Capítulo 4
Delaney ~
Aqui estamos nós. Maddox e eu. No escritório do diretor... de novo. Maddox está com o nariz sangrando, e o outro garoto está segurando o braço... o que me dá a impressão de que talvez esteja com o ombro deslocado.
O diretor suspira. — Senhorita Quinn. Parece que está começando a haver um padrão. Seu irmão não pode sair por aí arrancando o braço de outros alunos da articulação.
Eu assenti... e perguntei: — O que levou a essa briga?
O outro menino... maior e com cara de valentão... disse: — Ele me puxou da cadeira no almoço. Eu e meus amigos estávamos zoando e, aparentemente, o Maluco do Maddox não gostou. Eu dei um soco nele com o meu braço bom depois que ele me machucou.
Olhei para o diretor. — Imagino que vocês tenham câmeras de segurança.
Ele balançou a cabeça. — As câmeras do refeitório ainda não estão funcionando. Está programado para acontecer hoje.
Assenti e falei: — Conveniente. Maddox... o que aconteceu?
A porta se abriu e uma mulher entrou. Merda! A esposa do prefeito? Então aquele garoto é o filho do prefeito? Encrenca da grossa, meu rapaz.
Maddox disse baixinho: — Ele e os amigos dele estavam falando merda da Valerie. Machucaram ela hoje de manhã, no caminho pra escola, e estavam rindo disso. Eu não sei tudo o que fizeram com ela, mas quando ela chegou na sala, os braços dela estavam todos arranhados... e ela estava com hematomas no rosto. Quando perguntei, ela só me mandou deixar pra lá, senão ia piorar.
Perguntei: — Isso já aconteceu antes, Maddie?
Ele assentiu e disse: — Eu achei que ela apanhava em casa... mas, pelo visto, ela apanha no caminho pra escola. E o Bert aí... com mais três amiguinhos... achou engraçado se gabar disso no almoço.
Valerie é uma menina doce e quieta, que anda com Maddox e Hunter. Eu não consigo imaginar alguém querendo machucar ela. Estou começando a entender por que Maddox agiu para defender a amiga. Estou furiosa.
Olhei para o diretor e disse: — Talvez o senhor devesse estar perguntando por que quatro alunos seus acham que está tudo bem intimidar e agredir fisicamente outra aluna... uma garotinha, ainda por cima... no caminho para a escola.
O diretor disse: — Se acontece fora das dependências da escola, eu não posso fazer nada a respeito. Não posso investigar o que eu não sei que está acontecendo, senhorita Quinn. Mas fique tranquila: eu vou chegar ao fundo disso.
Eu consigo aceitar isso.
A mãe do garoto disse: — Nós estamos aqui para tratar do abuso que meu filho sofreu nas mãos desse valentão.
Eu rebati: — Senhora, meu irmão não é o valentão nesta sala. A senhora precisa olhar bem para esse seu filho mimado, cheio de privilégios. Pergunte a si mesma o que VOCÊ deveria ter feito diferente! Esse seu menino vai levar um tombo... e não vai ser bonito.
Ela rosnou: — Seu irmão deslocou o ombro do meu filho. Eu devia prestar queixa! Aí vamos ver como você se comporta! E você quer que eu acredite no que ele disse que meu filho estava “brincando”? Cadê a sua prova?
Eu exigi que o diretor chamasse Hunter e Valerie para a sala... junto com os outros três amigos do Bert. Então eu disse: — Se a Valerie não tiver nenhuma marca, o Maddox vai pedir desculpas e eu pago as despesas médicas do Bert. Se ela tiver marcas... o seu filho vai pedir desculpas a ela... e eu quero uma garantia de que isso nunca mais vai acontecer.
Ela concordou.
Quando todas as outras crianças chegaram, Bert já estava se remexendo na cadeira. Estava nervoso com o que poderia ser dito... Interessante...
O rostinho de Valerie tinha um arranhão acima da sobrancelha... e vários hematomas nas bochechas. Os braços dela estavam arranhados, por inteiro nos dois... do antebraço até o ombro. Puxei-a para perto de mim... e para o meu colo. Sinto tanta falta disso. Maddox só faz chamego agora quando está doente.
Pedi que ela me contasse o que estava acontecendo... e ela começou baixinho: “Eu não sei o que eu faço de errado. Eles sempre me seguem até o ponto do ônibus. Quando dá a hora de subir no ônibus, eles nunca deixam. Eu quase sempre acabo tendo que ir a pé pra escola. Eu sempre me atraso pra primeira aula. Hoje, eu precisava muito ir de ônibus pra levar meu projeto de ciências inteiro pra escola. Eles não deixaram. Eles quebraram meu projeto... e me empurraram pro meio do mato. Os espinhos me arranharam toda e agora eu tô reprovando em ciências.” Ela começou a chorar e, o tempo todo em que falava, eu observava a mãe do Bert.
Ela perguntou a Valerie o que ela fazia para provocar os meninos, e eu perdi a cabeça. Eu gritei: “Você só pode estar de sacanagem comigo agora, né? Você é ESSA pessoa? Você é do tipo que acusa uma vítima de agressão de ter pedido por isso, é!? Dá pra ver de onde seu filho tirou essa mania de intimidar os outros. Como você ousa insinuar que essa menininha poderia fazer ou dizer qualquer coisa que justificasse ser abordada... assediada... e maltratada por QUATRO meninos... cada um muito maior do que ela! Que porra é essa com você?!”
O diretor interrompeu: “De qualquer forma, senhorita Quinn. Há consequências. Uma reparação precisa ser feita. Eu vou suspender o Maddox... até nova investigação, já que ele iniciou o contato. Três dias.”
Eu me levantei e disse: “Entendi. Então... punem o herói... e deixam o valentão sair impune. Agora eu finalmente sei o que significa roda lubrificada. Eu quero estar lá quando você perceber que andar no bolso do prefeito é apertado demais. Sra. Alden... fique à vontade e tente me processar pelas contas médicas do seu pivete. Você vai perder! Bert. Eu não ouvi pedido de desculpas nenhum! Hoje foi a última vez que você encosta na Valerie. De agora em diante, eu vou levar e buscar ela na escola. Maddox. Vamos... temos três dias de férias pra fazer o que a gente quiser... mas vamos aumentar seu treinamento pra três vezes por semana. A Valerie pode precisar de você de novo.”
Peguei a mão de Valerie e abri a porta... conduzindo Hunter e Maddox para fora... e o diretor disse: “Senhorita Quinn... eu não posso permitir que você saia com esses outros alunos.”
Eu zombei: “Ligue pros pais deles. Eles já sabem.” Eu tinha mandado mensagem para as mães do Hunter e da Valerie quando descobri o que estava acontecendo.
A gente parou para tomar sorvete antes de eu levar as crianças pra casa. Fizemos Valerie rir e ficar bem mais feliz e, quando eu a acompanhei até dentro da casa dela, a mãe dela, que é solteira... e trabalha horas intermináveis, me recebeu. Expliquei o que vinha acontecendo com o Bert e a panelinha dele. Depois avisei que, de agora em diante, eu ia buscar a Valerie. Ela ficou aliviada e só se agarrou à filha, chorando.
De volta ao diner, deixei Maddox ajeitado com meu notebook para ele conseguir fazer as tarefas da escola. Os professores dele tinham concordado em não descontar nota, porque achavam que ele estava sendo punido injustamente.
Levantei os olhos quando o sininho da porta tilintou e vi Venom entrar com mais dois. Levei água até a mesa e comecei a pôr os cardápios, mas me disseram que não precisavam. Simples. Café com hambúrgueres e batatas fritas.
Eu sorri e disse: “Você tá virando freguês e esse pedido tá virando o seu de sempre.” Ele deu de ombros, sorrindo. “Sou um sujeito de hábitos. E esses hambúrgueres são bons pra caralho.”
Eu ri e falei: “Então bora fazer acontecer, Capitão!” — sem perceber que aquele era, de fato, o posto dele no Corpo de Fuzileiros Navais.
