Capítulo 5 Feromônios no ar
A atmosfera na sala de aula está densa demais, impregnada com a presença constante dos gêmeos, o cheiro deles parece forte demais, chamando a atenção de todos na sala, e deixando ômegas e betas eufóricas, incluindo minhas amigas. Seus olhos passeiam por toda a sala enquanto o professor os apresenta, até parar em mim, eles me encaram de um modo estranho, o que me deixa um pouco em alerta. Eles falam com o professor, pedindo sua permissão para sentar, ele autoriza, e um deles olha para mim e caminha entre as fileiras de mesas triplas em que eu e minhas amigas estamos sentadas, e atrás de nossas mesas há dois lugares vagos. Fecho os olhos momentaneamente, e peço aos céus que eles não sentem perto de mim. Infelizmente minha prece não é atendida, Luke e Max sentam atrás de mim.
Eu mal podia olhar para trás que encontrava os olhos deles em mim, ou mal podia falar algo que eles ouviam e me encaravam, e foi assim a manhã toda. Acho que não preciso dizer o quanto foi torturante passar a aula evitando olhares, disfarçar meu desconforto para que Lia e Michelle não percebessem, foi torturante. Depois das aulas da manhã, finalmente acabarem, eu e minhas amigas fomos para o refeitório, comentando sobre todo mundo, sobre os professores, os alunos, o dormitório, e Lia sempre insistindo em falar de Peter, Michelle reclamando da tola paixonite dela, Lia reclamando de volta, parecia que estavam num looping infinito. Assim que sentamos, não demorou muito para observar os gêmeos sentar na mesa de frente à nossa, de frente para mim, e em seguida ouvir minha amiga falar sobre eles.
“Mas os primos do Peter são lindos demais, vocês perceberam que o cheiro deles estava muito forte, como se quisessem se impor, ou chamar a atenção de alguém?”
“Eu também percebi, será que eles estavam querendo marcar território ou algo assim?” Michelle questiona.
“Será? Mas marcar território por causa de quem?” Lia pergunta com curiosidade.
“Que bobagem, por que eles marcariam território? pergunto com surpresa.
“Porque deve haver algumas pessoas que os interesse, ou uma única pessoa que eles queiram disputar entre si.” Michelle afirma.
“Disputar?”
“Sim, ou vocês acham que dois alfas entraram na sala e soltaram tantos feromônios por nada?” Michelle questiona novamente.
[...]
As palavras de Michelle povoaram a minha mente durante o almoço, principalmente porque todas as vezes que eu olhava na direção em que os gêmeos estavam os olhos deles estavam em mim, antes de voltar para a sala de aula, eu e minhas amigas fomos dar algumas voltas pela escola, observar os calouros e comentar as fofocas dos veteranos, e aparentemente eu não pude dar um passo em qualquer parte da escola sem encontrar um dos gêmeos no meu caminho, como se estivessem determinados a grudar em mim. Essa proximidade estava me deixando estranha, sentindo algo que nunca senti antes, e tudo isso tornava-se uma tortura, um lembrete constante de uma amizade que já não existia mais. Essa proximidade me deixa em completo alerta, afinal, o que eles querem? Se querem se aproximar, porque não falam algo? Não, apenas andam por perto, e seus olhares estão sempre sob mim. Ao voltarmos para a sala, Michelle me olha, se aproxima do meu ouvido.
“É impressão minha, ou os gêmeos ficaram o tempo nos seguindo quando estávamos fora da sala?” ela diz e eu a encaro, e não sei o que dizer, não sei se conto para ela que já os conheço, ou se continuo fingindo.
“Deve ser impressão sua” respondo, e antes que ela se pronuncie, o professor entra na sala de aula.
Durante a aula eu me concentrei em prestar atenção, mas uma vez ou outra, meus olhos percorriam a sala e sempre os encontrava me olhando, me fazendo sentir algo estranho para mim. Os dias foram passando e os alfas estavam sempre me rondando, nunca falavam nada, mas agiam como se não pudessem ultrapassar algum limite imaginário, sempre com olhares profundos, e às vezes sorrisos para reparar uma relação quebrada. Nos últimos dias, sempre quando chego na sala há pequenos presentes como flores, chocolates, cuidadosamente deixados em minha mesa, que ignoro, pois provavelmente é de algum garoto querendo me conquistar, mas hoje ao chegar mais cedo, vejo Max deixar um bombom em cima da minha mesa, junto com um bilhete, eu saio da sala para que ele não me veja, demoro um pouco fora da sala, até que outros alunos entrem e eu faça o mesmo, sento, pego o bombom e o bilhete e finjo não saber, abro o bilhete e está escrito: Para começar bem o dia, princesa! As palavras mexem comigo de alguma forma, olho para trás, em sua direção e ele sorri para mim, abaixo o olhar. Michelle senta ao meu lado, e pega o bilhete da minha mão.
“O que é isso? Admirador secreto de novo? E aí já sabe quem é?”
“Não” respondo, e Michelle olha em direção aos gêmeos.
“Acho que você já sabe quem são os admiradores!”
“O quê? Como assim eu sei quem são?”
“Olha para trás” ela fala e eu olho para onde ele indica e torno a olhar para ela.
“Não entendi”
“Deu pra fingir demência?”
“Fingir demência por quê?
