Capítulo 2 Capítulo 2 Gabrielle
— Oh, nossa! — resmungo com um lamento quando o despertador começa a tocar. — Só mais um pouquinho, por favor! — lamento, quando o sono parece roubar as minhas forças.
— Vamos, acorde ou vai se atrasar! — Sara retruca colocando uma cabeça na brecha da porta que acabara de abrir e com uma respiração profunda me forço a me sentar no meio do colchão.
— Estou exausta e a culpa é sua! — ralho, mas ela rir.
— Não tenho culpa se a série era boa e o brigadeiro estava uma delícia.
Forço um sorriso.
— Estava mesmo.
O fato é que eu não posso me dá ao luxo de dormir até tarde. Não quando tenho que correr para o estágio. Portanto, salto para fora da cama, faço a minha higiene pessoal e passo um tempinho olhando para dentro do closet para escolher o look do meu dia. Opto por um tubinho comportado com um comprimento acima do joelho e saltos altos medianos. Depois, prendo o meu cabelo em um coque elegante e me dedico a fazer uma maquiagem que realce os meus olhos. Por fim, olho as horas e percebo que estou em cima do horário. Apressada, vou até a cozinha pego uma maçã e caminho com pressa para saída.
— Eles já chegaram? — pergunto assim que ponho os meus pés dentro da empresa.
— Sim, e já a estão esperando na sala de reuniões.
— Merda!
— O que aconteceu?
— Você sabe, tive que fazer companhia para a Sara e isso rolou praticamente a noite inteira.
— Logo na noite que antecede essa reunião?
— Não me julgue! — respiro fundo. — Como estou? — Dany me olha de cima a baixo e sorrir.
— Você está perfeita!
Sorrio.
— Ótimo! Me deseje sorte?
— Boa sorte, amiga!
Com um frio na boca do meu estômago e um suor frio que se alastra por todo o meu corpo levo uma mão a maçaneta e a giro devagar. Até imagino a bronca que vou levar, mas resolvo pagar uma de egípcia, adentro a sala em seguida.
— Bom dia! — falo para todos dentro da sala.
— Bom dia! — Eles respondem, menos o ogro que está com a cara de quem vai me expulsar da sala a qualquer momento. Seu olhar rígido corre diretamente para o Sr. Gregory. Mas o homem de aparentemente cinquenta anos o ignora e me estende a sua mão, que eu não hesito em segurar.
— Senhores, a Gabrielle irá participar da nossa reunião. — Ele avisa com sua voz grossa e imponente. — Por favor, sente-se Gabi. — Gregory pede, puxando uma cadeira para me acomodar. Contudo, fito os olhos gélidos do Ogro do outro lado da mesa.
Não demora para a reunião começar e eu fico atenta ao assunto em pauta, fazendo algumas anotações que julgo importantes. O debate acirrado e sério é um tanto empolgante e me causa um frenesi quase que incontrolável. Mas um balde de água fria me deixa gélida quando percebo que Christopher continua a me observar como se quisesse falar algo. Entretanto, ele não pode. Não frente de todos, mas principalmente na frente do seu pai.
Sorrio um tanto sarcástica para ele e em resposta o Ogro aperta fortemente uma caneta entre seus dedos.
Idiota!
Resmungo mentalmente e volto a me concentrar no debate e nas minhas anotações.
— O que acha, Gabi?
Sou surpreendida pela pergunta do meu chefe superior e engulo em seco. Contudo, olho para o outro lado da mesa, no mesmo instante em que Christopher se ajeita em cima da sua cadeira e me fita, arqueando as suas sobrancelhas de modo desafiador.
Essa é a sua chance de mostrar que não tem apenas um rostinho bonito, Gabi. Penso, me enchendo de coragem.
— Penso que o advogado de defesa está certo.
— Por quê? — Christopher indaga com superioridade.
— O cliente tem um álibi frágil, mas incontestável. Basta encontrar alguém que confirme além das câmeras do estabelecimento. E se não havia resíduos de pólvora, por que ainda o tem como suspeito?
— A moça que ele afirma estar com ele na noite do crime, nega veementemente.
— Então ela deveria ser investigada e não ele.
— Isso é absurdo.
— Ela está mentindo e precisam descobrir o porquê.
— Você está certa. — Gregory aponta na minha direção com orgulho e eu seguro um sorriso satisfeito. — Investiguem a moça e descubram por que ela está retirando o álibi do nosso cliente.
Os burburinhos tomam conta da sala e logo a reunião é encerrada, e imediatamente me ponho de pé para ir para minha sala.
— Você precisa me contar como foi! — Dany se aproxima assim que me vir entrar no corredor.
— A gente se fala na hora do almoço.
— O que?! Você não pode…
Fecho a porta na sua cara, encostando-me na madeira para respirar direito e me pego sorrindo. Contudo, me forço a ir para a minha mesa para terminar alguns relatórios e verificar alguns pontos principais da reunião. No entanto, a porta se aberta bruscamente e assustada, encaro o Ogro… digo, o meu chefe.
— Não sabe bater na porta? — ralho, no automático, fingindo ler os papéis na minha frente.
— Quero saber por que a Senhorita estava naquela sala de reunião? — Ele rosna frio como sempre. — Eu não a convoquei.
— Eu sei disso. — Continuo fitando os papéis.
— Vai me dizer o que está aprontando? —inquire se achando no direito. Portanto o encaro rudemente.
— Eu não sou obrigada a responder nada, Senhor Lins. Pergunte diretamente para quem me convocou!
Ogro, Aff!
Grito em pensamento.
— E quem a convidou? Porque o seu nome não estava na ata. — Ele continua.
— Eu a chamei Christopher! — A voz imponente de Gregory Lins preenche a minha sala, o fazendo desviar seus olhos duros como pedras dos meus. — E isso são modos de falar com a Srta. Gabrielle? Você esqueceu que eu sou o dono e que eu dou as ordens por aqui? — O homem entra na minha sala, fitando o filho com firmeza.
— O senhor não informou que ela participaria. E não o nome dela não constava na ata. Por que fez isso?
— Eu achei necessário sua participação. Gabi é uma moça inteligente e está ingressando em sua carreira como advogada trabalhista. Nada mais justo, certo?
Observo Christopher trincar o maxilar rigidamente.
— Me desculpe por isso, Srta. Gabrielle! Isso não irá se repetir. Vamos filho, precisamos conversar.
— Sem problemas, Senhor Gregory! — sibilo. — Não precisava se desculpar, até porque não foi o Senhor quem invadiu minha sala aos berros. — Ataco, abrindo um sorriso amarelo, lançando um olhar debochado só para tirá-lo do sério.
Percebo quando Christopher bufa, girando nos seus calcanhares para sair da minha sala com o rabinho entre as pernas em seguida.
Amém!
Ralho mentalmente aliviada por não ser devorada vida por esse Ogro.
— Almoço? — pergunto para Dany algumas horas depois.
— Espere só um minutinho, eu vou perguntar se já posso sair para almoçar. — Ela adentra a sala da presidência e eu fico a esperando do lado de fora. — Tudo certo, mas é melhor irmos logo porque lá dentro está muito tenso. — Arqueio as sobrancelhas.
— Está tão ruim assim?
— Ruim é uma palavra muito meiga, Gabi. Eu diria que está o inferno.
— Por que será?
— Eu não entendi direito, mas o Sr. Christopher não está feliz por você ter participado da reunião mais cedo.
— Hum, acho que testei os limites dele essa manhã — ralho com certo desdém. — Ele só faltou me fuzilar com os olhos, coitado! Estou aqui porque quero trabalhar e mostrar o quanto posso crescer junto com essa empresa. E não sei por que que desde que iniciei o meu estágio, o Senhor Ogro não vai com minha cara. Sei lá, para ele eu sempre estou fazendo tudo errado.
— Que chato!
— Pois é, e quando recebi o e-mail do Sr. Gregory para participar da reunião, pensei que todos estavam de acordo com a minha presença, por mais que eu saiba que o Senhor Ogro jamais iria aprovar. Mas deixa para lá e vamos almoçar em paz — falo, mas não consigo deixar de pensar o que poderia tê-lo irritado ainda mais.
— Vamos, menina, esqueça isso. Você é muito inteligente e o Sr. Gregory reparou que você se destaca dentro da empresa. Ele sabe que você tem potencial no que faz.
— Espero que sim — retruco com um suspiro.
— É claro que sim! Sem falar que você se empenha e que seus relatórios são impecáveis e incontestáveis, mesmo com os curtos prazos que o seu carrasco lhe dar.
— Nossa, estou faminta! — retruco e faço sinal para o garçom.
— Eu que o diga! — Minha amiga resmunga e nos encontramos em fazer nossos pedidos.
