Capítulo 3 vida pessoal: O território de caça
Casamento? Um contrato ridículo para pessoas fracas que precisam de validação. Uma cela com grades de ouro que eu me recuso a entrar. Minha liberdade é inegociável.
Meu mundo fora dos tribunais é instintivo e cru. Trabalho até a exaustão durante o dia, quebrando empresas e moldando o futuro de figurões, e à noite, busco a minha válvula de escape. Mulheres deslumbrantes, uísque envelhecido, charutos cubanos e sexo bruto. Não minto para nenhuma delas. Não prometo flores, jantares românticos ou manhãs de domingo. O acordo é tácito e claro: eu comando, elas obedecem, sentem o maior prazer de suas vidas, e no dia seguinte a cama está fria.
Meu nome abre qualquer porta VIP, meu telefone é cobiçado, e meu cheiro fica grudado na pele das minhas conquistas muito tempo depois que eu já as descartei. Eu não faço amor. Eu fodo. Com técnica, com força, dominando cada centímetro do corpo feminino, arrancando gemidos, exigindo submissão total. Sou o mestre do jogo, o predador que tem a fórmula exata para levar uma mulher à loucura sem nunca deixar que ela ultrapasse a porta do meu peito.
Sou um homem de sangue fervendo e cérebro de gelo. Eles me chamam de máquina fria. Elas me chamam de vício. E ambas as definições estão absolutamente corretas.
O Choque de Realidade
A manhã começa com a exatidão de sempre. Café preto fervendo, sem açúcar. O terno grafite cortado impecavelmente no meu corpo, a gravata de seda escura amarrada como um aviso. Entro no meu carro importado e corto as avenidas de São Paulo, o motor rugindo contra o asfalto molhado. No retrovisor, meus próprios olhos me encaram: exigentes, vazios de pena, prontos para aniquilar qualquer obstáculo.
Quando as portas de vidro do edifício Alencar se abrem, o ar no saguão muda. O silêncio cai como uma bigorna. Recepcionistas engolem em seco, forçando posturas eretas. Advogados juniores desviam o olhar, correndo para os cantos como ratos assustados com a aproximação do felino. Eu não distribuo sorrisos falsos, não dou "bom dia". Meu tempo custa milhares de reais por minuto; eu não o desperdiço com cordialidades baratas.
A vista do quinquagésimo andar é o meu reino. O concreto cinza de São Paulo se curva aos meus pés. Sirvo uma dose de Macallan puro, às nove da manhã, o líquido âmbar queimando a garganta, aquecendo o monstro lá dentro. Destampo a caneta Montblanc, pronto para assinar sentenças de morte corporativas. Mais um dia de massacre.
Uma batida tímida e hesitante soa na pesada porta de carvalho.
— Entre. — Minha voz sai áspera, impaciente.
Renata, minha secretária executiva há cinco anos e uma das poucas que consegue ficar de pé na minha presença sem tremer violentamente, entra segurando uma prancheta contra o peito.
— Doutor, a nova estagiária chega amanhã.
Levanto os olhos e arqueio uma sobrancelha.
— Nova estagiária? Quem autorizou a contratação?
Ela engole em seco.
— Ela vem altamente recomendada… pelo seu padrinho.
Padrinho. Uma palavra que carrega um peso significativo. Eu sei que quando ele se move, a situação é séria.
Fecho a caneta e reclino-me na cadeira de couro.
— Então essa garota deve ser realmente boa. Ou, no mínimo, precisa dar essa impressão.
Levanto-me e caminho até a janela, observando Brasília se estender diante de mim como um reino aos meus pés. Conheço bem esse enredo. Todo ano, um novo rosto tenta provar seu valor. Poucos sobrevivem. O escritório Andrade não é um abrigo para almas fracas.
— Que venha. digo de forma fria. — Mas avise-a: aqui não há espaço para erros. Quem pisar nesse chão deve suportar a pressão e entregar resultados. Caso contrário… a rua a espera.
Renata acena com a cabeça em concordância. Eu ajeito a manga da camisa, destacando o brilho do meu relógio de ouro. Sou um garanhão, um advogado, um predador. Não sou qualquer homem.
—Essa estagiária, terá que aprender rapidamente: no meu mundo, ou você nada… ou afunda.
Renata assentiu em silêncio, como sempre fazia quando eu emitia ordens com meu tom autoritário.
Virei-me, ajeitei a manga da camisa novamente, deixando o relógio de ouro refletir a luz.
— Ah, e Renata… não quero ser perturbado com detalhes fúteis. Se essa garota causar problemas, poupe-me da novela. Corte o mal pela raiz.
Ela assentiu mais uma vez e se retirou, fechando a porta atrás de si.
Fiquei sozinho, observando minha mesa abarrotada de processos. Um sorriso cínico se formou em meu rosto. A vida me ensinou a desconfiar de todos, principalmente de novatos. Essa jovem, quem quer que seja, aprenderá rapidamente que no meu mundo ou nada ou simplesmente afunda.
