Capítulo 4 Capítulo 4 Christopher
E-mails, documentos, contratos… não consigo nem me concentrar em exatamente nada. E a coisa só piora quando a vejo entrar em um dos elevadores acompanhada de Dany. As garotas parecem envolvidas em uma conversa animada e eu suspiro alto as portas se fecham, tirando de mim a sua visão. Penso que o meu pai tem razão. Eu preciso me desculpar com Gabrielle. Depois que o meu pai falou, estou me sentindo mal por tratá-la daquela forma.
— Você não é assim, Cris — ralho comigo mesmo.
Sei que tenho que tentar ser menos explosivo com ela, mas é mais forte do que eu. Simplesmente não suporto o fato de ela estar constantemente nos meus pensamentos. Eu queria que fosse tudo diferente, mas simplesmente não consigo.
… Ela é insuportável, mamãe!
… Você só precisa ter um pouco de clama, filho.
Pois é, já até falei sobre ela com minha mãe.
… Se continuar assim vai acabar espantando-a para bem longe.
E eu não quero isso.
Contraditório, eu sei.
Incomodado com os meus pensamentos saio da minha sala e vou direto para a copa. Sirvo-me uma xícara de café e em seguida vou para o almoxarifado em busca de um documento. Passo um tempo até encontrar o que preciso e retorno para a minha sala. No caminho, percebo a sua sala entreaberta e dou uma espiadinha para ter certeza de que ela já voltou do almoço, mas não.
Olho as horas e decido esperá-la um pouco antes de continuar com o meu trabalho.
— Vamos lá, cadê você? — retruco e quando penso em desistir, praticamente esbarramos um no outro.
— Oh! — Gabi solta um grunhido assustado e os nossos olhos se encontram.
— Será que podemos conversar como dois adultos? — peço com um tom sério, mas ela me lança um olhar birrento e droga, tenho vontade de rir, porém, mantenho-me sério.
— O que o senhor quer? Eu tenho que terminar de fazer os meus relatórios. E eu não estou atrasada, então se me der licença, eu tenho mais o que fazer…
— Mas eu não estou cobrando de você.
— Ainda! — Ela tenta passar por mim, mas não deixo.
— Eu só quero te pedir desculpas pela forma que invadi a sua sala mais cedo.
Suas sobrancelhas se erguem à medida que seus olhos me encaram incrédulos.
— Certo. — Ela diz, mas parece não acreditar. — Espero que não se repita, educação em primeiro lugar.
E eu que sou o Ogro aqui. Retruco mentalmente.
— Até porque eu não fiz nada para ser tratada de forma tão arisca. Só estou fazendo o meu trabalho. E não se preocupe, assim que terminar o meu estágio o senhor ficará livre de mim.
Livre?
Ah claro, ela ainda não sabe sobre o contrato.
— Ok, concordo que não fui correto com você e que não devia tê-la tratado daquela forma. E, eu prometo não entrar na sua sala sem a sua permissão. Mas precisa admitir que às vezes você também não colabora. Ou acha que não a vejo fazendo caras e bocas para mim?
— Eu?
— Você!
— Ok Senhor Lins, pedido de desculpas aceito! — Ela tenta passar por mim mais uma vez e outra vez a impeço.
Gabi bufa contrariada. Contudo, encaro os seus olhos de novo.
— O meu pai quer falar com você
— Ah! Ok, eu… vou até o seu escritório.
Continuo parado na sua frente.
— Se você deixar é claro. — A garota resmunga e irônico, faço um gesto galanteador para ela passar.
Sério, ela precisa ser afiada desse jeito?
A mulher não abaixa a guarda nunca, assim vai ficar difícil de trabalhar!
Viro-me para ir para a minha sala, porém, tenho o vislumbre do seu corpo por trás, envolvido em uma saia lápis que desenha cada curva sua e gora estou imaginando várias coisas que eu poderia estar fazendo com ela.
Que merda, Christopher!
Balanço a cabeça para lançar para bem longe cada pensamento e faço um lembrete de nunca tirar a minha armadura. Eu preciso ser forte, ou não respondo por mim.
Eu ainda vou te domar minha, Diabinha.
— Fala aí, mano, por que está com essa cara de cachorro que caiu da mudança? — Ele sempre com o jeito brincalhão.
— Vai se foder, Breno! Não tem mais o que fazer não? Que eu saiba eu te pago para trabalhar, então não encher meu saco.
— Eita que a mocinha hoje está de TPM! Você quer que te traga alguns chocolates? É só me falar, princesinha.
É sério, até parece que ele sabe o momento certo para me irritar.
— Você hoje está um porre, sabia? Daqui a pouco te mostro a minha princesinha aqui, garanto que é grande e grosso. E faz um estrago. E aí, que pagar para ver?
— Sai para lá! Agora me fala o porquê desse de todo esse estresse? Não me diga que ainda é por causa da Gabi?
— Primeiro, o nome dela é Gabrielle. Segundo, pare com essa intimidade com a garota. Você sabe muito bem que ela não é uma das mulheres com quem você sai por aí! — rebato irritado só de ouvir o seu apelido sair pela boca dele.
— Olha, ele está com ciúmes! Quem diria que eu estaria vivo para presenciar um ato desses.
— Que ciúmes que nada! — ralho.
— Ah, e para o seu governo foi ela quem pediu para chamá-la de Gabi. Pois é, ela me ver como seu amigo.
— Amigo…
— Relaxa, garanhão! Eu sei que ela é a sua mina e eu nunca faria isso.
Fecho as mãos em punho e seguro uma resposta brutal.
— Enfim, eu vim te chamar para ir a um barzinho essa noite, o que acha? Vou encontrar com a irmã da Gabi. — Uno as sobrancelhas. — Você conhece a Sara, não é? Aquela garota é muito gata. E aí, topa?
— Melhor não.
— Por que não?
— Sei lá, se a Gabrielle estiver lá as coisas podem ficar estranhas.
— Bom, eu acho que é uma maneira de vocês se conhecerem e quem sabe melhorar as coisas por aqui.
Não sei, parece arriscado.
— Relaxa, Cris! Eu digo que vou levar um amigo e peço para Sara levar a irmã.
Bufo em resposta.
— Ok, eu chamo Léo. Acho que ele vai gostar…
— Você não vai chamar ninguém! — brado. — Ok, me passa o endereço que eu encontro com vocês lá. É melhor assim.
Brendo abre um sorriso largo.
— Pronto, já mandei pelo WhatsApp. Agora muda essa cara de cachorro abandonado e vamos lá.
—Vai para o inferno, Breno, seu puto! Vai trabalhar vai!
— Tchau, amor! Te encontro mais tarde.
— Meu pau, seu palhaço, vai se foder!
Agora é tentar relaxar e deixar as coisas rolarem.
