Capítulo 7 Algo podre, parte 1

Duncan

Chegamos aos portões da Alcateia Lua de Sangue exatamente ao meio-dia. Os guardas nos deixaram passar depois que fornecemos as informações da nossa alcateia. Quando nos aproximamos da casa da alcateia, Conn começou a ficar super agitado, andando de um lado para o outro dentro da minha mente. Aquilo não era um bom sinal. “O que está acontecendo com você, Conn? Se acalma. A gente nem saiu do veículo ainda.”

“Eu sei, mas tem alguma coisa errada aqui. Eu já consigo sentir. A gente precisa descobrir o que é. Esta alcateia tem um ar sombrio. Você não sente?” ele respondeu.

“Eu sinto alguma coisa, mas é difícil me concentrar com você desfilando na minha cabeça desse jeito. A gente vai descobrir, eu prometo. Mas fica tranquilo por enquanto, pode ser?” pedi. Ele bufou, mas se aquietou.

— Pronto para começar essa farsa? — Julian perguntou. Ele me lançou um olhar inquisitivo, claramente ciente de que eu acabara de travar uma batalha interna.

— Sim. Conn está agitado. Tem coisa podre nesta alcateia; ele já está sentindo. Fiquem atentos — eu disse a todo o grupo no SUV comigo.

Antes de sairmos da Lua Crescente, eu tinha dito a todos os voluntários guerreiros que íamos ao baile de acasalamento da Lua de Sangue, mas que mantivessem os olhos abertos, já que nunca tínhamos passado tempo na Lua de Sangue antes. Não expliquei completamente o verdadeiro motivo de estarmos aqui, mas meus guerreiros são espertos. Eles vão ficar atentos ao que acontece ao redor e me avisar se algo parecer fora do lugar.

Ouvi um guincho assim que abri a porta do SUV e levantei os olhos para ver a filha do alfa nos degraus da casa da alcateia, com o Alfa James e o futuro alfa Tobias. Quase foi o bastante para me fazer voltar para dentro do veículo.

“Olha por esse lado; agora a gente já sabe que ela não é uma das nossas companheiras,” Lucian nos enviou pelo vínculo mental.

“E graças à Deusa por isso. Não sei se eu conseguiria viver com esse barulho pelo resto da vida,” Julian brincou.

“Eu não duvido que ela tente alguma coisa enquanto estivermos aqui. Não deixem ela pegar nenhum de vocês sozinho em lugar nenhum,” eu disse aos dois. Algumas dessas lobas iriam a qualquer extremo para prender um lobo de alta patente e, considerando os motivos de estarmos nesta alcateia, eu não confio em ninguém aqui.

Paramos um instante para garantir que nossos guerreiros estavam em ordem e, discretamente, avaliar a área de recepção. A casa da alcateia se erguia imponente à nossa frente e, de perto, mostrava a idade que tinha. As venezianas estavam descascando e os canteiros de flores precisavam de cobertura nova. Havia um pequeno grupo de ômegas atrás da família do Alfa, em uniformes de serviçais, com os olhos baixos.

Subimos os degraus para cumprimentar todo mundo. O Alfa James estava no fim dos cinquenta, e a Luna escolhida por ele estava ao seu lado. Ela tinha vinte e poucos anos. Não tínhamos recebido nenhum anúncio de uma Cerimônia de Luna para a nova Luna dele, o que era suspeito, mas não necessariamente um sinal de que havia algo ruim acontecendo. Coisas mais estranhas já tinham acontecido.

— Boa tarde, Alfa Duncan. Bem-vindo à Alcateia Lua de Sangue — cumprimentou o Alfa James. Ele assentiu para Julian e Lucian. — Ficamos felizes que tenham conseguido vir. Estou ansioso para conversar com você mais tarde sobre algumas possíveis oportunidades de negócios — acrescentou.

— Obrigado por nos receber, Alfa James. Estou sempre aberto a ouvir sobre novas oportunidades — respondi.

Ele me encarou, com um brilho calculista nos olhos. — Maravilha! Deixe-me apresentar a você Amelia, minha filha. E, claro, você já conhece Tobias, meu herdeiro.

— Fiquei tão animada quando o papai nos contou que a sua alcateia viria, Alfa Duncan. Só ouvi coisas boas sobre você — disse Amelia, batendo os cílios. — Espero mesmo que você guarde uma dança para mim no baile esta noite.

— Também é um prazer conhecer você, Amelia. Tenho certeza de que vou ver você lá. Se você ainda não tiver encontrado o seu companheiro até lá, claro — eu disse.

“Nem pensar que a gente vai tocar nela. Eu não vou deixar. Ela está com o cheiro de pelo menos dois outros lobos agora mesmo”, Conn me disse.

“Eu sei, Conn. Só gentilezas. Vamos evitá-la... de qualquer forma, vamos evitar o baile o máximo possível.”

Ela deu uma risadinha. — Talvez eu encontre. — Ela piscou para mim. A paquera descarada na frente do próprio pai me deixou ainda mais em alerta. Então voltei a atenção para ele.

— Imagino que o senhor ainda tenha outras pessoas para receber. Poderia pedir para alguém nos acompanhar até nossos quartos? Eu gostaria de me refrescar um pouco, e tenho certeza de que meus homens também, depois da longa viagem de hoje cedo.

— Claro, Alfa Duncan. Vamos deixar tudo em ordem. Reservei para você as suítes de hóspedes do alfa no andar do alfa, e seus homens ficarão dois andares abaixo. Vou chamar um ômega para acompanhá-los — respondeu a Luna dele. O Alfa James não tinha nos apresentado a ela quando apresentou a família. Outro sinal de alerta.

— Obrigado... — deixei a frase no ar, numa tentativa óbvia de conseguir um nome.

— Minhas desculpas! Esta é minha nova Luna, Claire. Nós nos encontramos há poucas semanas e ainda não tivemos tempo de planejar a cerimônia dela, já que estávamos tão focados neste Baile de Acasalamento. Tenho certeza de que vamos mandar um convite quando marcarmos a data — explicou o Alfa James.

— Parabéns. É um prazer conhecer você. Obrigado pela hospitalidade — direcionei isso à Luna Claire, enquanto o Alfa James estreitava os olhos para mim.

— Bem, vamos colocar vocês a caminho, certo? — disse ele. — Louise, por favor, leve o grupo da Lua Crescente até seus quartos. — Ele indicou uma ômega que estava um pouco atrás dele.

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