Capítulo 4
Ponto de Vista da Risa
Saí do meu devaneio quando alguém gritou e correu na minha direção… Acho que veio me ajudar.
Eu via o carro vindo rápido, mas, pra mim, tudo parecia em câmera lenta.
Me mexi devagar, como se estivesse desviando de uma bola. Vi a pessoa que tentou me socorrer — ele acabou numa posição constrangedora e fingiu que não tinha vindo fazer nada.
Bang!!
Um estrondo.
Olhei para o carro: ele havia batido perto de uma loja. Opa… a loja deve ter levado prejuízo.
Me aproximei e dei uma olhada melhor. Quando vi, fiquei furiosa… e também um pouco triste.
Comecei a xingar o motorista: "Seu imbecil! Como você tem coragem?" Gritava enquanto afagava o gato no colo.
O motorista gemia: "Ei, garotinha… por que… está gritando…? Eu não… te acertei…"
Fiquei furiosa: "Idiota. Não me importo se me acertou ou não. E se me chamar de 'garotinha' de novo, quebro seus dentes."
"Então qual é o problema?"
"Por que você bateu seu carro idiota na minha bicicleta?!"
Ele calou. Comecei a xingar até os antepassados dele, mas, ao olhar para minha bike, reparei que o motorista estava gravemente ferido.
Olhei para o gato. Queria ir embora — ele precisava de um veterinário. Pensei em deixar o motorista ali, mas não sou tão cruel.
Liguei para a ambulância e disse a ele: "Sorte sua que não estou de mau humor. Você vai me agradecer por isso."
Não ouvi resposta. Acho que desmaiou.
Alguns minutos depois, a ambulância chegou. Acompanhei-o até o hospital e, depois, levei o gato a um centro de proteção animal.
Horas mais tarde, deixei o gato no centro "de cuidados".
Pensei em levá-lo pra casa, mas lá temos uma regra: animais não, principalmente gatos. Regras idiotas. Odeio.
Na minha família, todos são alérgicos a gatos — menos eu. Sou a diferente.
Entrei em casa pela janela. Eram 12h30. Tomei um banho, e ao sair do quarto, vi minha tia conversando sério ao telefone. Assim que desligou, perguntei: "O que houve?"
"Preciso sair com urgência. Deixamos as compras para outro dia?", disse ela.
"OK", respondi, e voltei para o quarto.
Meti a cara no meu gibi…
Várias horas depois…
Uhuu! Terminei o novo capítulo. Olhei a hora: 23h. Opa. Esqueci o almoço, a janta… e a Clara.
Peguei o celular para ver as notificações.
Tinha uma enxurrada de mensagens e chamadas — da Clara e do meu secretário, Sr. Edwin.
Liguei primeiro para ele. Ele atendeu depois de alguns toques e me atualizou sobre a reunião: a outra parte havia adiado para a semana que vem.
"OK", disse, e desliguei.
Tentei a Clara. O telefone tocou várias vezes, mas ela não atendeu.
A essa hora, já deve estar dormindo, pensei. Desliguei e fiquei me perguntando o que fazer a seguir.
Senti fome. Fui à cozinha atacar a geladeira. Depois de matar a fome, voltei ao quarto e o sono chegou.
Por que adiaram a reunião? Fiquei pensando nisso… e não sei quando adormeci.
Sonhei que alguém jogava ácido no meu rosto, arrastava meu corpo e me empurrava do terraço de um prédio alto.
Acordei em pânico. Sentei de repente, olhei ao redor e prendi a respiração, passando os dedos pelos cabelos.
Eram 5h30. Que sonho estúpido. Ninguém me machucaria assim na vida real.
Hoje à noite, vou desmascarar mais um playboy.
