Capítulo 1 Capítulo 1 Gabrielle

Sim, sou eu mesma a Gabi! Estavam com saudade de mim? Pois, é vim aqui compartilhar um pouco da minha história e para quem não me conhece, o meu nome é Gabrielle, tenho 25 anos e estou cursando direito. Tenho uma gratidão enorme por minha mãezinha ter me adotado e por fazer parte de uma família linda. Eu não moro mais com a mamãe, pois a Sarinha e eu estamos fazendo faculdade na cidade e vivendo um mundo de descobertas. Agora a minha maninha só quer saber de festas e de baladas. A cada dia um boy diferente passa pela porta do nosso apartamento.

Mas como estava dizendo, estou sempre me dedicando ao meu curso e por isso já estou na fase final. Irei me formar em breve e me tornarei uma advogada da área trabalhista. Uma área que me identifiquei muito e que aprendo cada vez mais. Até comecei a estagiar. E já até conheci o meu chefe temporário.

Vocês não imaginam como ele é um gato!

É moreno, tem os olhos azuis, mas tudo que é bom duro pouco, certo? Porque o humor do homem é canino. Como um ser humano consegue ser um ogro e ainda por cima tão machista?

Há se eu te pego, você deixaria de ser esse ogro rapidinho.

Sério, ele está sempre questiona tudo que eu faço e ainda por cima me manda fazer pilhas de relatórios e com curto prazo. Tem horas que falta paciência para a mandá-lo ir à merda.

Aff, que saco!

Mas, voltando ao assunto. Assim que finalizar o meu estágio irei embarcar nessa aventura e vou derrubar cada obstáculo que aparecer na minha frente. Pois se cheguei até aqui, mostrarei para que eu vim.

Muitos costumam subestimar a capacidade das mulheres. Eles que tente a sorte de cruzar o meu caminho. Amanhã terei a minha primeira reunião com uma equipe de advogados, mesmo sendo apenas uma estagiária. Isso, vai agregar mais conhecimento para o meu currículo. Contudo, não foi o meu chefe que me intimou realmente e sim o dono da empresa, que é o pai do meu atual chefe.

Quero só ver a cara dele quando me vir entrar na sala de reunião. Eu só preciso ficar atenta a tudo e não posso me dar o luxo de chegar atrasada. Nada poderá dar errado amanhã.

— Até que enfim, acabou! — Desperto, quando alguém fala e automaticamente olho para o relógio no meu pulso. Sim, acabou o meu horário e finalmente irei para o meu refúgio, que chamo de casa. Somente lá consigo tirar o meu estresse diário.

Entretanto, assim que chego em casa me deparo com a cena mais constrangedora que já vi na vida. Sara está seminua e tem um boy só de cueca no meio da minha sala.

Meninas, o que é aquilo, hein?

Eles estão se pegando no meu sofá!

Devo fazer um lembrete de não me sentar nesse sofá. Não antes de mandar lavá-lo a seco. Portanto, tiro os meus saltos altos para não fazer barulho e caminho apressada para dentro do meu quarto e assim que fecho a porta me pego rindo da travessura da Sara. Às vezes ela sai do limite. Mas como ela mesma diz, tem que aproveitar a vida porque só se vive uma vez. E ainda tem a cara de pau de sempre falar que está aproveitando por nós duas.

Essa Sara não tem jeito!

— Preciso acabar com essa sua festinha, maninha — falo, pegando o meu celular para ligar para ela. — Merda! — resmungo quando ela não atende a minha ligação e penso que eles devem estar pegando fogo.

Moramos em um apartamento espaçoso, aconchegante e bem iluminado, localizado no centro da cidade. A decoração foi a Sara quem fez. Ela é especialista nisso. Uma sala acoplada a uma cozinha americana, dois quartos com suíte e um banheiro social. E tem uma varandinha linda onde amo tomar o café da manhã apreciando a linda vista. Mais isso é bem raro, apenas quando sobra tempo.

O que estar me faltando nesses últimos dias!

Mamãe queria comprar um apartamento para cada uma ter o seu próprio espaço, mas Sara é muito insegura, então dei a ideia de ficarmos juntas. Eu ajudei minha mãe a comprar esse apartamento. Por mais que mamãe tenha condições, nada mais justo do que trabalhar e ter um cantinho para chamar de meu. E devo dizer que tenho muito orgulho, pois esse será um dos primeiros imóveis que pretendo conquistar ao longo de uma carreira promissora.

Bom, já que não posso sair do meu quarto, vou tomar um banho longo e relaxante, e quem sabe peço uma pizza antes de morrer de fome. Deus me livre de passar naquela sala de novo! Pronto, o pedido está feito, agora é só relaxar enquanto ele não chega. E quando estou saindo do banho, Sara entra no meu quarto com a pizza na mão. Observo o sorriso lavado que ela abre com a cara mais deslavada desse mundo.

— Chegou para você. — Ela faz como se nada tivesse acontecido. — Não percebi quando chegou mocinha.

— Por que será, né? — resmungo. Suas bochechas ficam coradas.

— Faz tempo que chegou?

— Há claro. Você queria que eu interrompesse os amassos que ele estava te dando?

Não aguento e caio na gargalhada, mas ela parece não se importar.

— Só você, Sara!

— Ah vai, ele é uma delícia!

— Sei. Mas, não dá para ser mais discreta e ir para o seu quarto? Já imaginou se chego acompanhada?

— Até parece! — Ela ralha e reviro os olhos.

— Amanhã tem faxina, hein, não pense que vai se livrar dessa — retruco, mudando de assunto. — Principalmente na sala, irmãzinha. — Pisco um olho e ela dessa vez revira os olhos para mim.

— Desculpa, não deu tempo de chegar no quarto! Mas, eu prometo que não vai voltar a acontecer.

A observo sentar-se em minha cama e na sequência ela me lança um olhar especulativo. — Que história é essa de chegar acompanhada, hein, mocinha? — questiona-me curiosa.

Dou de ombros.

— Foi só um exemplo. Me pergunto se a mamãe tivesse passado por aquela porta? Aí, sim, você estava fritinha da silva. — A provoco, mas recebo um sorriso desdenhoso em troca.

— Ok, Senhorita certinha. Já disse que não vai mais acontecer. Já que tomou banho e comprou essa delícia podemos ir comer? Já chega de sermão.

— Vamos, minha doidinha. Sabe que falo para o seu bem, não é?

— Eu sei e é por isso que te amo! Você é minha irmã preferida. — Ela me abraça apertado, deixando um beijo rápido na minha bochecha. Imediatamente envolvo a sua cintura com a minha mão e caminhamos para fora do quarto.

— Claro, sua louca. Você só tem a mim de irmã…

— Eu pego os pratos e você os talheres.

— Ok!

— Ah, e tenho novidades.

— Quais novidade?

— Você é muito curiosa. Vamos comer. Depois faço brigadeiro e vamos assistir um filme. O que acha?

— Acho que vou morrer de curiosidade até lá.

— Mas e o seu boy, cadê ele?

— Quando a pizza chegou meio que estragou o clima, então inventei uma desculpa.

— Mandou-o ir embora?

— Acredite, eu estava pegando fogo e não foi nada fácil deixá-lo ir.

— Tadinho, deve estar matando cachorro a grito.

O som da sua risada se espalha pela cozinha e não me seguro também.

— Garanto que ele dará conta na próxima.

— Por favor, não se esqueça de usar o seu quarto.

Minha irmã faz o sinal da cruz com os dedos, beijando-os em seguida.

— Eu prometo!

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