Capítulo 2 Amantes sob o luar - part 2
Elizabeth narrando – 2023
Aprendemos a viver imersos na escuridão. Eugênia era uma de nossas líderes: forte, linda e imponente, sempre ao lado do irmão Thor, tomando as decisões importantes que, até então, nos mantiveram vivos. Todos sabiam que a partir das 19:00 era o toque de recolher; ninguém podia sair de dentro de casa, pois aquele era o momento da caçada.
Thor havia quebrado o pacto ao se envolver com uma mestiça chamada Lilith, que era a preferida do Alfa. Ela sempre estava por aqui, escondida entre as árvores para ver meu filho sair e poderem acasalar. Assim que os vi juntos, uma lágrima escapou de meus olhos, e eu sabia que ele estava condenado à morte por cometer aquela heresia.
Os dois estavam se banhando no lago e, para minha infelicidade, Bryana estava comigo e gritou para todos.
— Estamos condenados! Todos seremos devorados feito animais por culpa dele!
Em questão de segundos, todos da vila estavam a caminho. Lilith saiu correndo nua pela floresta. Os outros mestiços sempre estavam a nos vigiar, e era óbvio que isso chegaria aos ouvidos do líder, e estaríamos perdidos.
Eugênia veio correndo e pegou uma das mantas que estava em meu cesto para serem lavadas e cobriu o irmão, que estava despido, ajudando-o a sair da água.
— Por que nos condenou? Não pensou um segundo antes de quebrar o pacto? — Anthony perguntou, totalmente inconformado.
— Guarde seu sermão, meu pai, outros não pagarão pelo que eu fiz! — E Thor lhe respondeu no mesmo tom.
— Vamos para casa, por favor. — Implorou Eugênia, olhando para os lados e com muito medo.
— Ele não pode voltar para a vila, ou estaremos todos mortos. Entreguem-no nos portões de Sangria antes que os monstros venham beber o sangue dele e de sua família, levando todos nós também. — Clamou Bryana antes que pudessem levá-lo para a vila.
— Ele é meu filho, e não vou permitir que toquem nele. — Elizabeth se colocou na frente do filho e gritou em sua defesa, para que todos a ouvissem.
Os homens demonstraram hostilidade; iriam levá-lo como sacrifício, e eu não poderia impedir. Thor sacou a arma, e conseguimos sair dali; sabíamos que jamais nos aceitariam de novo na vila. Ao chegar em casa, pegamos apenas poucos pertences e iríamos fugir, mas era tarde demais e os sinos da igreja tocavam... todos sabíamos que quando aquilo acontecia, alguém iria morrer.
— São os Lycans, estão vindo por Thor! — David gritou do lado de fora, deixando todos vigilantes e assustados.
— Vá embora, filho, entre na mata e fuja sem olhar para trás. — Elizabeth abriu a porta dos fundos da cabana.
— Não, mamãe, eles não vão parar até que de alguma forma ele pague pelo que fez. — Eugênia respondeu, era certo que não o deixariam em paz.
— Minha irmã está certa, não vou me esconder. Meu pai não criou um covarde! — Assim que Thor terminou aquela frase, ouvimos um uivo forte, aquele era o anúncio do terrível destino que nos esperava, enquanto Thor se vestia sabendo que seria confrontado.
— Thor é o nome dele, um homem morto que ainda respira, mas não por muito tempo! — Alfa gritava do lado de fora da casa, e os moradores se afastavam com pavor.
— Ele está me chamando, e eu morrerei como um homem. Fique aqui dentro, mamãe, não quero que as vejam e lhes façam mal depois. — Thor temia pelas mulheres da família, sabia da fama daquele monstro.
Ele saiu de dentro de casa, enquanto Anthony me segurava ali. Eu sabia que, por mais que clamasse para que Thor não se entregasse a ele, não poderia impedir.
[...]
Eugênia saiu, decidida a enfrentar aquele terrível destino sem medo. Vestia um vestido vermelho sangue, mostrando sua determinação diante do líder dos Lycans montado em um cavalo negro. Seus olhos verdes a observaram intensamente, como se a conhecesse de algum outro lugar, espaço ou tempo. Era um olhar hipnótico que a envolvia completamente.
Ela tinha imaginado que os Lycans fossem sempre criaturas monstruosas cobertas de pelos e garras enormes, mas segundo a lenda, eles apenas se transformavam sob a luz da lua cheia. Aquele líder, por sua vez, mantinha sua forma humana, mas ainda assim emanava uma aura ameaçadora.
Enquanto Eugênia seguia em frente, ele a observava a cada passo, como se seus olhos estivessem fixos nela, incapazes de se desviar. Bryana, ao seu lado, tentou negociar com o líder dos Lycans, pedindo que levassem apenas Thor e poupassem a vida dos outros moradores inocentes da vila, pelo menos até o próximo sacrifício de primavera.
Ao lado do líder, Lilith estava envolta em um manto negro, mostrando indiferença diante do destino de Thor. Eugênia não conseguiu conter sua indignação e coragem, e confrontou o líder Lycan pelas escolhas injustas.
— Condena meu irmão à morte, enquanto a mulher que o traiu caminha ao seu lado. Não sente vergonha de suas batalhas? — Eugênia falou com ousadia, expressando o que seu coração ditava.
O líder Lycan sorriu de maneira provocadora, lambendo os próprios lábios. Seu comportamento deixou Eugênia ainda mais alerta e determinada a enfrentar a situação com coragem. Ela estava disposta a lutar pelo bem de sua família e de sua vila, mesmo que isso significasse desafiar aquele misterioso e poderoso ser.
— Não condeno as diversões de Lilith, que é apenas mais uma de suas inúmeras concubinas, mas sim os humanos que se atrevem a me desafiar como se fossem do nosso nível. — Alfa não parecia temer nada nesse mundo, ele sabia que estava no topo da cadeia alimentar.
— Já chega de dar ouvidos a ele. Se veio me buscar, aqui estou e não tenho medo. — Thor, abriu os braços na frente do cavalo do Alfa, e Eugênia o abraçou para demonstrar que nunca o abandonaria.
— Afaste-se de seu marido ou vai pagar com a própria vida, donzela! — Disse o Alfa ao ver os dois abraçados e dispostos a se entregar um pelo outro.
Ele deu a volta com o cavalo, em sua mão havia uma adaga tripla dourada que seria usada para nos matar.
— Faça isso… não vou abandonar o meu irmão. Você e sua raça só sabem trazer morte e dor a esse mundo. — Gritou Eugênia, determinada a enfrentar a ameaça dos Lycans.
