Capítulo 4: Acordos
-Presente-
Conforme os dias se transformavam em semanas e meses, Aishleen tirou um tempo para lamentar, refletir e ponderar cuidadosamente suas opções. Ela buscou consolo nas memórias de seu falecido noivo e encontrou força no amor que compartilharam. Aos poucos, começou a imaginar um futuro onde poderia honrar sua memória enquanto trilhava um novo caminho.
Finalmente, após muita contemplação, Aishleen chegou a uma decisão. Ela entrou em contato com Keenan e pediu uma reunião para discutir sua resposta.
Quando Aishleen se encontrou com Keenan para compartilhar sua decisão, ela o fez com uma mistura de nervosismo e determinação. Ela sabia que sua escolha impactaria significativamente não apenas sua vida, mas também o futuro de ambas as famílias.
Enquanto se sentavam juntos, Aishleen respirou fundo, organizando seus pensamentos. Ela olhou nos olhos de Keenan e falou com uma voz firme, "Keenan, pensei muito sobre sua proposta, considerando as possibilidades e os riscos envolvidos. Após uma análise cuidadosa, cheguei a uma decisão." Keenan inclinou-se para frente atentamente, dando-lhe toda a sua atenção. "Estou ouvindo," ele respondeu, seu tom cheio de antecipação.
Aishleen continuou, sua voz inabalável, "Decidi aceitar sua proposta de um casamento genuíno sob um contrato escrito. Acredito que, juntos, podemos superar os desafios que nossas famílias enfrentam e trabalhar por um futuro melhor."
O som da ponta da caneta riscando o papel quebrou o silêncio na sala enquanto Aishleen finalmente, após uma longa espera, colocava sua assinatura no local designado no contrato. Aishleen havia tomado sua decisão muito antes, e a última hora passada juntos durante o jantar foi o passo final que ela precisava dar para ver se, um dia, encontraria conforto em compartilhar o mesmo espaço com ele, sabendo que ele tinha a mesma intenção desde o início.
"Muito bem," Aishleen informou a ele ao terminar sua tarefa. Ela fechou a caneta e a colocou de volta ao lado dos papéis, então se endireitou na cadeira para mais uma vez olhar através da mesa e nos olhos do homem. Keenan deu-lhe um doce sorriso e acenou com a cabeça para o garçom que estava no canto da sala, sinalizando para ele pegar os papéis e a caneta da pasta.
Em silêncio, Aishleen observou enquanto o garçom os pegava e os entregava a Keenan antes de se retirar de sua vista mais uma vez. Mantendo seu olhar, Aishleen observou quietamente enquanto Keenan segurava o contrato em suas mãos, seus olhos aparentemente estudando seu conteúdo, embora ela soubesse que ele não precisava, já que ela mesma o havia escrito, antes de colocá-lo de volta na mesa e começar a assiná-lo.
"Certo," ele falou após terminar sua parte, fechando a tampa da caneta e colocando-a no bolso frontal de sua camisa. "Estou feliz que finalmente resolvemos esse acordo. Vou organizar os próximos passos e definir uma data para a proposta pública e nossa festa de noivado. Suponho que três meses sejam tempo suficiente para o luto, não acha? Tenho certeza de que as pessoas não terão problema em vê-la aceitar uma nova proposta de casamento até lá."
Enquanto finalizavam os termos, tanto Aishleen quanto Keenan assinaram o contrato, solidificando seu compromisso um com o outro e com suas famílias. Com um novo senso de propósito e determinação, Aishleen embarcou nesse caminho desconhecido, sabendo que havia tomado a decisão certa. Ela estava pronta para honrar a memória de seu falecido noivo enquanto abraçava as possibilidades de um futuro entrelaçado com o de Keenan.
"Realmente precisamos fazer algo tão grande e público?" Aishleen perguntou, com um toque de preocupação no coração.
Um sorriso apareceu no rosto de Keenan enquanto ele ria suavemente. "Claro. É a única maneira de celebrar nosso amor e mostrar nosso compromisso um com o outro. Será um evento memorável que as pessoas falarão por anos. Além disso, quero que o mundo saiba como sou sortudo por ter você ao meu lado."
Aishleen não pôde deixar de se sentir cativada por suas palavras e pela genuína empolgação em seus olhos. Ela começou a ver o potencial para uma jornada extraordinária com Keenan, cheia de aventura, amor e apoio mútuo.
"Certo," Aishleen respondeu, suas preocupações se dissipando. "Vamos fazer uma celebração inesquecível então."
Enquanto saíam do restaurante, Aishleen sentia uma mistura de antecipação e curiosidade. Ela estava ansiosa para ver o que o futuro reservava para ela e Keenan, pronta para embarcar nesse novo capítulo de sua vida. O toque da mão de Keenan em suas costas enquanto a guiava em direção ao carro a encheu de uma sensação de calor e segurança. Foi um gesto pequeno, mas a fez sentir-se querida e protegida.
Ao entrar no carro, Aishleen olhou para Keenan e sorriu, seus olhos brilhando de esperança. "Estarei esperando sua ligação, Keenan. Vamos tornar nossa jornada juntos notável."
Keenan retribuiu o sorriso, seus olhos refletindo o mesmo entusiasmo. "Com certeza, Aishleen. Nossa jornada começa agora."
Com isso, Aishleen fechou a porta do carro e, enquanto dirigia, não pôde deixar de se sentir empolgada com as possibilidades que estavam por vir. Ela estava entrando no desconhecido, mas com Keenan ao seu lado, sabia que nunca estaria sozinha.
O céu já estava bem escuro quando Aishleen dirigiu seu carro até a entrada da casa de seus pais. O som do cascalho sob as rodas era o único som que ela podia ouvir além do motor do carro. Ela estacionou o carro em frente à casa, bem ao lado do carro da família, antes de desligar o motor e sair.
Aishleen seria recebida pelo silêncio ao entrar, o que não era muito surpreendente. Esta casa espaçosa e grandiosa era habitada apenas por seus pais desde que ela saiu, junto com alguns funcionários que ajudavam na casa, o velho mordomo que abriu a porta e a recebeu mais cedo, e um motorista que não residia na casa. Sem luzes acesas, ela não conseguia sentir nada além de uma sensação de deslocamento, sentindo-se tão estranha na casa onde foi criada. Não era surpreendente, já que ela não morava nesse lugar há anos.
Atualmente, Aishleen residia em um pequeno apartamento em um canto agitado da cidade de Nova York, um lugar que ela escolheu quando decidiu viver de forma independente e longe da vida luxuosa que sua família não podia evitar. Ela só voltava para casa ocasionalmente para jantares em família e estadias de fim de semana.
Em seu pequeno apartamento em Nova York, Aishleen encontrou consolo e um senso de liberdade. Era um lugar onde ela podia ser ela mesma, longe das expectativas e pressões do estilo de vida afluente de sua família. O apartamento era modestamente mobiliado, refletindo seu desejo por simplicidade e uma existência mais pé no chão.
Viver de forma independente na cidade agitada permitiu que Aishleen explorasse seus próprios interesses e perseguisse seus próprios sonhos. Ela se dedicou ao trabalho, dedicando longas horas à sua carreira e construindo um nome para si no mundo dos negócios. Aishleen estava determinada a provar suas capacidades e valor além da riqueza e influência de sua família.
Apesar de sua nova independência, Aishleen ainda mantinha uma conexão com sua família. Ela valorizava os jantares em família e as estadias de fim de semana, pois isso lhe proporcionava um senso de pertencimento e a lembrava de suas raízes. Essas visitas também serviam como um lembrete do contraste marcante entre o caminho que escolheu e a vida que deixou para trás.
Em seu apartamento, Aishleen se cercava de lembranças de seu falecido noivo, mantendo sua memória viva e encontrando conforto no amor que compartilharam. Ela aprendeu a navegar pelo luto e honrar sua memória enquanto abraçava a possibilidade de um novo futuro.
O pequeno apartamento de Aishleen em Nova York tornou-se seu santuário, um lugar onde ela podia refletir, curar e imaginar uma vida criada por ela mesma. Era um símbolo de sua resiliência e determinação em trilhar seu próprio caminho, independente das expectativas sociais e obrigações familiares.
A mulher caminhou por vários cômodos sem desviar o olhar, sabendo exatamente onde encontraria sua amada mãe, que certamente estava esperando sua chegada. E quando finalmente a encontrou no salão privado no meio da mansão, Aishleen não se surpreendeu ao descobrir que o cômodo era idêntico aos que havia passado antes.
O quarto estava escuro e silencioso, com a única luz emanando da lareira, já que as cortinas das grandes janelas do outro lado do quarto estavam bem fechadas. Sua mãe estava em frente à lareira, um copo de vinho em uma mão, inclinado de tal forma que estava bem em frente aos seus lábios fechados, esperando para derramar o líquido roxo denso sobre eles. Sua outra mão descansava em seu corpo, logo abaixo da caixa torácica. Seus olhos estavam fixos nas chamas dançantes à sua frente, a luz refletindo perfeitamente em seu olhar frio e inflexível.
Aishleen suspirou ao olhar para sua mãe. Enquanto Aishleen e seu falecido noivo trabalharam incansavelmente para salvar a empresa de seu pai desde o dia em que o destino dos negócios foi decidido e escrito, sua mãe sofreu um golpe doloroso em seu coração. Aishleen podia ler cada dificuldade que ela havia enfrentado nos últimos anos através das linhas que apareciam em seu rosto, dos fios brancos em seu cabelo e de seu corpo cada vez mais frágil.
"Mãe," Aishleen chamou, quebrando o silêncio e seus pensamentos vagos. Sua mãe não se mexeu, um piscar de olhos sendo a única reação que Aishleen obteve antes de ela desviar o olhar do fogo, lentamente olhando na direção de Aishleen.
