Capítulo 2 Não sou eu

Eu ainda não havia me recuperado o suficiente dos infortúnios passados, mas lá estava eu, me magoando outra vez.

Meu corpo debruçado na cama parecia mais um prelúdio de pesadelo, e tudo em mim me ordenava para que fugisse. Eu deveria correr daquele lugar e desistir da proposta absurda que aquela maldita velha havia feito para mim, mas talvez fosse tarde demais.

Minhas mãos se agarraram à vida tanto quanto ao lençol branco e macio abaixo de mim. Com o rosto encostado de lado, eu podia ver a silhueta se aproximar.

Ele nem mesmo tirou a roupa quando andou até mim, debruçada e vulnerável sobre a cama do casal. Não havia um único som emitido por aquele homem, o que serviu apenas para tornar tudo ainda mais assustador.

Minhas mãos já estavam formigando de tão forte que eu apertava os punhos cerrados, e os dentes pressionando uns aos outros não permitiam que eu pudesse relaxar. Minha mandíbula já parecia dolorida quando ele finalmente se debruçou sobre mim.

Ainda sem um único som.

Mas a cama se abaixou levemente quando o homem, muito maior do que eu, se debruçou sobre um corpo já fragilizado. Tive medo de não conseguir aguentar a primeira noite.

Meus olhos se arregalaram quando ele beijou levemente meu pescoço e então se afastou. Foi um único segundo de alívio, antes que ele encontrasse o caminho para a minha fenda íntima.

Eu seria violada naquele momento e antecipei cada um dos golpes daquele homem, prevendo a dor.

Nada no mundo, no entanto, me preparou para o que senti. Definitivamente parecia maior do que eu esperava, e não houve formas de impedir que meu grito rompesse as barreiras do quarto. Todos os cômodos próximos poderiam me ouvir gritar.

Mas aquele homem ainda continuava a agir como se eu não fosse nada. Ele nem mesmo parecia se divertir com toda a dor que causava em mim, golpeando-me cada vez mais forte e intenso.

As lágrimas não podiam mais ser contidas, e eu não as impedi de molhar a cama, já maculada pelo meu sangue virginal.

Ele riu por um segundo, antes de sair de dentro de mim. Havia algo de errado com aquele monstro. Se ele pretendia me castigar, por que não terminou o que havia começado dentro de mim? Por que não prolongou as estocadas que me dilaceravam por dentro?

— Levanta! — ele ordenou.

Mas eu estava chocada demais para mover qualquer músculo do corpo. Continuava ali, parada como uma inútil. A dor de me sentir usada me machucava mais que a dor da carne. Eu havia me vendido e não sabia se valeria a pena, porque, naquele momento, tudo o que eu desejava era a morte. Foi a primeira vez que encarei a doença como uma dádiva.

Eu não queria continuar no mundo para sofrer daquela forma.

A dor na cabeça me surpreendeu quando ele me puxou pelo longo cabelo loiro, agora desgrenhado pelos movimentos bruscos que aquele homem havia causado em meu corpo franzino, ao me golpear por dentro como um animal raivoso.

— Por favor, não me machuca! — implorei.

— Sua cadela maldita — ele esbravejou. — Você disse que dormiu comigo. Disse que estava grávida!

— Grávida? — Senti que tinha sido enganada pela velha que me fizera a proposta.

A verdade era que eu não fazia ideia das circunstâncias do casamento. Na verdade, tudo o que eu deveria fazer seria substituir a mulher por um único dia. No dia em que assinei o contrato, em troca de míseros quinhentos mil dólares, não fazia ideia de que acabaria em uma tortura sem fim. Jamais teria aceitado me entregar a ele daquela maneira. Jamais teria substituído uma mulher grávida. Mas agora era tarde demais. Em um único deslize na minha vida, eu havia destruído tudo. Perdi tudo o que tinha em tão pouco tempo, a ponto de me perguntar se realmente valeria a pena tanto sacrifício para enfrentar minha dor de pé.

Ele ainda pressionava o chumaço de cabelo preso na mão esquerda fechada, obrigando-me a arquear o pescoço até o limite da dor. Olhei-o nos olhos, e ainda havia orgulho em mim, apesar de tudo. O brilho no meu olhar parecia ofensivo para ele, e ele parecia desejar me quebrar ao meio por aquilo.

Na mente dele, Pax era a maldita mulher que o atormentara até o limite, cercando-o de ameaças, até que ele pudesse salvá-la e à sua mãe da miséria certa. E bastará uma noite de bebedeiras para que ele traísse sua noiva com a mulher que acabaria alegando a gravidez para o mundo.

Mas agora, Sebastian sabia que não era real. Nada naquela mulher era genuíno para ele — nem mesmo a beleza que achava que ela tinha dois dias atrás, quando se viram pela última vez. Porque a mulher que ele observava naquele momento — eu — ainda era linda como um anjo, mas demasiadamente pálida e magra. Magra demais para ele.

— Você me obrigou a casar com você dizendo que estava esperando um filho meu, Pax. Se não fosse pela criança, eu juro que teria te deixado à míngua, trabalhando em uma das minhas minas.

— Eu não posso trabalhar em um lugar como esse. — Eu estava sendo sincera, embora parecesse esnobe. A verdade é que um lugar como aquele poderia facilmente me matar, mas o Sr. Black jamais saberia disso.

Ele sorriu, irônico, mais uma vez. O ódio ainda o dominava completamente, e ele não hesitou em apertar meus seios, fazendo com que eu sentisse dores que jamais imaginara na vida.

— Você queria se casar comigo, pequena? Então vamos ver o que você vai achar disso pela manhã.

Ele tinha a voz mais feia e autoritária que eu já tinha escutado em toda a minha vida, e eu não podia entender de que forma o pai de Pax o fizera sofrer tanto para que se tornasse o monstro que demonstrava ser.

Mas ele não deixou que eu continuasse meu pensamento. Logo senti a madeira quente da mesa ser encostada em minha barriga. Meu cabelo ainda estava preso como uma rédea, e eu era o cavalo prestes a ser montado.

— Por favor, não...

— Por favor, não o quê?

— Por favor, não, senhor — me corrigi. Eu seria capaz de me ajoelhar e beijar os pés daquele homem se isso o impedisse de fazer o que estava prestes a acontecer mais uma vez.

— Você não me diz não, pequena. Hoje eu vou te ensinar a ser a minha vadia!

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