia tão violento.

Peguei o termômetro e esperei.

Quando vi o resultado, meu coração deu um salto.

Mais baixa.

Pouco.

Mas mais baixa.

Observei Ethan durante alguns minutos antes de permitir que a esperança entrasse.

— Você está tentando voltar.

Não houve resposta.

Afastei cuidadosamente os cabelos úmidos de sua testa.

— Então volte.

Minha voz saiu baixa.

— Porque eu não arrisquei tudo para você morrer aqui.

Talvez fosse o cansaço, mas meus olhos arderam.

Pisquei depressa.

— Minha família acha que estou ficando louca. Samira provavelmente acha que já fiquei. O homem com quem devo me casar começou a fazer perguntas.

E eu nem sei quem você é além de um nome num documento.

Minha mão continuava presa à dele.

— Ethan Walker.

Pronunciei devagar.

— Você apareceu sangrando no meu caminho e agora eu passo minhas noites contando suas respirações.

Uma lágrima escapou antes que eu pudesse impedir.

Limpei-a com irritação.

— Portanto, faça sua parte.

Inclinei-me mais perto.

— Não morra aqui.

Os dedos dele se moveram.

Quase nada.

Mas se fecharam fracamente ao redor dos meus.

Fiquei imóvel.

— Ethan?

Nenhuma resposta.

Mesmo assim, permaneci segurando sua mão até o sol começar a entrar pela janela.

Mais tarde, Samira verificou novamente a temperatura e me olhou surpresa.

— Caiu.

Assenti.

Não sorri. Ainda não.

Passamos o restante da manhã observando cada pequena mudança.

A respiração estava menos irregular.

Ethan dormia profundamente, mas sem os movimentos violentos da noite.

Pela primeira vez desde que o encontrei entre as pedras, a morte parecia ter recuado alguns passos.

Foi justamente isso que me assustou.

Porque, se ele estivesse realmente melhorando, eu não poderia continuar escondendo-o.

Fui até a pequena janela e observei as montanhas.

Em algum lugar além delas havia uma base cheia de homens procurando um capitão desaparecido.

Talvez acreditassem que ele estivesse morto. Talvez ainda percorressem aquelas estradas.

Olhei para Ethan.

Ele precisava voltar para eles.

E eu precisava encontrar uma maneira de fazer isso sem revelar quem o havia salvado.

Minha mão fechou-se em torno das pulseiras de Mariam.

Naquela manhã, enquanto Ethan dormia pela primeira vez sem lutar contra inimigos invisíveis, comecei a pensar em como enviaria sua localização à base americana.

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