Capítulo 5 Capítulo 5 Gabrielle
Pensei que ia ter um treco falando com Christopher cara a cara. Por que será que ele veio me pedir desculpas? Aí tem, ah se tem. E eu vou descobrir. Penso enquanto sigo para sala do presidente da Gregory Company Advocacia S/A.
Tomara que eu não tenha feito nada de errado durante a reunião.
— Dany, vim falar com o Sr. Gregory. Ele pode me receber agora?
— Só um minuto que vou verificar. — Espero a minha amiga ir falar com o meu chefe e logo ela retorna com um sorriso. — Você pode entrar Gabi, ele está à sua espera.
— Obrigada amiga! — falo, indo de encontro a sala da presidência, porém, antes de entrar, dou uma batidinha na porta. — Senhor Gregory, mandou me chamou?
— Sim. Antes de tudo, gostaria de me desculpar pela forma grosseira do meu filho. Espero que ele já tenha feito isso.
— Sim, ele fez. Em que posso ajudá-lo, Senhor Gregory? — pergunto, controlando a minha curiosidade.
— Primeiro, sente-se, porque o que tenho para falar é do seu interesse. — O homem aponta uma cadeira para mim e eu não hesito em me acomodar.
— Oh, eu… fiz algo errado? — Procuro saber.
— Não fez nada de errado. Eu só te chamei para saber se é do seu interesse permanecer aqui na G.L.A? — Seguro um sorriso nervoso.
— Permanecer? Eu não entendi.
— Como a nossa mais nova contratada? Então, deseja fazer parte da nossa equipe?
Meu coração dispara por antecipação e as minhas mãos chegam a ficar suadas.
— O que me diz?
Sim, por favor!
Meu cérebro grita em festa. Contudo, me lembro do Ogro que provavelmente não aprovará essa contratação e bufo ligeiramente desanimada.
— Ah… eu acho melhor não. — Meu chefe encolhe as sobrancelhas em confusão. — Me desculpe, Senhor Gregory, eu não quero parecer ingrata, mas já deve ter percebido que seu filho e eu não nos damos muito bem. E eu não quero causar nenhum transtorno para o Senhor permanecendo aqui.
— Bobagem, Gabi! — O homem rosna impaciente. — Eu quero você na minha equipe. E quanto ao meu filho deixe que eu mesmo me resolvo com ele.
— Ah… Senhor Gregory, eu…
— Ele não tem outra alternativa a não ser acatar as minhas decisões e respeitá-la como uma de nossas funcionárias.
— Mas…
— Não irá causar nada. Estou lhe fazendo esse convite porque gostei do seu trabalho. Por ser tão jovem e por ter muita determinação para conseguir o que deseja. Então vamos fazer assim. Vá para casa e pense durante o final de semana. Na segunda você me dá uma resposta, pode ser?
Antes de respondê-lo respiro profundamente.
— Tudo bem! — Forço um sorriso para ele.
— Ótimo! Pense que se trata do seu futuro, Gabi, não deixe nada tirar o seu foco.
Dessa vez abro um sorriso espontâneo.
— Sou muito grata pelo seu convite, Senhor Gregory — digo, ficando de pé. — Só Deus sabe o quanto meu esforço para vencer na vida e nem todo mundo tem uma oportunidade como essa que está me dando. Prometo que pensarei com muito carinho.
— Fico feliz de saber disso, Gabi.
— Muito obrigada pela oportunidade que está me dando mais uma vez! — Lhe estendo a minha mão. Gregory a segura firmemente, colocando sua outra mão por cima desse aperto e olha fixamente nos meus olhos.
— Te espero na segunda e espero ter uma resposta que me anime. — Meu sorriso se amplia.
— Muito obrigado, Senhor, de coração!
— Por nada, Gabrielle.
Agora essa. Como vou aguentar conviver por mais tempo no mesmo ambiente que ele? Mas também não posso me esquecer que ficar aqui seria ótimo. É um escritório com ótimas referências, bem-conceituado e muito requisitado. Penso mais animada. Contudo, o meu animo cai quando penso no Ogro.
Ah, meu Deus o que faço?
Tenho que falar sobre isso com minha mãe. Ela sempre tem resposta para tudo.
— É isso, quando eu chegar em casa ligo para ela.
Agora de voltar ao trabalho, afundo-me em tantos relatórios que nem percebo a hora passar.
— Nossa, já está na hora! — resmungo baixo e começo a organizar tudo em seus devidos lugares para na segunda, quando eu chegar é só finalizar e entregar para o meu chefe.
E que chefe!
O que foi isso?
Pirou Gabrielle?
Volte para terra, Gabrielle! Volte agora!
Aff!
Irritada comigo mesma, saio do meu escritório e dirijo direto para a minha casa. Durante o trajeto a proposta do presidente da G.L.A preenche os meus pensamentos e começo a pesar os prós e os contras.
— Gabi que demora! Pensei que não ia chegar mais, faz tempo que estou te esperando.
— Oi pra você também, Sara! Como você está, Sara? Ah, eu? Oh, estou muito bem! Obrigada por perguntar! — retruco um tanto irônica, mas ela revira os olhos em resposta.
Solto uma respiração alta e consternada.
— Tive um dia bem exaustivo e corrido — falo com um lamento e você? Como foi o seu dia?
— A mesma coisa de sempre. Agora vai se arrumar porque estamos atrasadas.
Franzo a testa.
— Eu não estou atrasada. Até porque não marquei nada nem com você e nem com ninguém. E nossa, estou com tanta fome que comeria um leão.
— Gabi, quer deixar de graça? — Sara retruca, dessa vez chateada. — Se lembra que eu te disse tenho uma novidade?
— Lembro, mas você me enrolou e não me disse nada.
— Então, essa novidade é que eu consegui um emprego.
— Você o que? Quando? Onde?
— Ok, ontem recebi uma ligação pela manhã. Era referente a uma entrevista que fiz na semana passada. Eles ligaram e me disseram que fui aprovada…
Não seguro um grito animado e praticamente pulo em cima da minha irmã caçula para abraça festiva.
— Ai meu Deus, estou tão feliz por você!
— Eu também.
— E quando começa?
— Na segunda. Enfim, quero muito ir para um barzinho essa noite comemorar, topa?
— Mas é claro que topo!
— Perfeito! Agora vai tomar banho, porque já estamos atrasadas. Seja uma boa garota e capriche no visual, ok?
— Caprichar no visual?
— Por favor?
— Mas é só uma comemoração… a não ser que…
— Nada! Só fique linda e vamos beber todas.
— Por que eu acho que você está armando alguma coisa? — Encolho os olhos.
— Como você consegue ser tão chata? — Sara retruca com fingido mal humor. —Ok, eu marquei com alguns amigos para comemorar também. Como eu sei que você não sai muito, não custa nada, certo?
— Sara!
— O que? Você precisa se distrair. E não custa se vestir para matar. — Sara pisca um olho cheio de insinuações para mim.
— Vê lá, hein! Não inventa de jogar aqueles babacas que você chama de amigos para cima de mim! E já vou avisando que não ficarei muito tempo. Eu estou muito cansada só vou porque é por uma boa causa.
— Também te amo! Agora vai.
— Está bom, oh, vai com calma! — retruco quando ela me empurra para dentro do meu quarto.
